Almirante Vieira Matias
A Academia das Ciências de Lisboa convidou para a sessão conjunta das Classes de Ciências e de Letras muitos e ilustres cidadãos para uma sessão notável de dois Almirantes : António Sacchetti e Vieira Matias.
Foi com enorme orgulho e uma enorme emoção que ouvi o nosso conterrâneo , Almirante Vieira Matias expor com detalhe a sua perspectiva sobre " A Nova Descoberta do Mar". Correndo o risco de não reter toda a informação, porque impossível, deixo aqui algumas notas pessoais sobre o que ouvi.Retive um número fantástico: 70 % do nosso planeta é mar , mas só conhecemos 5% do fundo do mar: é a quarta descoberta que está por fazer. Percebi , também, que Portugal não pode deixar de agarrar este desafio; o mar é nosso e é dele que dependemos pela história, pela geografia e pelo nosso futuro. Ou "vamos ter com o Mar ou Mar virá ter connosco "e não de uma forma pacífica. Outro aspecto interessante foi a critica ao Tratado de Lisboa , recentemente assinado, uma vez que não assegura nem salvaguarda esta singularidade Portuguesa. Apesar dos reparos do Almirante, invariavelmente recebeu como resposta , um lacónico " Pois".
Contudo, há espaço para emendar a mão e o erro , assim haja vontade política e investimento no que temos de mais precioso: o mar!
Depois do que ouvi, fico com a sensação de que há gerações de governantes que nos vão deixar com uma pesada factura e erros dificeis de corrigir.
Quem diz que não é importante a escolha de políticos e de políticas devia ouvir o que estes homens com expêriencia e conhecimento têm para nos dizer.
Absolutamente inesquecível e preocupante!
Prof.ª Ana,
ResponderEliminarTive, não faz muito tempo, a oportunidade de participar numa entrevista a este Ilustre Portomosense, filho de outro Ilustre Portomosense, Sr João Matias e simplesmente é de se ficar maravilhado com a sensação inata que se tem de poder privar com pessoas como o Almirante Vieira Matias! Uma enciclopédia em conhecimento Marítimo e não só.
É de facto no mínimo preocupante que os decisores políticos ignorem a mais valia que poderia ser o aconselhamento de homens como estes para questões tão importantes.
Cumptos,
PC.
Também eu tive a oportunidade de ouvir a conferência,na Academia das Ciencias e para além dos aspectos em que o mar, pode contribuir para o desenvolvimento económico, hoje as questões do aproveitamento da energia das ondas, foi o aproveitamento das biotecnologias, e consequente desenvolvimento do conhecimento,fiquei espantado com o conhecimento revelado,pelo palestrante, na área da quimica e biologia.
ResponderEliminarMas em resumo, o que é estratégico para este país voltado ao mar:
-no conjunto dos PALOP, a enorme área maritima,que os países que falam português,têm no planeta;
-a importância do conhecimento da universidade portuguesa nestas areas;
-o facto de Portugal, possuir 2 navios ocenográficos, equipados com a melhor tecnologia disponivel,nestas áreas;
-sermos o 4º consumidor mundial e 2º europeu dependente do consumo de peixe na sua alimentação;
-a reafirmação de uma autoridade histórica e seu designio, de viver voltado ao mar;
Preocupações:
-à semelhança das conferências de Bruxelas e de Berlim, no final do sec.XIX, nas quais perdemos territórios,em África, devido ao principio da não ocupação efectiva dos territórios,poder,estar agora a suceder o mesmo no mar, com o Tratado de Lisboa.
E porquê:
se por um lado com a politica comum de pescas,abdicamos na nossa soberania, apesar de nesta área, tal, ser partilhada, com o Tratado de Lisboa, a UE tem a competência exclusiva da gestão dos recursos e biodiversidade das espécies maritimas,em todas as suas expressões.
Esta é uma das 4 areas em que a UE tem competência exclusiva. E só são 4. Não é interessante?
Consequências:
a tal estratégia de desenvolvimento estará completamente comprometida, e a abdicação completa, do exercicio de soberania neste recurso enorme, que é o mar.
Mas países como a Dinamarca, com enorme área maritima(não se esqueça a Gronelândia, que integra o mar dinamarquês),argumentou tal, como área de interesse nacional estratégico, e tem a sua politica maritima própria,apesar de integrar a UE.
Mas a Dinamarca por certo não terá politicos, que perante tais objecções, respondam POIS.
Obrigado Sres. Almirantes pela lição.