Digno do Halloween
Há pouco mais de dois anos começou a ser cumprida uma das promessas que levou o Sr. Salgueiro, nosso Presidente de Câmara, a Fátima a pé após a sua vitória eleitoral. Refiro-me à Casa Velório do Juncal na freguesia onde resido.
Como a opção de comprar um terreno era muito dispendiosa e de forma a minimizar o investimento, coisa que no Juncal tem de ser gerida com muita parcimónia (tanta que ronda frequentemente a mesquinhez) o terreno escolhido foi o do cemitério antigo que fica por de trás da igreja e que se encontra desactivado há 80/90 anos.
O Presidente da Câmara logo que pôde avançou para o terreno e toca de remover as ossadas com uma escavadora.
O Presidente da Junta e o Pároco, ávidos de uma obra importante para a Freguesia e Paróquia, respectivamente, consideraram que o trabalho estava a ser feito com respeito, como se ‘respeito’ fosse uma função accionada por um botão nos comandos da referida escavadora.
Nem toda a população concordou com os métodos utilizados para o levantamento de ossadas e daí até que uma denúncia chegasse ao Instituto Português da Arqueologia (IPA) passou pouco tempo. Como era de esperar a obra foi de imediato visitada pelo antropólogos do IPA (ou antropófagos, como sempre lhe chamou uma pessoa que acompanhou todos os acontecimentos) e a obra teve de ser interrompida.
As ossadas espalhadas pelo terreno, assim como outras que se encontravam junto às raízes das árvores já cortadas, foram recolhidas por arqueólogos que lamentaram o que ali se tinha passado. Pelo que tive a oportunidade de conversar com as duas técnicas que executarem estes trabalhos, soube que o levantamento de um cemitério não é feito todos os dias, mas é a forma mais eficaz de conhecer as pessoas de uma determinada comunidade no passado. A partir da ossadas é possível estimar a estatura da população, com que idade morreram, as doenças mais frequentes, entre outro tipo de informação. Por exemplo fiquei a conhecer objectivamente os efeitos da osteoporose assim como vi deformações provocadas pelo esforço e por doenças. Tudo a partir de restos mortais de meus conterrâneos, onde se incluem familiares meus que já partiram. Toda esta informação se perdeu por acção da escavadora.
Nesta fase entendeu-se que era muito caro e dispendioso proceder a todo o levantamento das ossadas e acordou-se levantar as ossadas apenas nas zonas das sapatas. Confrontado numa Assembleia Municipal com o facto de desta forma estar a separar famílias que quiseram ser sepultadas juntas, o Presidente da Câmara justificou-se dizendo que os técnicos eram muitos lentos no seu serviço, e, interpretei eu, como o calendário eleitoral é quem mais ordena, the show must go on.
Nesta fase a ‘bola ficou do lado’ do Gabinete Técnico da Câmara que teve de definir a localização das sapatas. Este trabalho será de tal complexidade que demorou dezanove semanas até que os técnicos soubessem onde poderiam escavar.
Durante estas dezanove semanas, ocorreu o episódio mais macabro de toda a novela. Na manhã do dia 15 de Outubro de 2006 foram encontradas no adro a Igreja, assim como no lugar do Andam em vários locais, “cerca de dois quilos de ossos” conforme consta no auto da GNR chamada ao local para proceder a sua recolha. Durante as dezanove semanas em que os técnicos camarários trabalharam afincadamente da escolha da zona de implantação das sapatas, a entrada no antigo cemitério ficou vedada com dois portões velhos amarrados por dois arames.
Este é o rigor técnico que temos na Câmara Municipal, cujo Presidente é um homem que diz entender de obras e faz questão de escrever nO Portomosense que chega às 7h da manhã aos Paços do Concelho para dirigir o pessoal.
A obra está pronta e quis o destino que fosse inaugurada no dia de Finados, logo depois da noite das Bruxas, ou segundo a tradição anglo-saxónica, de Helloween.
O povo, que depois da missa de Todos os Santos ruma ao actual Cemitério, esbarrará com um lanche de papas e bolos, um metro acima do chão onde rolaram caveiras profanadas de juncalenses. É de esperar o discurso de lançamento da campanha eleitoral.
Salgueiro Sim, pela nossa terra.
Digno do Halloween.
Lamentável!!
ResponderEliminarEu diria mais. Vergonhoso, e todo este processo e aonde foi implatada esta dita Casa de Velório.
ResponderEliminarEm homenagem a todos meus Familiares e Amigos que neste dia de celebrações de Finados não me vou alongar neste Post.Também por respeito.
ResponderEliminarOra bem. Cá estou eu de volta. Terminado o meu dia de respeito, mas sempre respeitosamente pelos ante-passados, aliciou-me comentar este feito. É que como é do conhecimento de todos quantos me conhecem eu sou e sempre fui um opositor deste projecto com a sua implatação neste local da Casa de Velório.Agora ao que sei foi finalmente Inaugurada com o Porco oferecido no Churrasco, pão, tintol, café, filhoses etc. O Pessoal gostou. Pudera..de borla.
ResponderEliminarFala saber os termos em que foi o envolvimento de orçamento, quem pagou ou vai pagar, de quem é pertença imobiliária, quem vai fazer a sua manutenção, bem como custear todos os eventos. Enfim..o grande números de questões para serem respondidas.
Espero que o Sr. Paulo Sousa nos traga elementos para se entender bem e com clareza.
Tanto quanto me chegou aos ouvidos, parece que o orçamento inicial da CMPM era de 70-mil-euros, seria?será?, depois ouvi dizer que a parte de Primeiro andar corria por conta da Fábrica da Igreja em que iria ou vai servir de salas de reuniões e Catequese, será?seria?
Já agora gostaria que aqui coloca-se se possivel uma foto final da obra e se poderia esclarecer estes pontos.Fico-lhe grato.
Independentemente de tudo isto, Eu como disse, considero esta obra para esta finalidade de muito mau gosto e de muito má gestão para o actual e para o futuro. Neste momento apenas quem fica com alguma coisa resolvida é a Igreja para fins de Catequese.
Coloco uma questão muito engraçada que até se pode começar a pensar a curto prazo em utilizar o Adro da Igreja Matriz como um espaço público para estacionamento de carros. Porque não?!
Entendo como uma tarefa dificil de gerir o levantamento das ossadas do cemitério, mas teria tudo sido feito e bem com um esforço conjunto de todos em concertação com a Autarquia local (Juncal) e levados para local remarcado no actual cemitério Novo. Não se esqueçam que existem mais ossadas no Adro da Igreja e em redor da mesma. É bom que todos se lembrem disso também.
Acho eu que aquele local deveria ser propriedade da Paróquia-Igreja e seus afins e nada mais, nunca a casa de Velório deveria ter a sua implantação naquele local. É fácil imaginar os contornos em que pode incomodar e vir a ser incomodtiva naquele local. Vou debitar uma Dica; Serviu para satisfazer a vontade de alguém e nunca de olhar para o futuro e prestar um bom serviço público e de respeito. Foi de igual modo o desviar ou mudar o trajecto dos cortejos fúnebres da Carreira da Vila (Rua) secular para o da Rua da Escola.Foi a primeira obra feita por esta Junta actual mudar as placas da Rua Carreira da Vila que interditava a via Automóvel excepto para Funerais. Ai ..que eu nasci, ajudei tantos na sua última caminhada e isto doi...Eu ajudei com os punhos que a minha Mãe me deu, pobres e menos pobres, Com gravata e sem gravata. Ai que doi..., isto para satisfazer o pedido de alguém.Ups...
Agradeço ao Sr.Paulo Sousa que me esclarece certas questões que aqui coloquei se lhe for possivel e quiser. Ah, parece que o Presidente anúnciou outra vez em jeito alegórico que vai pensar em fazer obras no salão Paroquial. Oh Diabo...será?!
Parece-me que temos aqui outra dor de cabeça, quem faz,quem paga, como e para que afins e sua dimensões.Eu digo, precisamos de Anfi-teatro digno e com a capacidade multi-usos. Aquele local nunca pode servir a comunidade Juncalense que tão carênciada está de infrasctruturas.Se Porto de Mós tem e Mira D,Aire vai ter uma enorme, o JUNCAL tem de exigir com toda a legitimidade.