Crise dos mercados financeiros e o sistema multipolar

Os analistas e operadores do mercado finaceiro são unanimes em reconhecer que a origem da actual crise do mercado financeiro, e por arrastamento da economia real, teve inicio na criatividade de muitos operadores associada a uma deficiente regulação que não impediu a criação e propagação dos chamados activos tóxicos.  Pelo impacto negativo global pode dizer-se que se tratou de um erro muito grave.


Muitos pensadores de esquerda, mais ou menos moderada, não perderam tempo em apontar a actual situação como o principio do fim do capitalismo liberal. Os livros de Marx regressaram aos escaparates e a luta de classes está novamente a ser debatida. Nada que Marx não tivesse previsto quando referiu nas suas obras o caracter cíclico do capitalismo e apontou os períodos de crise como épocas favoráveis à expansão do socialismo. Perante esta crise do capitalismo liberal, e por oposição ao que representa, saem reforçados os regimes autoritários de países como a Rússia e a China. Olhando para os últimos 60 anos e vendo o que os americanos têm feito pela expansão da democracia, tendo sempre como adversário regimes autoritários, desrespeitadores das liberdades individuais, não deixa de ser curioso o esfregar de mãos de tantos europeus que vivem em democracias nascidas no pós-guerra, ao interpretarem esta crise como um enfraquecimento internacional dos EUA.


A actual ordem financeira mundial foi fundada pelo acordos de Bretton Woods celebrados no final da Segunda Guerra Mundial. Aí foram fundados o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Esta nova ordem atribuiu uma hegemonia ao dolar americano que assim se tornou moeda de referência mundial e principal divisa escolhida para reserva dos bancos centrais de todo o mundo. Pelo aumento da importância das economias asiáticas a predominância do USD está em declínio há algum tempo, facto que já aqui abordamos.


A necessidade de avançar para uma nova etapa pós-Bretton Woods, que desde o rebentar da crise financeira é assunto diario, levará a uma nova ordem mundial em que o unipolarismo centrado na economia americana dará lugar a um multipolarismo onde a Europa, e as economias asiáticas, nomeadamente a China e India terão o seu lugar. Isto significa que caminhamos para uma realidade global baseada num equlíbrio de forças, algo não víamos desde o fim da Guerra Fria. Mas será que este mundo multipolar será mais pacífico do que o que tem sido com o unipolarismo norte-americano pós-1989, ou que o bipolarismo da Guerra Fria? A história diz-nos que não. A existência de quatro ou cinco grandes potências mundiais cria a necessidade de alianças por vezes voláteis que geram instabilidade ameaças à paz. A geopolítica europeia funcionou assim até há 60 anos atrás, e foi profícua em conflitos e guerras. Desde que foram lançadas as bases da actual União Europeia que se iniciou o maior período de sem guerras de toda a longa história europeia. Será que o anti-americanismo intelectual e pós-moderno de muitos europeus não dará lugar a um saudosismo da pax americana?

Comentários

  1. E`completamente imprevisivel saber-se o que vem por aí.
    Há poucos dias vimos os nossos governantes dizerem-nos que estava tudo bem e de repente descobre-se que é preciso nacionalizar o BPN. Há rumores que muitos bancos estarão nas mesmas condições que o BPN.
    E o Millenium'
    E outros?
    Avizinham-se tempos muito difíceis não restam dúvidas. O desemprego vai disparar e a recessão está aí.
    A crise económica vai ser enorme .
    Todos os indices da UE são extremamente pessimistas.
    E PORTUGAL?
    Fica a pergunta para servir de base a um trabalho de reflexão..

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  2. Eu pergunto-me o que falta sabermos?Alguém acredita que seja só o BPN?
    Agora,mais do que nunca, é que precisamos de um PSD forte,mas LFM continua a ajudar Sócrates.

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