Prémio Nacional do Professor
«"Eu estou incondicionalmente a favor de ser avaliada". E gosta deste modelo? "Há nele alguns problemas ainda por resolver...", concede, preferindo pôr-se no lugar de entrevistadora: "Foi decidido que, afinal, os resultados dos alunos não contam para a avaliação. Se não contam, é porque, afinal, não são muito relevantes. E se não são, por que é que hão-de ser levados em conta mais tarde?". Depois, recuperando a cautela, ressalva: "É uma incongruência que não consigo perceber, mas, se calhar, é uma dificuldade minha".»
Excerto de um artigo do Público sobre a atribuição do Prémio Nacional do Professor a Jacinta Moreira que lecciona na Escola Carolina Michaëlis
Ao ler o artigo acho que a professora está quase incomodada com este prémio. No mínimo não está radiante.
Cada escola terá a sua cultura organizacional, mas olhando para a ideia que tenho de um estabelecimento escolar dito normal, palpita-me que este prémio em vez de estimular as boas práticas poderá ser o ponto de partida para que Jacinta Moreira seja discriminada pelos colegas.
Num sistema de ensino em que os resultados dos alunos não contam para a avaliação não faz sentido existir um prémio como este. Ou se premeia o mérito e isso aplica-se aos alunos e passa por uma avaliação responsável com quadro de honra afixado, ou então conduz-se bons, médios e maus para dentro dos 'curros' da medianização.
Mas o prémio nacional do professor premeia o quê e com que critérios?Peço desculpa pela ignorâcia,mas pensava que os professores ,ainda,não eram avaliados.
ResponderEliminarPedro, quando os resultados dos alunos forem aferidos por exames externos à escola, a todas as disciplinas e no final (pelo menos!) de cada ciclo de ensino, então sim os resultados dos alunos podem e devem contar para a avaliação do desempenho docente. È só transpor o que se faz em muitos países Europeus e não só.. Enquanto esta aferição externa não acontecer é um convite à inflação das notas dos alunos . Claro que há excepções , mas o facilitismo imposto, a falta de percursos escolares alternativos, é fácil elevar a nota escondendo a realidade das aprendizagens dos alunos.
ResponderEliminarA Professora Jacinta Moreira é licenciada em Geologia, tem um mestrado na mesma área e um doutoramento em Ciências da Educação. É autora de sete manuais escolares e de dezenas de artigos científicos. Lecciona Geologia e Biologia.
ResponderEliminarNuma época em que a escola pública parece atravessar uma crise existencial, nunca hesitou em fugir à cartilha habitual. Leva filmes e documentários para as aulas e já recorreu às letras de Maria Betânia para falar sobre reprodução e afectos. Diz que "é muito mais eficaz do que estar a elencar as funções do aparelho reprodutor".
Já aqui falamos sobre isto quando falamos da Educação na Finlândia [http://vilaforte.blog.com/2857071/], mas esta é mais uma história que deveria pesar para dar mais liberdade de métodos aos professores.