A Noite da Má Língua
Nos anos noventa houve um programa de televisão, na SIC, que marcou muita gente. Na Noite da Má Língua dizia-se obviamente mal sem rodeios e sem pressões. Contam agora alguns dos protagonistas que quando foram convidados que o Rangel lhes disse: “podem falar de tudo inclusive do Balsemão”.
Não tinham, muitas vezes, razão no que diziam, mas a irreverência e independência era garantida.
A Noite da Má Língua regressou agora em livro, para a promoção os protagonistas (MS, RZ e MEC), deram uma entrevista em conjunto ao Expresso, deixo aqui algumas passagens, para comprovar, como eles dizem que hoje seria impossível, fazer um programa daqueles.
Expresso: «We cannot change» como diziam é um bom slogan para promover Portugal?
RZ: Era uma campanha muitomelhor do que encher Portugal de cartazes do Cristiano Ronaldo e o Mourinho… Era muito melhor meter na «Time»: «Portugal: We cannot Change».
MEC: ou então, em bom português, «Portugal: é sempre a mesma merda…» E depois, mostrávamos fotos do Iraque – e dizíamos: «mas podia ser uma merda pior…»
…
MS: Isto tudo para promover os seis meses sem democracia.
MEC: … olha o Rui chegou recentemente da Venezuela…
RZ: Fui lá vender Magalhães… E o Manel, voltou há uns dias da China, onde foi comprar Magalhães…
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Expresso: Quando escreveram o livro, Manuela Ferreira Leite estava em silêncio. Entretanto falou.
MEC: Nós tínhamos razão. Quando ela falasse é que ia ser pior … foi o que se viu. Ela devia ter continuada calada…
MEC: Toda a gente concorda que aquela ideia de suspender a democracia por seis meses até não é má ideia…Se não fosse uma boa ideia, não havia aquela reacção tão veemente!
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Expresso: E que vos parece Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa?
RZ: É óptimo! O Manuel parece-lhe muito bem porque não gosta de Lisboa, o Miguel é de Cascais e eu sou masoquista…
…
Expresso: E no braço de ferro entre professores e a ministra da Edução?
MS: A ministra
RZ: Os professores
RZ: O Sócrates nunca deu aulas, ele nem sequer teve aulas.
Seria possível hoje voltar a haver a Noite da Má Língua?
A promoção do livro tem um blog
Debate imaginário na noite da má-lingua.
ResponderEliminarMEC: Em alguma coisa podemos dar cartas ao resto do mundo.
RZ: A má-lingua é uma instituição que une todos os portugueses. É uma instituição dificil gerir pois todos se tratam mal, mas que há uma fraternidade implicita dentro da instituição... isso há!
MS: Claro que há. Eu por exemplo estou fora disso, mas de resto somos todos uma treta.
MEC: Afinal o programa nunca acabou. Está sempre a passar em todo o país.
RZ: Devia passar uma nota em roda pé a dizer: "Não tente isto em casa", já seria um princípio, mas iam logo dizer mal do programa.
Alguém quer continuar?
Ouvi a semana passada na prova oral o Manuel Serrão e o Rui Zink, afirmarem que na altura foi possivel fazer aquele programa e hoje jamais seria assim, devido à pressão e controlo do que se faz na TV.Na altura o poder politico ainda não sabia como controlar as televisões privadas, o que não acontece hoje.
ResponderEliminarNão vivia em Portugal, nessa época, mas chegaram-me ecos da excelência do programa. Tenho curiosidade em ler o livro, até porque no dia de lançamento ( na Portugália) a piquena que foi "fazer de" MEC era um espanto!
ResponderEliminarAi que saudades do programa!!!
ResponderEliminarE se por um lado é verdade que hoje em dia devido ao controle da tv's privadas por parte da classe política, nãio será menos verdade que assuntos seriam amis que muitoas e concordaríamos bastante mais com eles :)
Beijinho
Lembro-me que ficava até tarde para ver o programa e que depois passou para horas decentes e aí foi o fim.
ResponderEliminarMarcou sem dúvida uma época.Bem precisávamos de outro assim, o da SIC notícias,nem me lembro o nome, não tem pica.
A blogosfera encarrega-se de fazer o trabalho e os politicos ficam todos enervados de não lhes poderem tocar, por enquanto...bem tentam!
O Dr. Luís Malhó, anda mais produtivo em termos bloguisticos e a escolher bem os temas. É bom lê-lo mais vezes.