b.leza

Depois de passar à frente dos antigos armazéns do Conde Barao e antes da Casa dos Parafusos, a mais fotografada das lojas de ferragens de Lisboa, fica o Palácio Almada Carvalhais. É uma casa do Sec. XVI, com um claustro sem varandas no rés do chão, que se atravessa para chegar à escada que vai para o primeiro andar. Lá em cima, no salão grande, com chão de madeira e palco ao fundo, funcionava o b.leza, o bar pouco lisboeta onde a música africana era tocada ao vivo noite dentro.
Os poucos passos que separavam a porta de entrada do primeiro degrau da escada para o primeiro piso eram suficientes para, em segundos, nos transportar de Lisboa a África, ou no mínimo à costa mais africana de Lisboa.
O b.leza tinha uma atmosfera própria. O público era diverso. Africanos de primeira e de segunda geração, retornados saudosistas, amantes dos ritmos africanos, estudantes de fora de Lisboa, às vezes figuras públicas, boémios em geral. Todos transpiravam dançando no salão com chão de madeira. A cerveja corria ininterrupta das máquinas da imperial para os copos que nunca estavam cheios.
Pelo palco do b.leza passaram grandes nomes da world music como Tito Paris, Bonga e Cesária Évora, mas também Dani Silva que explorou o espaço, e muitos outros menos conhecidos mas igualmente animados pelo mesmo ritmo enérgico e gingão da música africana.
O salão de chão de madeira e a cozinha, onde fora de horas se servia cachupa, eram ligados por um corredor onde, em toda a largura, estavam expostos troféus desportivos do Casa Pia Atlético Club, colectividade que segundo julgo administrava o espaço. O corredor dos troféus era um dos poucos lugares onde se podia conversar.
Quando a mesada o permitia frequentava o b.leza e é com alguma nostalgia que me lembro dessas noites.
Soube há pouco tempo que o b.leza fechou as portas. Desde então funciona de quando em vez, no cabaré Maxime, na Praça da Alegria, junto ao Hot Club. Nesses dias chama-se b.leza itenerante.
Dizem que agora é só no Enclave, na Rua do Sol ao Rato, que se pode ouvir música africana ao vivo. Fica o compromisso de uma destas noitas lá ir.
Tenho uma amiga africana. Vou dar-lhe a dica.
ResponderEliminarBoas festas