Deflação

 


 


No seguimento da crise do sub-prime os Bancos Centrais puxaram dos ‘galões’ e injectaram milhões no mercado. Com o objectivo de estimular o investimento, fizeram baixar as taxas de juro. A Reserva Federal  em poucos meses passou a sua taxa de referência de 5,25% para 1%. Política monetária a funcionar, tudo normal e previsível.


Os efeitos da crise começam a fazer sentir-se no bolso dos consumidores e como as expectativas são desfavoráveis o consumo diminuiu e a tendência irá manter-se. Todos sabemos que a quebra da procura leva à diminuição dos preços e por isso o petróleo e outra matérias-primas começaram a descer.


Acontece que com a taxa de referência em 1% o Fed quase esgotou o instrumento taxa de juro e cada vez mais a palavra deflação anda na boca dos analistas.


A deflação é o processo inverso ao da inflação. Ocorreu poucas vezes ao logo da história e é algo com que ninguém sabe lidar. Quando se sabe que os produtos serão mais baratos no futuro do que no presente adia-se o consumo e isso leva a uma redução da actividade económica e a uma diminuição do PIB. A ciência económica não têm soluções previstas para estes casos.


A economia japonesa está desde há cerca de dez anos a definhar e a tentar sair sem sucesso da deflação. Tentaram recorrer à política orçamental lançando um imenso programa de investimentos, para assim aumentar o emprego e o produto, mas além das obras, que não tiveram o impacto desejado, ficou uma dívida pública enorme e difícil de gerir.


Como o petróleo caro tem um impacto inflacionista em todos os sectores económicos, arrisco a pensar que talvez seja mesmo desejável o petróleo a 70 USD, o que só será possível com um enorme corte na produção. Este valor é o actual objectivo da OPEP, liderada desde ontem por Angola.

Comentários

  1. a economia no seu melhor. Como o "homo economicus" é inteligente...
    boas festas

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