Desastre da Escola*
“ Às quatro horas e um quarto, do dia 8 de Dezembro de 1936, na escola que aqui existiu [onde hoje existe o quartel dos bombeiros voluntários], morreram, em poucos minutos, 36 crianças, de idades entre os 9 e os 11 anos. Mais cerca de 200 pessoas ficaram feridas.
O pároco de S. Pedro, Revdº Francisco Carreira Poças, em colaboração com o de S. João, Revdº Manuel Carreira Poças, resolveram fundar a Juventude da Acção Católica, em Porto de Mós. E chegara o tempo de formalizar a nova instituição. Far-se-ia uma grande reunião de jovens e falaria a todos o Revdº. Dr. Galamba de Oliveira, de Leiria.
A sala escolhida, à falta de outra julgada melhor, foi a do segundo piso da escola, lado sul, onde leccionava o prof. Lalanda Ribeiro, e a data, o dia 8 de Dezembro, festa de Nossa Senhora da Conceição.
Entre as crianças que se encaminharam para a escola, sobressaiam as da Cruzada Eucarística, em seus fatinhos brancos e cruz vermelha sobre o peito. Iam com fé, com alegria; riam e cantavam. Os pais, os familiares, associavam-se-lhes, comungavam a sua alegria e a sua fé. Sentiam todos, no coração, que iam viver uma linda festa.
Pelas 16 horas, o Revdº. Pe. Dr. Galamba de Oliveira, com o presidente da Câmara, Dr. Afonso Baptista, e outras individualidades presentes, assumiu a presidência. Na sala, homens e rapazes e homens, do lado direito, meninas e meninos da Cruzada Eucarística, ao centro, todos se comprimem uns contra os outros, pela escassez de espaço.
Havia pessoas sentadas nas janelas, havia os muitos que ficaram no átrio e nos corredores.
O Dr. Galamba anuncia que vai eleger-se o presidente da Juventude da Acção Católica, começa algumas explicações prévias e ouve-se um estalo de madeira a rasgar, soa um estrondo medonho, em uníssono com um pavoroso grito humano; o pavimento abre-se ao meio, longitudinalmente, onde estão as crianças; bate no pavimento do rés-do-chão; este abre-se, também, dando mais cerca de três metros àquele fatídico funil.
Grita-se até poder; levantam-se braços; estendem-se mãos; imploram-se auxílios impossíveis." (extracto de texto de João Matias na primeira evocação do desastre da escola).
*Recebido por mail.
Agradeço ao nosso Leitor, MB, pela lembrança, na evocação deste terrível acidente que ocorreu em Porto de Mós em 1936.
Deste modo partilho convosco o sentimento deste nosso Leitor em relação a este assunto e gostaria que partilhassem connosco, o que sabem sobre o acidente e o que deve ser feito para tornar estas homenagens mais dignas, uma vez que se trata da nossa história colectiva.
"Ontem estive na evocação do Desastre da Escola, e mais uma vez vi por lá os teus pais e lembrei-me de te sugerir que se calhar era interessante fazeres também uma nota sobre o assunto no Vila Forte. É que apesar da tragédia ter sido grande, está muito esquecida, principalmente, de quem tinha mais obrigação, a autarquia e as escolas. Para mim, este assunto é quase uma causa, mas por enquanto, quase perdida.
Antes de mais, quero dizer que é para mim, em termos pessoais, e para o Vila Forte, uma honra receber textos dos nossos leitores a sugerir temas como tem acontecido ultimamente.O Vila Forte é de Todos,e assim cumpre também o papel de divulgador de textos dos nossos,atentos, visitantes.
ResponderEliminarOs textos ou "dicas", podem ser enviados para o mail que está na coluna do lado direito ou para os nossos mail's pessoais.
Em relação a este tema, em concreto, também sou da opinião que se devia fazer mais.Aproveitando que é feriado e que se trata de um acidente numa escola, era fundamental que nesse dia as escolas fossem convidadas a "criar" algo nesse dia: Um teatro,dança,um torneio desportivo, um simulacro,....
É normal que com o passar dos anos estes acontecimentos fiquei na memória dos mais velhos, ou nos familiares de quem viveu o "episódio".
Ao receber este mail, não podia ficar indiferente à questão e queria juntar-me ao meu amigo MB, na tentativa de fazer desta data,uma data importante para o Concelho.
É preciso ter memória!
Vivemos num tempo e com pessoas em que querem lá saber dos seus antepassados e da história.Nem do futuro quanto mais do passado.Muito bem lembrada esta data com muito sentido para Porto de Mós.
ResponderEliminarAntigamente este dia, 8 de Dezembro, era o dia que era celebrado o dia da mãe,era bonito se a Câmara,Junta de Feguesia e escolas, fizessem neste dia algo de memorável e verdadeiramente com sentido e sentimento.Uma missa e uma ida ao cemitério é muito pouco, mas se calhar para quem nos governa já é suficiente.É neste pormenores que se vê o carácter das pessoas.
LA
A sua falta é bastante notada....pela quantidade e qualidade dos textos.Bom regresso.
ResponderEliminarMais uma vez um texto oportuno,ainda que por via de um leitor,não deixa de ser curioso que optem por vos enviar textos em vez de o fazer através de comentários,mas é legitimo, como nós que costumamos comentar.Este é mais um dos assuntos que demonstra a distância que existe entre sentir e exibir.Salgueiro e seus pares são mestres em exibir,agora em sentir,são uns fingidos.Estou de acordo com a sua sugestão/repto ao Luís Costa/ADP no blogue da ADP e ao torneio chamava-lhe, Torneio da Memória.
Belo blog está a ficar o Vilaforte, espero que o PSD continue a ignorar o vosso trabalho, o PS a ter ódio de estimação e que o O movimento que convidou a Jornalista para cabeça de cartaz para as europeias não vos leia, porque senão vamos ter lista para as autárquicas em Porto de Mós e o blog fecha portas...
Que no próximo dia 8 de Dezembro possa ver o Pedro a entregar o troféu da memória no pavilhão gimnodesportivo em Porto de Mós.
Só os Dinis é que ainda consideram que estes Portomosenses nada fazem pela nossa terra, os velhos do Restelo continuam com a remela nos olhos...
Que bonito é saber que depois de tantos anos, as homenagens são feitas e as vítimas deste acidente não foram esquecidas.
ResponderEliminarApesar de ainda não residir em Porto de Mós a minha singela homenagem ás vítimas deste acidente eé bom todos os anos recordarmos não deixando assim que o esquecimento varra as memórias.
ResponderEliminarD. Antonieta parece-me que não residia em Porto de Mós porque ainda não tinha nascido. Será? O Desantre foi há 72 anos...Daaaaa!!...a
EliminarFoi há muitos anos, mas ainda estão vivas na nossa memória a tragédia que ocorreu nesse dia. E não é que ainda hoje não gosto de ficar no meio de uma sala ou recinto fecahdo?
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