Cabo Verde - Ilha de Santiago
Motivos profissionais, levaram-me a viajar até Cabo Verde pela 2 ª vez, em 2 meses.
A experiência tem sido muito interessante e tem sido possível conciliar o trabalho com a visita à ilha de Santiago, até porque a primeira lição a retirar desta experiência é que, por aquelas bandas o ritmo é outro.
A alegria e simpatia também, a população é muito jovem, metade anda na escola, que é obrigatória. Em conversa com uma cabo verdiana, ela contava que quando esteve pela primeira vez a África, na Guiné Bissau, sentiu que o sol, em África, era mesmo diferente!
A Cidade da Praia é a capital, situa-se na ilha de Santiago. É uma cidade relativamente pequena, mas a crescer a um ritmo elevado, com muita construção. O movimento nas ruas é enorme. O mercado da Sucupira é caótico como todos os mercados. A distância entre as tendas é mínima.
A temperatura é amena, entre os 20º e os 25º todo o ano, mas com algum vento.
A cidade velha, a 15 Km da Cidade da Praia é o local onde os primeiros portugueses chegaram, quando descobriram a ilha. Junto à praia está o largo do Pelourinho, recentemente reconstruído por uma fundação espanhola, onde funcionava o mercado de escravos, que permitiu a Cabo Verde ser um centro de comércio importante, durante a escravatura.
A Assomada é uma cidade no centro da Ilha, onde existe um importante mercado local, que nos faz recuar a Portugal dos anos sessenta. Onde é possível, encontrar maçãs de pequena dimensão, oriundas de Portugal, imagina a que preço. A educação é obrigatória e ver as crianças, à hora do almoço a irem para a escola, com farda obrigatória é muito interessante.
O Tarrafal é um local mítico, para nós portugueses, por péssimos motivos. A Prisão está praticamente ao abandono, apesar de se pagar entrada. Merecia que alguma instituição Portuguesa a recuperasse e a incluísse na nossa memória. O que mais me impressionou, na prisão foi a lista dos presos políticos que lá estiveram, muitos deles durante vários anos e alguns sem acusação formada. O local é inóspito, na ponta oposta à Cidade da Praia, com muros altíssimos, como se alguém alguma vez tentasse fugir dali.
No posto médico, uma citação de um dos médicos da prisão dizia: “Não estou aqui para curar, mas para passar certidões de óbito”.
A praia do Tarrafal é lindíssima e das poucas com areia na ilha.
A Costa Norte é muito bonita também e tem já vários projectos turísticos aprovados, daqui a alguns anos estará irreconhecível, a bem do Povo de Cabo Verde.
Com os criminosos que por aí andam, não os ladroeszecos, mas a alta cavalaria, a prisão do Tarrafal ainda podia bem estar a funcionar.
ResponderEliminarA memória é tenebrosa, mas há vida para além dela... Luís, não haverá por aí uma ou duas fotos que possas partilhar connosco e que ilustrem impressivamente a tua crónica?
EliminarAbraço
JoGa