Investimento público "reprodutivo"

Estas férias tive a oportunidade, de mais uma vez, ir conhecer  uma Cidade Europeia, Roma, com a familia, disfrutar de 6 dias de prazer e andar por uma cidade fantástica em termos de Património Histórico, seja referente ao Império Romano, seja referente ao tempo do Renascimento.Nesta época as Capitais Europeias são,literalmente, inundadas por turistas, nunca vi tantos de mapa na mão como em Roma.Eramos muitos em todo o lado.


O  Dr. Saúl Gomes, em texto escrito,há umas semanas, em exclusivo para o Vila Forte, falava da importância do património de Porto de Mós  no desenvolvimento do nosso Concelho, essa também é a minha opinião, não se pode falar em riqueza e potencialidades no turismo e ao mesmo tempo deixar degradar o nosso património ou não o valorizar com programas bem elaborados em termos turisticos.


Tinha pensado em escrever um texto sobre as maravilhas que vimos em Roma, dos muitos Quilómetros que fizemos a pé, mas a noticia de capa do "Expresso", de sábado, alterou o contéudo deste texto.


Segundo o semanário, 30% do património classificado pela UNESCO,em Portugal, está ao abandono e a necessitar urgentemente de obras sob pena de o perdermos.Um país que não preserva o seu património, que não tem memória e que prefere investir dinheiro em obras públicas de duvidosa vantagem para o País(TGV,aeroporto,estádios de futebol,....) é um país sem Rei nem Roque.Nas várias Cidades Europeias que visitei até hoje, todas têm o cuidado de ter o seu património em bom estado e assim o "vender" aos visitantes, é assim em Barcelona,Paris,Viena,Copenhaga,Madrid,Londres,Helsínquia,... e vi em Roma vários monumentos em recuperação e manutenção com as placas de apoio comunitário e/ou  através de empresas privadas.


   Convento de Cristo


Esta foto da famosa Janela Manuelina do Covento de Cristo em Tomar, que também é referenciada no Expresso(foto com a janela ainda mais degradada), entre outros monumentos, mostra bem o desleixo a que os nossos simbolos estão condenados.


O mais triste é que está assim há muito tempo, pois a última vez que fui ao convento foi para aí há 5 anos e a janela já apresentava este aspecto.


 


Apostar no turismo, em meu entender, não é só abater  sobreiros para construir resortes de luxo,ou construir campos de golfe em tudo quanto é sitio, passa muito por respeitar a nossa História e saber colocá-la à disposição de quem tem vontade de a conhecer e de se emocionar com os feitos dos Portugueses, foi o que me aconteceu quando fui ao Forum Ronamo, Capela Sistina, Fontana de Trevi, Basilica de S.Pedro, Termas de Caracala, Palatino, Piazza del Popolo, Piazza de Spagna, Forum de Trajano, Coliseum, a Piazza de Veneza ou o Panteão , só para referenciar alguns locais que mais me impressionaram.


Viajar e sair do nosso cantinho serve, também, para percebermos que em Portugal,temos o mau hábito de não valorizar o que é nosso, a prova está na triste noticia do Expresso e pelo que vamos vendo por aí.


Investir na nossa História é uma obrigação que temos como forma de respeitar quem nos antecedeu.


Não basta dizer que o Turismo é a nossa riqueza, os governantes têm que o demonstrar na prática!


Quer a Nível nacional, quer a nível local, o investimento público está a ser canalizado para "elefantes brancos", cujos beneficios para as populações são mais que duvidosos.


Temos de ser mais exigentes.Não podemos deixar que o nosso património seja abandonado.Temos de ter Memória!


 


Por último e porque vale mesmo a pena um vídeo de Roma antiga:


Comentários

  1. Até doi a alma ver janela do Covento de Cristo em Tomar naquele estado. O país parece estar exclusivamente virado para os números. Triste e revelador...

    ResponderEliminar
  2. Viajo muito por Portugal, várias vezes no ano em fins-de-semana, pequenas férias e sempre que tenho oportunidade. Conheço já muito do nosso país e deixa-me que te diga que temos zonas fantásticas, muito bem aproveitadas e com investimentos de valor; as 12 aldeias históricas, por exemplo.
    O turismo seria um dos grandes pontos de riqueza deste país, se o soubessem aproveitar como merece.

    ResponderEliminar
  3. Em nome do Vila Forte, agradeço ao Paulo César a distinção prestada a um dos textos mais comentados da história deste blog.
    Coloco aqui o link ao texto do Paulo, que faz ligação ao texto original porque, na altura esta temática,património e viagens, foi muito debatida.

    http://geracaorasca.blogs.sapo.pt/66156.html#comentarios

    ResponderEliminar
  4. Pedro é como diz.
    A minha filha estuda por vocação Conservação e Restauro.
    Também por essa razão visitamos muitos lugares. E dói Pedro, dói mesmo o que se vê.
    Nada se preserva, muita vezes o restauro é substituído por um "penso rápido" de cimento, onde quer que seja; azulejo, pintura mural, cantaria...
    O património está abandonado.
    Quando vemos fora de portas pequenas coisas, que são valorizadas e que são lugar de visita obrigatória, e nós aqui com tanto sem registos, sem visitas, abandonado e quantas vezes a cair, ficamos mesmo tristes.
    A nossa riqueza patrimonial que vai de edifícios, à gastronomia, podia ser de facto um motivo de orgulho e uma fonte de rentabilidade única, mas as 4 linhas vencem sempre....

    ResponderEliminar
  5. É claro que o investimento na recuperação do património, neste caso, não dá votos, mas temos que ver que sem esse património também não temos história.
    Também é verdade que de há algum tempo para cá a história também não interessa.
    O caricato da questão é que o Governo, através do Turismo de Portugal, dá dois milhões de euros para a Fundação Batalha de Aljubarrota e não dá qualquer verba para a recuperação desse património, algum dele inscrito como Património da Humanidade.
    Não estou contra a atribuição daquela verba à Fundação, o que estou contra é não haver dinheiro para a recuperação dos monumentos.
    Armindo Vieira

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Gandembel

Foi um prazer estar convosco neste esplanada