Trabalho infantil

O meu filho tem de apresentar na escola um trabalho sobre "trabalho infantil", pelo que abordou o assunto, para saber o que poderia ser dito sobre esta questão.


Tentamos, na medida do possível, fazer um pequeno resumo histórico, devidamente contextualizado, referindo que antigamente era um flagelo em Portugal, pois a maior parte das crianças não frequentavam a escola para ajudarem os pais nas suas actividades. Regra geral, as famílias eram bastante numerosas e a pobreza grassava em muitas casas do país, pelo que o garante da alimentação de tantas bocas passava, maioritariamente pela lavoura muito antes dos 16 anos. Como se não bastasse, a discriminação sexual era, também, muito acentuada, impedindo as meninas de pensarem sequer em pôr um pé na escola da aldeia.


A excepção passava pelas famílias abastadas que tinham tutores particulares para os seus filhos, mas que ainda assim, limitavam cada um dos sexos a áreas bem diferenciadas. As meninas dedicavam-se às artese lavores, enquanto os meninos seguiam as pisadas dos pais e avós na gestão das quintas ou outros negócios.


Hoje em dia, segundo esta notícia, haverá cerca de 50 000 crianças em actividade económica. Numa altura em que o desemprego aumenta, este número poderá vir a subir.


Muitos de nós, eu fui um deles, trabalhámos nas férias, pois não se falava, à época em ATL's e aquele pouco dinheiro que vinha ao fim do mês, sempre dava para comprar aquelas sapatilhas que há muito estavam  "namoradas".


Quanto a mim, continuo a pensar que este trabalho a que me refiro e o qual me fez crescer e perceber a importância das coisas, não deve ser considerado trabalho infantil, pois não era de sol a sol e tinha o mínimo de regras, mas o facto é que hoje em dia é, cada vez mais difícil para os pais, garantir uma ocupação aos seus filhos, que não qualquer outra actividade para além de jogar playstation.


No entanto, que comentários nos merecem os casos de crianças que são "forçadas", muitas vezes, pela família a participarem em castings para "actores" numa qualquer telenovela.


O governo quer aumentar a escolaridade minima para 12 anos, o que é em meu entender muito bom, mas será que foram devidamente ponderadas e asseguradas as condições que garantam aos pais ter os seus filhos a estudar até aos 18 anos?


A todos quantos considerarem um tema pertinentte, convido para uma reflexão e auscultar outras opiniões.


Obrigado

Comentários

  1. De forma muito abreviada, diria que nada tenho contra esses trabalhos ditos de "verão" mas já não posso tolerar o dito trabalho infantil, forma sórdida de muitos se locupletarem com grossas maquias.
    Obviamente que a questão da criação das condições socais e económicas devia ser equacionada. mas quando vemos que mesmo no desemprego são todos tratados da mesma maneira ... quero com isto dizer que devia ser mais apoiado, por exemplo, um casal com dois ou mais filhos onde, de repente, ficam os dois desempregrados que um desempregado solteiro.

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  2. Bom post Pedro, e a comparação final que lanças, era o que iria invocar se não a menciona-ses, o trabalho infantil, mas VIP e muito chique de miúdos actores, e outros parecidos, nos estratos sociais mais pobres temos os craques da bola que por vezes começam a ganhar uns trocos "para casa" com uns chutos na bola , e outros assim.

    Completamente de acordo com o trabalho de férias, fundamental, a partir de determinada idade, é a minha opinião.

    Completamente de acordo a escolaridade obrigatória até o 12º ano, e aqui penso que deve ser dada muita mais enfase ainda aos cursos profissionais, pois este pais esta cheio de Doutores e engenheiros, Não acha eng,º Pedro Oliveira? ;-)

    Como custuma dizer o amigo PortoMaravilha, tem de se voltar a apostar no "saber fazer". É triste um miúdo de 15/16 anos hoje não saber o que e um "busca-polos" quando setem de remendar uma tomada electrica lá em casa.

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    1. É pá, corrige ai os erros, sff!
      tenho de voltar a escola...

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  3. Como deve estar recordado, Pedro, por voilta do Natal escrevi vários posts sobre este assunto. Já publiquei várias coisas e vi até um texto meu sobre o trabalho infantil, constar da prova de exame de uma disciplina do 11º ano.
    É um tema delicado, a que até as centrais sindicais procuram fugir. Tenho pena que assim seja .

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  4. O trabalho infantil é um verdadeiro flagelo. Então quando falamos em países asiáticos e afins é revoltante. Mas nós contribuímos para isso (empresários e consumidores). Quem se preocupa com as condições em que determinados produtos foram fabricados e, se no processo estiveram ou não envolvidas crianças? Muitos poucos.

    Relativamente ao trabalho nas férias, desde que não se cometam excessos, não tenho nada contra. Também "trabalhei" nas férias. Foi assim que cedo aprendi a dar valor ao dinheiro e o que conseguia comprar com ele acabava por dar uma satisfação muito especial. O que conseguimos com esforço tem outro sabor.

    Hoje verifico que a maior parte dos miúdos não sabe valorizar o dinheiro, não sabe o que ele custa a ganhar, e acabam por valorizar pouco o muito que tem.
    Infelizmente um dia vão ter que aprender. E vai ser da maneira mais dura.

    Bjs

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  5. Tenho um fornecedor que já teve problemas com a inspecção do trabalho por ter o filho de 16 anos no escritório a fazer umas facturas durante as férias da escola.
    A actuação destes fiscais, ASAE e outros que tais faz lembrar os 'progrom' mas contra os empresários.

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  6. Este é um tema, interessante, mais um, que foge à politica caseira e que prova que os da terra gostam é de sangue,dos comentários que aqui estão só o Senhor Cosmos é que é de Porto de Mós, juntamente com o do Paulo Sousa, assim se vê quem está por bem nesta história das intrigas politicas caseiras.Adiante.
    Também sou a favor do trabalho de Férias e deparo-me sempre com esse problema com um dos meus filhos que agora tem 15 anos, o que me tem valido é a possibilidade de ele se enterter com um tio que tem um pequeno negócio e como ele tem um corpo já de homem nunca o tio foi chateado por ninguém.
    O mais vergonhoso é o que se passa com grandes multinacionais que contratam serviços na Ásia, em que são os menores que fazem os trabalhos e esses senhores dizem que desconhecem essa realidade e nada fazem.Também é por isso que na Europa não há trabalho.O que faz a Organização Mundial do Comércio ou a ONU, nada.Onde estão os direitos universalmente aprovados em relação às crianças?

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  7. Há aqui vários aspectos a considerar:
    O trabalho infantil
    O trabalho de férias
    O ensino obrigatório até ao 12º ano
    Relativamente ao 1º, é óbvio que me repugna o seu conceito, tendo em conta a definição que lhe é agregada de exploração, sobrecarga de horários e tráfico de mão de obra barata, mas o que é certo é que para muitas famílias, no passado, tal como agora, o trabalho infantil foi indispensável para a união e sobrevivência do núcleo, daí que não concorde com a radicalização das opiniões relativamente a isto; cada caso é um caso, não sendo raro que aquelas crianças que trabalharam, no seio de uma família rica em princípios, depois de adultos, tenham até orgulho dos seus antecedentes.
    Os trabalhos de férias, por outro lado, sempre me pareceram muito benéficos para a responsabilização dos jovens, a partir dos 16 anos, onde poderão amadurecer e alterar as suas perspectivas de futuro.
    Onde eu discordo totalmente da sua perspectiva é no que se refere ao ensino obrigatório até ao 12º ano. Considero mesmo uma tragédia maior para os nossos jovens estudantes, se o plano for para a frente e explico porquê: A completa fantochada que se vive no ensino português até ao 9º ano - por culpa do sistema, de alguns professores, de muitos dos alunos e de grande parte dos pais - se for prolongada pelos únicos anos em que os alunos aprendem alguma coisa de jeito e são avaliados de acordo com as suas competências e não por decretos que impõem a não reprovação, irá destruir definitivamente a possibilidade de termos quadros competentes no mercado de trabalho. A ânsia de cumprir estatísiticas que nada têm a ver com a nossa realidade, poderá ser, a breve prazo, um preço demasiado alto para o futuro deste país.

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  8. Comecei a trabalhar com 11 anos, felizmente se havia quem me "puxasse" para o trabalho também havia quem insistisse para continuar a estudar....e melhor ou pior consegui conciliar as duas coisas. Se isso fez de mim uma melhor e mais responsável pessoa?... não sei, de certeza que fez de mim um pior estudante.

    Tenho dois filhos e uma coisa é certa, não quero iso para eles, com 11 anos somos crianças e devemos ter direito a uma vida de crianças, com 14 e 15 somos adolescentes, e devemos ter direito a uma vida de adolescentes.... e eu quero que os meus filhos tenham.

    A culpa de que as crianças e adolescentes sejam como são não é da falta de trabalharem, há muitas formas de ensinar às crianças o valor do dinheiro e nós devemos saber fazer isso sem os obrigar a deixar de ser crianças.

    O trabalho infantil é sem dúvida um flagelo, felizmente em Portugal é cada vez menos.

    Quanto ao caso das crianças actores, há muitos pais que tentam fazer cumprir os seus sonhos de infância por interposta pessoa. É uma actividade regulada e sujeita a norma, cabe ao estado fazer cumprir essas normas.

    Jorge Soares

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  9. Não posso ajudar grande coisa no trabalho do teu filho. O texto é eloquente. Tem que se saber distinguir onde começa a exploração...aí é que se calhar ainda não se entendeu. Beijos.

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  10. Pedro é pertinente o post, e aborda várias questões.
    Ainda há muitas crianças em Portugal, naquelas aldeias onde se vive anos luz atrás de 2009, que trabalham. Trabalham muito! Porque a escola fica longe, e o dinheiro não dá para esses luxos!
    Trabalhar nas férias? E qual o problema? Não fará isso parte da educação que os nossos filhos devem ter pelo próximo, pelo ambiente de trabalho, pela hierarquia!!???
    Escola até tão tarde? Pois sim. mas quem custeia os gastos com tanta escola??? Voltamos ao ponto 1...
    Abraço

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  11. Tudo o que leve uma criança a ser forçada ao trabalho em idade escolar, impedidndo-a assim de frequentar a escola ou de disfrutar dela em plenitude , deve ser punido.

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  12. Boa tarde,

    A exploração do trabalho infantil ainda é uma realidade em muitos países por este mundo fora, em alguns casos é um flagelo que não é fácil combater pois trata-se de questões culturais e principalmente questões de sobrevivência ... mas que devem ser eliminadas e punidas exemplarmente que abusa da situação cultural e social de alguns povos ...

    Relativamente ao trabalho sazonal efectuado por jovens (maiores de 16 anos) durante o periodo de ferias escolares é de salutar, no entanto não devemos encarar este tipo de trabalho como uma forma dos pais ocuparem os seus filhos ou para estes darem mais valor ao dinheiro, pois há a outra face da moeda ... pais a lucrarem com o trabalho sazonal dos filhos e entramos outra vez na vertente sazonal ...

    Escolaridade Obrigatória até ao 12.º Ano - sim seria uma boa medida, desde que esta medida não sirva apenas para cumprir metas vindas da União Europeia...pois por vezes obrigar alunos a estudar até aos 19/20 anos sendo eles precionados pelos encarregados de educação a deixar de estudar para ajudar no sustento da familia ... questões sociais novamente ...

    Cursos técnico-profissionais são uma mais valia na formação de profissionais em áreas em que temos carências, permite a alunos terminarem o 12.º com um bocado mais de facilidade ... conferem ao aluno uma componente práctica que muitos cursos superiores não conferem tornando-os mais aptos para o mercado de trabalho ... agora não podemos generalizar esta oferta, senão caimos no erro de ficarmos com excesso de oferta (veja-se os cursos relacionados com a educação, gestão de empresa, engenharias, arquitetos... etc..)

    Se calhar também estaria na hora de olhar para o ensino superior, fechar alguns muitos cursos, tentar que os politécnicos de uma vez por todas sigam um caminho mais técnico e menos teórico (acho que foram criados para isso!!!!!!!!)

    Cumprimentos,

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  13. Já lá vai o tempo em que a minha mãe começou a trabalhar com cerca de 7 anos. As lavras do arroz estavam mesmo ali e a escola ficava a mais de duas horas a pé. Considero interessante considerar-se ilegal o trabalho de jovens/crianças nas férias, por exemplo... Considero que a única razão não pode ser "apenas" o impedimento de frequentar a escola... há uma conjugação de factores que passam pela estruturação das crianças... Considero curioso que tantas vozes que se opõem ao trabalho infantil se deliciem com os meninos e meninas inscritos em agências de moda e a fazerem desfiles; outros optam pelo cinema, pelas telenovelas, pelo futebol... Parece que neste país isto não é trabalho, logo as crianças podem fazer... mesmo que prejudique a escola!! Há coisas que eu não entendo, juro!

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  14. Há uma diferença fundamental entre trabalho infantil e exploração do trabalho infantil. Só a última é reprovável. a primeira , permite grande confusão e equívocos que pode levar alguns pais a retirar as crianças de qualquer forma de trabalho até o escolar inclusive ! Acontece e não são tão poucos quanto isso. Em relação ao 12º ano , só não sei como se conseguiu retardar tanto a orientação europeia sobre esta matéria. Portugal já assinou há pelo menos uma década que o 12º ano pertenceria à escolaridade obrigatória. Que preparação fizemos para tamanha mudança?

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  15. Ás voltas na net encontrei este texto de um amigo sobre o tema deste post. Sugiro a sua leitura. Não transparece qualquer queixume ou pena de si próprio. É apenas o relato de umas memórias dos doze anos.
    Um abraço Manuel

    http://m-antunes.blogspot.com/2009/01/o-meu-primeiro-dia-de-trabalho.html

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