O que nós temos, os outros não, e vice-versa #5 – Casamento

O Casamento é um vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante reconhecimento governamental, religioso ou social e que pressupõe uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica são as relações sexuais.


 


Na maior parte das sociedades, só é reconhecido o casamento entre um homem e uma mulher.


 


Segundo a Wikipedia, em alguns países é também institucionalmente reconhecido o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. (Em Novembro de 2008, a Holanda, a África do Sul, o Canadá, a Noruega, a Bélgica e a Espanha) acrescento eu praticamente todos os países do mundo.


 


Estou de acordo, que pessoas que vivam maritalmente, do mesmo sexo ou não, mesmo que não sejam casadas, tenham todos os benefícios que um Estado laico, atribui aos casais.


 


Mais do que isso a mim faz-me uma grande confusão, ou melhor, sou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, penso mesmo que o casamento é um acto de pessoas conservadoras, nada moderno e não percebo como é que as forças políticas de vanguarda o defendem.


 


 


Mas que este é mais um tema, que vai resolver a gravíssima crise que vivemos, não tenho a menor dúvida nem eu nem o nosso Primeiro Ministro.

Comentários

  1. "Chamem-lhe fusão, aquisição ou holding mas, nunca casamento", foi assim que se referiram os Bispos, ontem, reunidos sobre este tema.
    Como diz um amigo meu caro lá saber, que sejam felizes e que se deixem viver as pessoas felizes e em paz.Também não concordo que se chame casamento e o argumento é mais ou menos o mesmo do Luís, mas acho que têm o direiro a uma União e de terem perante o Estado os mesmo direitos dos demais casais(ponto final).O tempo de antena que se dá a esta questão demonstra também o nosso atraso.Que saia a lei, que seja aprovada e implementada.Agora não me obriguem é todos o dias ver "gajos e gajas" aos beijos na televisão só porque são descriminados.A minha preocupação e das restantes pessoas não passa,só, por esse tipo de discriminação.Apesar de ficar chocado quando vejo que raparigas e rapazes são excluidos das nossas escolas por causa da sua orientação sexual.O livro da Sónia Pessoa que vai ser apresentado em Leiria(irei colocar post em tempo oportuno) e que já foi destaque no Vila Forte deve ser lido e fazer parte do programa ler+, em minha opinião.

    Só para terminar e porque era uma questão que ia colocar aos nossos visitantes, acho que a Igreja Católica não se deve imiscuir nos actos eleitorais que se avizinham e muito menos dizer em quem votar, neste caso em quem não votar por causa desta questão, estou à vontade porque JAMAIS votarei PS, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

    Aproveito para fazer a pergunta:Acham legitimo que a Igreja apele ao voto neste ou naquele partido?

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    1. Cuidado que o Jamé costuma dar azar....

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    2. Pedro

      Em politica e nos dias de hoje, o que é algo legitimo?

      A igreja católica é uma instituição que vive aferrada a dogmas e ao ao passado, não evolui, não anda nem desanda..... É evidente que a igreja não deveria apelar ao voto, assim como não deveria dizer com quem as mulheres portuguesas devem casar ou não, assim como não deveria dizer às pessoas para não utilizarem contraceptivos, assim como tantas outras coisas... mas se formos ver bem... quem nestes dias liga ao que a igreja diz?

      Abraço
      Jorge

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    3. A Igreja tem legitimidade para dizer aos seus fieis para votarem no partido que melhor defende os princípios éticos em que se fundamenta. Mais! tem todo o direito de não mudar de doutrina só porque nós mudámos de opinião. O que não pode é transpor a sua doutrina para a organização do estado. A separação entre a César o que é de César e a Deus o que é de Deus é das maiores conquistas do Ocidente que não deve ser posta em causa. Relembro um amigo meu que esteve arredado da Igreja durante mais de 30 anos. Ao fim deste tempo regressou e ficou tranquilo, conseguiu perceber tudo . Tudo estava inalterável . Sentiu-se finalmente em paz e em casa. quem não é crente , jamais conseguirá entender este sentimento. Por isso ele é católico e eu sou ainda não sei o que sou. O Estado tem de governar para os dois. Hélas!

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  2. Bom dia,

    Que me desculpem os casais homossexuais ...

    Chamem-me atrasado ...

    O que quiserem ...

    Sou completamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, concordo plenamente com a opinião da Igreja nesta matéria ...chame-lhe união de facto ... união por conveniência ... qualquer coisa agora casamento ...

    Também concordo que quem queira viver a sua homossexualidade tenha os mesmos direitos que um casal composto por um homem e uma mulher ... com uma excepção a adopção ...

    Nos dias de hoje vários são os relatos de descriminação entre crianças pelo simples facto de terem ou não calças de marca ... pergunto tratada uma criança pelos colegas se dissesse: "tenho dois pais homens ou duas mães..."?

    Existe uma coisa que julgo que poucos escreveram ... os casais homossexuais só têm direitos? Só querem ganhar direitos? e deveres não têm nenhum..?

    As constantes aparições em filmes ou programas de televisão ou na sociedade civil, como que uma forma de afirmação do movimento gay ... sendo que essas formas de aparição não são de todo semelhantes às dos casais heterossexuais ... na forma como se manifestam ...

    Por tudo isto e muito mais ... sou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo ... e também me parece que se está a dar demasiada importância a uma questão que é muito pouco importante para a resolução dos problemas reais dos portugueses ...

    O nosso primeiro ministro parece que vai fazer bandeira desta questão na sua campanha eleitoral ... eleitoralismo puro ... demagogia politica muito usual em muitos políticos da nossa praça ... vale tudo para ser eleito e manter o tacho ... pensar e resolver os problemas reais do nosso país .......... não está no programa eleitoral ...

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    1. Não queira dizer que se Socrates ganhar as eleições é com os votos dos gays.
      Se pensa assim, Portugal é um país de gays.

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  3. Ora cá está como em poucas palavras se pode dizer muito.
    Subscrevo.

    EM jeito de rodapé, ao amigo e nosso leitor assíudo Pedro Oliveira as melhoras.

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  4. A politica feita com interesses eleitoralistas obriga a muitos jogos de xadrez jogados em muitos tabuleiros ao mesmo tempo. Esta jogada foi feita no tabuleiro em que o adversário é o Bloco de Esquerda, mas acaba por ser um tiro no pé no tabuleiro de disputa com os eleitores mais conservadores. A Igreja já fala em apelar ao voto contra o PS.
    Também podemos ver a questão como a abordou há dias Carlos Abreu Amorim, no Correio da Manhã. Isto não passam de cascas de banana para desviar a atenção do que é importante.
    Aqui:
    http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=38711344-D36E-46E8-A715-A4B4FB36E568&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093

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  5. Fiquei na duvida, é contra qualquer tipo de casamento ou só e contra os casamento entre homossexuais?

    Se é contra qualquer tipo de casamento, eu percebo... eu também sou, não me parece que seja um papel assinado que faz a diferença nem me torna dono ou subdito de ninguém.

    Se só é contra o casamento entre homosexuais, desculpe lá, isso é descriminação, não percebo o que é que a orientação sexual de alguém tem a ver com o seu direito de se juntar e casar com quem lhe apetecer. Tenho uma filosofia de vida em que acho que os meus direitos terminam exactamente onde começam os direitos dos outros, e se eu não perguntei a ninguém se me podia casar ou não, não percebo porque é que alguém só por ter uma orientação sexual diferente da minha o deve fazer.

    Numa coisa tem razão, com tantas coisas com que nos preocuparmos, não percebo porque é que havemos de estar a discutir estas coisas, cada um casa-se ou não com quem quiser.. e já está.. .Aliás, alguém me explica porque é que é preciso uma lei para isto? A nossa constituição não garante que não existe descriminação em Portugal?

    Jorge Soares

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  6. UPS... que bom que é o poder expressar-me, dizer o que me vai na alma, ser livre afinal, mantendo-me dentro dos limites do respeito pelo próximo... ups, que menos bom que é saber que vivemos num país de iluminados que cospem aqui e ali sem pensar muito bem porque o fazem, a troco de quê, e violando o espaço que é dos outros por direito... ups, que bom que podemos chamar tacho, panela, caçarola, a um mesmo objecto, e a isto se chama diversidade cultural, património, entre outras designações, mas todos o usamos com o mesmo fim... ups, que bom que a vida pula, avança, evoluímos e não nos deitamos à sombra de conceitos ultrapassados pelo evoluir de uma civilização, a mesma que há uns séculos atrás queimava vivos em fogueiras aqueles que se atrevessem a discordar desta ou daquela opinião... ups, que bom que em tempos de crise se possa falar de outros assuntos para além desta, porque a vida, embora difícil, continua, os campeonatos de futebol continuam, as transferências milionárias continuam, e milheres de crianças do terceiro mundo continua a passar fome também... ups, que bom que é vermos três telenovelas seguidas em horário nobre, em que 70% do tempo é coberto de linguados, troca de fluídos e afins, entre casais heterossexuais, e ninguém se enoja por isso, nem vira a cara para o lado... ups, que bom que aquela mulher solteira não olhou às diferenças daquela criança, à deficiência que carrega, à côr, crença ou credo, e se dispôs a adoptá-la tão só porque queria uma criança para amar... ups, afinal essa mesma mulher vive maritalmente com outra mulher... ups, que sorte a desta criança que tem dois seres humanos a amá-la e a olhar por si e um projecto de vida para o futuro... ups, que quando me zangam a sério, quero dizer tanta coisa, que mais parece uma sopa de letras num qualquer tacho, numa qualquer panela, numa qualquer caçarola, numa qualquer casa portuguesa concerteza.
    Sónia Pessoa

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    1. Coloco-me de pé e clap,clap,calp!

      Comentário fantástico, que vai fazer engolir em seco muito boa gente.
      Muitos parabéns, que a sua apresentação aqui em Leiria, qual a data?, seja um sucesso.Somos uma País de preconceituosos bacocos, até Espanha já tirou as amarras seculares que carregava, por cá gostamos mais de continuar a idolatrar Salazar, agora com modelos e tudo.Santa paciência, País mesquinho e triste.Fado, Futebol e Fátima são os nossos pontos cardeais eternos.

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    2. Luis, este comentário é como o meu livro... espero sinceramente que dentro de pouco tempo deixe de fazer sentido! A apresentação será dia 22 deste mês, pelas 15h30, na Bertrand. Espero que por lá nos encontremos...
      abraço
      Sónia

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    3. Sónia,
      Felizmente todos somos livres de manifestar a nossa opinião. Nisso estamos todos no mesmo barco.
      Acredite que não me perturba minimamente as uniões de facto entre quem assim o entender. Como é dito no texto, também não entendo o porquê de tanta insistência em chamar casamento a uma união de facto entre pessoas do mesmo sexo. É apenas uma questão semântica? Nesse caso podiam criar-lhe um outro nome que o distinguisse dos casamentos tradicionais. Porque não? Não entendo a obsessão na palavra 'casamento'.
      Outro aspecto que é frequente entre os defensores dos casamentos gay (espero que o nome não incomode os seus defensores) é a intolerância para com quem não seja seu partidário. Não pode deixar de ser caricato que quem defende a diferença não aceite que exista quem não sendo contra não os apoia incondicionalmente.

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    4. Na resposta anterior coloquei o nome Luís, pois apareceu-me no mail como enviado pelo Luís Malhó... ou seria AM... pelo desculpa se o enderecei erradamente.

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    5. Paulo, estou de acordo consigo... casamento é só uma palavra, como tacho, panela... o nome que se lhe dá fica muito aquém do que é realmente importante nesta discussão. Em relação à intolerância, quero acreditar que isso resulta do cansaço de lutar há muito por um direito, para mim, indiscutível. Abraço

      Espero vê-lo no dia 22...

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  7. Eu não consigo perceber por que razão se insite nesta " bandeira" . perante a Igreja nunca serão consideradas " casal" perante a lei já podem herdar bens e adquir bens em nome dos dois ou das duas. Portanto esta bandeira está furada. O que me parece é outra coisa; querem adoptar crianças. Mas aqui o Estado tem de lutar pelos direitos da criança ou seja têm direito ao pai e á mãe ( de sexos diferentes) claro.Mas mesmo assim se forem ferteis podem gerar crianças através da inseminação artificial , fugindo à oposição da lei. Portanto qual é a bandeira? É casarem de véu e grinalda na Igreja?Isso não é um casamneto gay é show! É circo! Conheço muitos homosexuais que são contra . Assumidamente!




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    1. "Querem adoptar crianças. Mas aqui o Estado tem de lutar pelos direitos da criança ou seja têm direito ao pai e á mãe ( de sexos diferentes) claro."

      Ana, explique-me lá que eu não percebi, então o estado vai retirar as crianças a todas as mães solteiras? e a todos os pais separados? ou essas não tem direito a uma família com pai e mãe?... tenho o prazer de conhecer várias crianças adoptadas por adoptantes singulares e são crianças felizes e completamente normais, apesar de não terem um pai e uma mãe de sexos diferentes. Também é contra a adopção singular?, ou só contra a adopção por homossexuais?

      Acha que as crianças estão melhor nos centros de acolhimento que no carinho e no calor humano das pessoas?

      Acha que a orientação sexual dos pais vai influenciar as crianças?.. é esse o problema?.. por acaso já pensou que todos os homossexuais são filhos de heterossexuais? isto diz-lhe algo?

      Jorge Soares

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    2. O Estado não retira nem dá pais e mães a ninguém, nem a lei é feita para resolver casos particulares deste ou daquele agregado familiar. Além disso pais e mães morrem deixando órfãs muitas crianças. O ponto não é esse. O ponto é que qualquer criança no mundo nasce pela junção de duas partes e não de uma só. O que é normal é existirem duas pessoas de sexos diferentes nas suas vidas: o resto são situações que alteram esta normalidade e esta rotina tão necessária na vida de muitas crianças. e vejo , infelizmente muitas crianças que estão bem tratadas fisicamente mas que têm alterações profundas nos afectos. Não creio que seja necessário alterar o quadro legal para "o " casamento" gay. O que fazem dentro de portas , não diz respeito ao colectivo, não me diz respeito nem a ninguém. Mas deixem as crianças fora dessa intimidade , que no meu entender , têm o direito a pai e a mãe e o dever de respeitar 0s seus ascendentes.

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    3. Ana, está enganada. O estado através dos tribunais e da segurança social retira todos os dias crianças aos pais, depois pega nelas e coloca-as em centros de acolhimento, e esquece que elas existem. Existem 11000 crianças ao cuidado do estado, que o estado retirou às famílias e esqueceu.

      Mas o estado também dá, a mim por exemplo, de novo através da segurança social, deu-me um filho, uma das poucas crianças que o estado não esqueceu, deu um irmão à minha filha, e espero eu, que dentro de algum tempo me dê outro... que para iso sou candidato à adopção

      Mas não respondeu às minhas perguntas, ok, vou-lhe colocar outra, peço-lhe que vá ler este post : http://nosadoptamos.blogs.sapo.pt/12234.html,

      e que depois me diga, que não está de acordo que esta criança tenha sido entregue a esta mãe.... porque esta criança não vai ter um pai, só uma mãe.

      Quanto ao resto, eu também não acho que seja necessário alterar o quadro actual, as pessoas devem casar-se com quem entenderem, e se neste momento o estado não permite isso, é porque não cumpre os preceitos da nossa lei, que impede a descriminação.

      Jorge

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    4. Tentando responder às suas questões bem interessantes. Tenho a certeza que tudo o que rodeia a criança a influencia . Tudo. O casal, a família a casa , os genes o clima tudo a influencia para o bem para o mal e para o menos bem e o menos mal. As 11 mil crianças de que fala são aquelas que não viram os seus direitos respeitados . Muitas vezes é preferível sair de uma família violenta e desestruturada e viver num centro de acolhimento. Ali há sempre a hipótese de haver alguém como o Jorge que as acolhe e as estime. O problema aí é também é de prudência dos serviços que permitem a adopção. Não tem retorno . É definitivo. Sem exageros ( que os há ) é preciso acautelar o futuro destas crianças.

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  8. Que sel legisle tudo bem. Casamento , União enfim qualquer coisa.
    O casamento é sobre o ponto de vista da sociedade um contrato e nada mais.
    Depois cada religião aceita-o como entende mas a legislação não deve ser misturada com opções religiosoas, votações partidárias, etç
    Portanto e concluindo um casamento é um contrato entre duas pessoas e como qualquer contrato deve ter legislação.
    Esta é a visão pragmática das coisas.
    Agora que se faça disso um campo de batalha, uma bandeira que o Primeiro Ministro nos oferece a toda a hora nos meios de comunicação social com cheiro a campanha eleitoral.
    Hà problemas muito graves para encontrarmos soluções e isso é verdadeiramente importante.
    Por outro lado parece-me disparatado os bispos dizerem o que disseram.
    às vezes a Igreja Católica toma posições que enfim... é como o facto das pessoas não casadas católicamente não poderem comungar. Francamente temos de levar a certidão de casamento para a igreja
    Haja pachorra

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  9. è curioso que entendo a religião como algo diferente. A religião , qualquer que ela seja, pressupõe um credo , uma doutrina e uma prática. e esta tríade não pode ser adoptada a cada "utilizador" da mesma. Quem opta , escolhe ou segue determinada religião deve aceitar os seus princípios não tem que os mudar à sua imagem e semelhança. Isso não é religião, é política. E não é descabido de todo , relembrar o padre Feytor Pinto dizer com imensa convicção" se não fosse padre , seria definitivamente político". Et , voilàs!Ambas tentam transformar o mundo com argumentos e razões ( espera-se !)totalmente diferentes!
    uam discussão bem interessante. Obrigada aos dois , João e Antonieta.

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  10. Em primeiro lugar, gostava de agradecer todos os comentários.
    Só prova que este é um tema que de facto desvia as atenções da crise. Primeiro objectivo cumprido!
    Depois pretende retirar uns votos ao Bloco. Objectivo provavelmente cumprido em Outubro.

    Quanto aos comentários.
    - Relembrar, que este pais bacoco, está acompanhado, neste caso, por mais uns 190 países, já que actualmente apenas 6 autorizam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
    - A Igreja pretende aconselhar os católicos a não votar nos partidos que o defendem? É legitimo? Claro que é. Não percebo, é porque incomoda tanto, sendo uma instituição “aferrada a dogmas e ao passado, não evolui, não anda nem desanda”.
    - É descriminação? Como dizia alguém claro que sim! Mas caramba quem é que não é descriminado? Todos os dias em dezenas de situações?
    - Último Comentário. Não me faz sentido incluir nas causas fracturantes e progressistas o Casamento!

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    1. Vamos lá ver, como dizia a Sónia, houve uma altura em que a igreja aconselhava a queimar pessoas na fogueira... ainda bem que se deixaram de tal coisa...caso contrario eu estava em perigo, também era legitimo?

      Houve uma altura em que todos os países do mundo aprovavam a pena de morte, e isso não nos impediu de sermos os primeiros a revogar tal atrocidade, agora já não vamos ser os primeiros... mas ser sétimos também não é tão mau...afinal sempre fomos um pais de percursores.

      Quanto à descriminação..... nem sei o que lhe diga, aceitar a descriminação como algo normal? como algo que acontece e pronto?.... isso é o que dizem os judeus quando descriminam os palestinianos, o que dizem os racistas quando descriminam outros seres humanos, o que dizem as homem quando descriminam as mulheres, podia dar muitos mais exemplos, mas acho que já chega, com qual destas descriminações é que está de acordo?... só para saber.

      Jorge Soares


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  11. Não percebo o argumento da não utilização da palavra casamento. Porque só pode ser utilizado numa relação heterossexual?

    Um casamento é um contrato entre duas pessoas que querem partilhar um vida em comum com todos os direitos e obrigações que vêm associados a esse acto social. E é importante, sim, que haja uma forma de garantir os direitos de portugueses que são tratados de forma desigual. Portugueses esses que, se tiverem o parceiro/a no hospital e numa situação grave de saúde, ou às portas da morte, não poderão visitar porque isso só é permitido ao cônjuge ou à família, por exemplo.

    Por mais eleitoralista que seja a proposta (que estava já na proposta de governo em 2005), por mais mentiroso que seja o PM, há pessoas a quem estão a ser negados direitos, em situações tão simples como comprar uma casa. E a discussão deste tema, agora, não exclui nem disfarça problema nenhum. Esse argumento parte do pressuposto que as pessoas são todas ignorantes, que não veêm o que se passa à sua volta e que basta Sócrates vir a praça pública dizer algum coisa, que deixa de haver massa crítica para perceber o país e o mundo.
    Um argumento que se pode juntar ao que o PM utilizou (de forma absolutamente cínica e insultuosa à inteligência de qualquer português) quando chumbou a proposta do Bloco, sobre não ser o momento para discutir o tema.

    Aliás, se o tema fosse assim tão descabido, tão socialmente desenquadrado, por que razão se discute com tanto fulgor? Porque se postou neste blog? Se há assim coisas tão mais importantes porque é que até a Douta Igreja Católica se veio pronunciar?

    Não há «tempos» para dar às pessoas aquilo a que elas nunca deveriam ter sido privadas - DIREITOS.


    Um cumprimento especial ao Jorge Soares pela lucidez com que, na minha opinião, vê este tema.

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  12. O horror do vazio
    00h30m
    Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

    Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do "casal" de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um "casamento" porque não são o "acasalamento" tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

    Mário Crespo in JN

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  13. Não resisto a publicar uma crónica de LOutubro do João Pereria Coutinho, no Expresso, sobre o tema:

    Casamento "gay".
    "Abomino histerias. E o casamento "gay" é histeria. Segundo dizem, recusar o casamento a pessoas do mesmo sexo é uma "discriminação". As pessoas dizem a palavra - "discriminação" - e esperam que eu me comova. Não me comovo. Claro que é uma discriminação. E daí? Todos os dias, a todas as horas, sobre as mais variadas personagens, a sociedade exerce as suas "discriminações". Se, por mera hipótese, eu pretendesse casar com duas mulheres, estaria impedido pela força da lei. Não será isto uma "discriminação"? Por que motivo o Estado impede que três adultos que se amam possam construir uma família em conjunto?

    Arrisco hipótese: porque a sociedade estabeleceu os seus códigos de conduta, os seus símbolos, as suas "instituições". São estes códigos, estes símbolos, estas "instituições" que sustentam a vida em sociedade e não vale a pena questioná-los por cálculo racionalista. Acabamos por chegar a conclusões francamente lunáticas. Se o casamento passasse a ser um mero contrato baseado no afecto (a visão sentimental da tribo), não haveria nenhuma razão substancial para impedir todas as formas possíveis de casamento: entre pais e filhos; entre irmãos; entre duas mulheres e um homem; entre uma mulher e vários homens; etc.

    É justo que duas pessoas do mesmo sexo que partilham uma vida em comum possam assegurar certos direitos sucessórios ou fiscais. Não é justo desmontar o casamento tradicional para acomodar o capricho de uns quantos. Pior: o gesto apenas abriria uma nova forma de "discriminação" sobre todos os outros - pais e filhos; irmãos; duas mulheres e um homem; uma mulher e vários homens - que são deixados injustamente à porta do matrimónio. Tenham juízo e, já agora, portem-se como homenzinhos."

    João Pereira Coutinho

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  14. Já que estamos numa de sugerir leituras:

    http:/ jugular.blogs.sapo.pt /732749.html#cutid1

    Reacções aos comentários de:

    Mário Crespo: Nunca imaginei que um Senhor do jornalismo fosse tão intransigente e, tendo em conta o que escreveu, socialmente retrógrado. Para alguém que não admite que se ponha em causa a liberdade de expressão, a sua opinião é completamente discriminatória em relação à liberdade individual.

    João Pereira Coutinho: Enfim, mais do mesmo. Não sei como se consegue ler o que escreve. A sua eterna e douta visão do mundo, lá do alto do seu altar, continua a demonstrar a superioridade moral com que eternamente fala sobre tudo e todos. Nem o ego dele o deve aguentar.

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  15. Já aqui disse e repito.
    O que fica mesmo mal nos ditos defensores da tolerância, é a intolerância que mostram perante quem não os apoia.

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  16. E porque não legalizam o casamento incestuoso, ou poligâmico?
    Se os apoiantes dos casamentos gay acharem exagerado, podem sempre imaginar que o casamento incestuoso pode ser também entre pessoas do mesmo sexo, e que num casamento poligâmico existirão sempre, pelo menos, duas pessoas do mesmo sexo.
    Porque não?

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  17. As suas questões são pertinentes. Mas o Paulo também sabe que são demagógicas...

    1 - O que se está a debater é o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. E quem faz lobby por esta alteração são todas as pessoas que entendem haver um discriminação clara (que a Constituição já não permite) mas que existe em relação à liberdade dessas pessoas se casarem. Ao longo do tempo os movimentos homossexuais têm reivindicado este direito, bem como o de não serem discriminados só porque gostam de pessoas com o mesmo sexo. Este movimento, que não engloba só homossexuais , defende o direito aos direitos. E esta é uma luta de dezenas de anos. É por causa da sua dimensão social, pelo impacto que tem na sociedade, que se deve debater e alterar, mesmo enquanto minoria.

    2 - Não se está a debater a poligamia, pelo menos agora. Está-se a debater o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Duas. E não quer dizer que não se possa debater o casamento poligâmico. Mas quem é que o defende? Há movimentos na sociedade a defender essa alteração?

    3 - Casamento incestuoso . Tema muito delicado porque envolve família , relações de consanguinidade, etc. Não nego que existam relações de amor entre familiares directos mas, mais uma vez, onde estão as pessoas a pedir uma alteração neste sentido? Quem é que defende isto? Que relevância tem socialmente?

    4 - Só se está a discutir cada vez mais o casamento entre pessoas do mesmo sexo porque a sociedade está mais aberta, porque há cada vez menos pessoas com vergonha de dizerem quem são e como são. E dessa consciência vem a necessidade de reivindicar os direitos que são negados, dessa voz que se ouve cada vez mais vem a pertinência social. Quando houver uma movimento social que defenda o casamento poligâmico ou o incestuoso que se discuta e se altere a lei. Mas neste momento não é isso que se está a discutir.

    Os defensores do não, como o Paulo, só lançam estes argumentos para criar mais confusão. Não se está a por em causa a falência do que é o casamento civil. Está-se a pedir que ele se alargue a uma minoria que o reclama e que por ele é discriminada.

    5 - Se continuarmos com essa falácia posso perguntar porque não posso casar com um cão ou com mesa... E, parto do pressuposto, que o Paulo também sabe que isso não faz sentido nenhum!

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    1. Casar com uma mesa não faz qualquer sentido, agora com um automóvel... seria bem mais compreensível.
      Sabemos que nesta conversa nenhum de nós irá mudar de opinião, mas ao debater as ideias e os conceitos ficamos com as nossas certezas mais definidas.
      Esqueçamos os casos concretos e falemos sobre os conceitos. Defenderia a possibilidade de que dois irmãos ou irmãs se pudessem casar? Ao fim e ao cabo a questão da consanguinidade não é obstáculo em termos de procriação.
      Para mim essa possibilidade é tão aceitável como o casamento gay, dito normal (!!!). Apenas uma questão de aceitação social, como aliás é o casamento gay.
      Fala de direito aos direitos e logo de seguida fala em 'dimensão social'. E porque é que os defensores do casamento incestuoso, que tendo uma menor 'dimensão social' não têm o mesmo direito? Não será por serem uma minoria (pequena) dentro da minoria (grande) que não merecem o apoio da grande maioria. Não se atreveriam a negar à minoria pequena o que exigem para si, só por serem uma minoria maior, pois é de direito aos direitos que falamos.
      Não me encontrando entre os defensores do casamento gay, respeito a liberdade de cada um, mas entendo que logo que se alargue o conceito de casamento tradicional deixa-se a porta aberta a que outras excepções encaixem nos argumentos dos defensores. A união de facto é uma figura com reconhecimento legal e fiscal e por isso considero-a suficiente em termos de acitação social para quem entenda ‘juntar os trapos’ com quem quiser.

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