Piratas ao largo

 



 


A culpa será talvez de Emilio Salgari. Como muitas outras pessoas ao longo de várias gerações, consumi muitas horas da minha adolescência a ler algumas das suas obras. O Corsário Negro, o Juramento do Corsário Negro, A Filha do Corsário Negro, A Rainha das Caraibas entre muitas outras foram lidos de fio a pavio e alguns até lidos por mais que uma vez.


A vida apaixonante dos saqueadores dos mares que desdenham das leis e vivem de acordo com um rigido código de honra, a que hoje poderia se chamar um código deontológico da pirataria, ficou associada a uma imagem simpática no espirito de muitas gerações.


O cinema, sempre ávido de conteúdos, e de forma a conseguir a atenção do público actual adaptou recentemente esta imagem simpática às telas e criou vários fimes sobre os Piratas das Caraíbas.


Enquanto rodavam os filmes desta série da Disney, os pescadores somalis, desejosos de uma vida melhor e vivendo num país governado pelos senhores da guerra que não lhes dá grandes prespectivas de vida, fartaram-se de estar 'a ver passar os navios' a caminho do Suez e fizeram-se ao mar, não para pescar para raptar barcos. O pagamento dos resgate exigidos por parte dos armadores levou a que os raptos se seguissem e aumentassem. Este é um bom exemplo porque é que não se deve negociar com terroristas.


Os prémios dos seguros dos navios que passam na rota da Suez multiplicou-se várias vezes. Basta ver que por ali passam sete por cento do petróleo mundial e que um em cada dez navios é atacado, para ver a dimensão do problema.


Por outro lado o dia-a-dia de muitos dos somalis melhorou. Um navio pode valer até dois milhões de dolares e o resgate exigido pelo Sirius Star chegou aos 25 milhões.


As divisas entradas nestas cidades costeiras oriundas da pirataria estimularam a actividade económica. Os piratas são uns heróis das cidades costeiras. Os crianças quando forem grandes querem ser piratas e as jovens desejam casar com um deles.


Os piratas somalis recusam o rótulo de 'terroristas' e negam qualquer ligação com as milicias islamitas que controlam vastas áreas do país.


Hoje depois de ler o Der Terrorist (via Delito de Opinião) tive de concordar que este será o seu 'calcanhar de Aquiles'. 


 


"Tivessem eles previamente arranjado uma bandeira, um símbolo e umas iniciais, qualquer coisa como FSL (Frente Somali de Libertação), lançado umas bocas contra o Imperialismo, o Neo-Colonialismo e o direito dos povos àquelas coisas todas que vêm nos livros, e neste momento tínhamos as ruas e avenidas das capitais europeias cheias de idiotas úteis gente, keffiyehs à roda do pescoço, em manifs de apoio, e contra a presença da força naval internacional nas aguas do Índico".

Comentários

  1. velha sprofissões que salvam países...ou algumas pessoas de alguns países.
    Quem sabe se não edescobrimos alguma profissão do passado que nos venha salvar.
    boa semana

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