Gandembel
A Guerra Colonial marcou muitos milhares de pessoas. Não só portugueses. Em termos históricos ainda não terá passado o tempo suficiente para a debater com isenção. Não quero aqui fazer qualquer juízo de valor, mas apenas partilhar um texto e uma foto que apanhei na net. Gosto de ouvir as estórias dos soldados que combateram nas ex-colónias, sendo que a maior parte deles o fez contra a sua vontade. Acho que o país lhes deve, no mínimo, um agradecimento pelos anos perdidos e pelos sacrifícios passados. Os relatos na primeira pessoa contados por muitos ex-combetentes será uma forma de perpétuar o que passaram, assim como um contributo para que as gerações mais novas de que faço parte, conheçam a sua história. Como se diz no excerto, muito do que se passou nesses tempos difíceis seria assunto para muitos livros e muitos filmes. Guiné 1968 Região de Tombali - Gandembel CCAÇ 2317 Início da construção do aquartelamento «As grandes fotografias dispensam legendas. Esta é uma das fotos-í...
"A cooperação entre os Estados-membros é fácil quando os respectivos povos estão em prosperidade. Os períodos de crise são favoráveis a algum radicalismo, que aqui e ali vão aparecendo."
ResponderEliminarDisse isto aqui http://vilaforte.blogs.sapo.pt/83850.html
e este era um dos exemplos apresentados como indicador dos tempos que vivemos. Será a ponta de um iceberg de isolacionismo e alguma xenofobia? O Reino Unido tem uma tradição de tolerância o que reforça a estranheza do caso.
É algo que ainda iremos ver por cá, como disseram no comentário anterior, os tempos de crise são sempre favoraveis ao aparecimento e/ou fortalecimento de ieias mais radicais. Não diria que é natural nem compreensivel, mas é de esperar que este tipo de coisas aconteça.. esperemos que seja passageiro
ResponderEliminarJorge
É mesmo muito preocupante. Esperemos que a corda não rebente.
ResponderEliminarSinais preocupantes de intolerância e xenofobia
ResponderEliminarA fome e a insegurança face ao futuro não são boas conselheiras... e esta foto representa o lado mais negro desta crise. è mesmo para preocupar, porque o fenómeno é global.
ResponderEliminarO sentimento que me provoca é de profunda tristeza, pelo desespero que milhões de pessoas estão a viver. Em situações extremas, e no que diz respeito ao instinto de sobrevivência, o ser humano deixa bem patente a sua ancestralidade animal e os conceitos morais e sociais são ultrapassados e esquecidos rapidamente. Como já exprimi em várias situações, é fácil rotularmos as pessoas quanto aos seus comportamentos, a sua ideologia, se são de esquerda, de direita ou do centro, se são xenófobos, se são racistas, extremistas ou outra coisa qualquer, mas, quando olhamos olhos nos olhos com o desespero, a perspectiva de miséria, da perda de todos os frutos de uma vida inteira de trabalho, teremos que, pelo menos, dar o benefício da dúvida e colocarmo-nos no lugar deles.
ResponderEliminarE desafio quem quer que seja a dizer, com SINCERIDADE, se, no caso de se encontrar na mesma situação, pelo menos não olharia de lado para TODOS os que têm trabalho e podem continuar alegremente as suas vidas, independentemente da sua nacionalidade, credo ou religião.
E mais uma coisa. Apelar a este sentimentos, no meio dos milhões de pessoas que neste momento foram vítimas desta crise internacional dá ou não dá muito mais mediatismo à precaridade e às razões da sua revolta??
Por isso, peço: pelo menos dêem-lhes o benefício da dúvida.
O benefício da dúvida é fingir que não se trata de xenofobia? Amanhã poderão ser portugueses contra os imigrantes. Ou roubar para comer... não é pecado diz o povo. Fingir que não se passa nada é contribuir para o aumento do fenómeno. O que fazer nestes casos?
EliminarO que separa a sociedade da barbárie é a lei. Dura lex est lex (acho que é assim, algum advogado que me corrija se necessário). Mas para isso é necessário uma justiça que funcione, e isso no nosso país é mais um motivo de preocupação.
Li há dias que foram encontradas ossadas do período seguinte ao terramoto de 1755 onde se existem vestígios inequívocos de que houve canibalismo em Lisboa no final do sec. XVIII, algo impensável até para a Lisboa dos meados do mesmo século. A ordem foi reposta em Lisboa por mão do Marquês e após algumas dezenas de enforcamentos públicos.
Nestes períodos a lei e a barbárie travam um combate renhido, mas a lei mais ou menos dura defende a sociedade do instinto individual.
Uma das perguntas que é feita no título do post é sobre sentimentos provocados por esta foto. Foi à qual respondi, e sobre a qual expus um pouco mais o meu pensamento, relativamente à urgência em classificar tipos de comportamentos, para os tornar ainda mais mediáticos.
EliminarMas esclareço: A lei é lei e ninguém está acima dela, nem tão pouco apelo à barbárie, pelo contrário.
O meu apelo é precisamente que se vejam as coisas com alguma ponderação, antes de rotular quem quer que seja, com o epíteto do que quer que seja. Fora deste contexto, exibir um cartaz daqueles é sinónimo de xenofobia? Evidentemente que sim, basta ler o que lá diz. Se eu sou contra quem pactua com esse tipo de comportamentos? Mais uma vez sim, considero a discriminação inaceitável, seja por raça, credo, religião ou outra razão qualquer que resolvam inventar. Mas não foi isso que me perguntaram. Perguntaram-me sobre sentimentos e aí, tive que me pôr na situação de quem vê a sua vida destruída, pela incapacidade de governar a sua própria casa, quanto mais países, que várias personalidades políticas mundiais demonstraram ao longo da última década.
E pergunto: Alguma vez o senhor que exibe o cartaz na foto o faria se não estivesse em desespero? Não sei. Alguma vez ele se sentiria ameaçado por quem quer que trabalhe no seu país se não estivesse em desespero? Também não sei. E se lhe dessem um emprego, em detrimento de outro inglês, mantendo ao serviço um estrangeiro, ele recusaria? Mais uma vez, não sei, porque não posso atribuir rótulos de comportamentos numa situação assim, em que, repito, o desespero toma conta das pessoas e elas são capazes de tomar atitudes que antes seriam impensáveis. Mais ainda, sendo o Reino Unido uma nação riquíssima em nacionalidades diferentes e no centro de Londres praticamente não se ouvir falar inglês, é precisamente agora que a xenofobia se demonstra? Tenho mesmo de dar o benefício da dúvida, assim como terei que duvidar que todos os que se manifestaram estejam desesperados e não se estejam a aproveitar da situação para fazer reinar o caos.
Mas isto sou eu a falar, claro, a propósito de sentimentos....
Entendo o que diz, mas a sua resposta levou-me a pensar no que escrevi, e ao fim e ao cabo estamos de acordo sobre as questões essenciais.
EliminarPerante certas situações cada um de nós tem uma forma diferente de reagir e numa crise social como a que previsivelmente se avizinha podemos esperar surpresas desagradáveis.
Pois tem razão..... Amanha são os Portugueses contra os imigrantes.
EliminarMas se a foto é recente tem a ver com as refinarias inglesas e com a luta dos trabalhadores Ingleses exactamente contra a contratação os imigrantes Portugueses e Italianos em vez deles (Ingleses)
Há muito que os sinais andam "por aí". As alturas de crise só tornam mais fácil apelar a certas políticas.
ResponderEliminarA pergunta foi feita,por mim, propositadamente, pois sentimentos e preocupações podem não ter lugar na mesma "gaveta". Eu pessoalmente,nem sei o que faria se estivesse no Desemprego, nem se quer consigo imaginar, se o fizer fico alarmado, começo a fazer contas ao que gasto e não vejo forma de reduzir a despesa tendo em conta o que considero o minimo para mim e para os meus.Vejo aquele cartaz e olho o limite da paciência para com aqueles que "jogaram" com o dinheiro dos outros e ainda têm direito a 18 mil milhões de dólares de prémios, noticia sobre wall street esta semana.
ResponderEliminarMas como gosto de provocar sentimentos, emoções e pensamentos, aquele cartaz prova também que a construção Europeia está longe de ser concretizada, eu pessoalmente sou defensor dos Estados Unidos da Europa(Europa Federal), sem tabus, nem mas nem meios mas e, como tal, choca-me que na Europa se olhem para parceiros de "Negócio" desta forma, não é possível imaginar manisfestações destas em Nova Iorque em relação ao Texas por exemplo, sei que esta discussão tem pano para mangas,mas eu vejo o espaço Europeu Unido na diferença respeitando a soberania de cada um, a minha preocupação é que manisfestações como esta sejam o fim do sonho Europeu no qual acredito e que quando viajo por vezes sinto-me Europeu por outras nem por isso.Reformulando a pergunta; Que Europa queremos?
Curiosamente (ou talvez não, porque de política nada percebo, nem quero...!) a minha perspectiva em relação à Europa é completamente contrária à sua e considero que comparar 2 membros da UE com dois estados dos EUA será, no mínimo, forçar a nota, dado que o passado histórico entre as duas situações, nada tem de comum, muito pelo contrário. E é aqui, que eu acho que a Europa pouco poderá evoluir para além da moeda única e das legislações e directivas comunitárias, sendo que, mesmo estas, são aplicadas com resultados diferentes e até extremos em diferentes países, por dependerem de factores tão simples como a política externa mais ou menos agressiva, consoante o peso económico representado, ou tão complexos como a educação, as tradições ou até a consciência cívica.
ResponderEliminarExemplificando: Somos 10 milhões de portugueses - que peso teria a nossa economia, a nossa identidade, a nossa língua, as nossas tradições, numa Europa Federada, perante os gigantes espanhóis, franceses ou alemães?
Pelo contrário, se calhar muitos seriam os benefícios económicos que tiraria a Alemanha de uma Europa Federada, embora as questões linguísticas de uma ancestralidade germânica, que nada tem em comum com as génese latina fossem um obstáculo..
~por tudo isto e muito mais,não acredito nuns EUE, mais do que já estão e que contrariamente aos EUA nêm 1 dialecto têm em comum.....
42% dos trabalhadores de Londres não nasceram no RU (embaixador ontem na 2) sem conhecimento de qualquer conflito até à data, imaginem esta percentagem numa qualquer cidade portuguesa .
ResponderEliminarEste blog está com muita qualidade. Os temas escolhidos são bem interessantes e de actualidade.
ResponderEliminarAlmocei, na semana passada, com um colega. Ele tem um pouco mais de cinquenta anos. Ele disse-me que faz parte da primeira geração que não viu ou não conheceu a guerra no solo Francês. Antes, os seus avos e bisavos todos tinham conhecido a guerra.
Deste ponto de vista, a construção europeia foi uma conquista para a paz.
A ideia duma Europa é ainda nova. E como qualquer ideia nova incomoda.
O cartaz acima referido não é mais que um acto de propaganda. Sabemos quem é contra a Europa Federativa. Os extremistas da direita pedem uma Europa das Nações ; Os da esquerda uma Europa das Pátrias.
Aliás, não é algo novo. Penso que se os trabalhadores fossem pagos segundo a escala dos salários Ingleses talvez o discurso fosse diferente. Talvez houvesse menos xenofobia.
Não longe da minha cidadezinha, há um ano, foram contratados trabalhadores Polacos. Eram pagos duas vezes menos que os trabalhadores Franceses. Os sindicatos levaram o assunto para tribunal e ganharam, para grande alegria dos trabalhadores Polacos.
A Constituição Europeia actual não tem pernas. Tudo foi feito para que o Parlamento Europeu não tivesse decisão política.
A Europa Federativa está em andamento. Será uma questão de tempo. Já se fez o túnel sob a Mancha o que é simbólico.
Penso que Portugal tem tudo a ganhar com uma Europa Federativa.
A Europa precisa de peso político. Que os planos de alimentação dos bancos sejam feitos de modo coordenado e não país por país. Sim é preciso uma política comum.
Mas talvez seja isto que o ultra-liberalismo não queira.
Consultem os benefícios obtidos pelo grupo Total em 2008 . São colossais !
Certamente que o senhor que levanta o cartaz os conhecesse mudaria de slogan.
E Viva o Porto !
Desculpem. Não tenho conseguido comentar. Tudo vai abaixo. Isto é um teste para ver o funcionamento da ligação. É que gostaria bem de comentar. Tivemos aqui um caso semelhante.
ResponderEliminarE VIva o Porto !
Pedro, o sentimento é de muita inquietação e desassossego. É muitas vezes a angústia que leva a um certo tipo de xenofobia.
ResponderEliminarQualquer tipo de preconceito eu renego integralmente, principalmente o gratuíto, este que vemos na foto é motivado pelo desespero.
E porquê negar e dizer que em Portugal não existe ainda. Ai existe, sim senhora
ResponderEliminarBom dia,
Os sentimentos... o meu primeiro instinto foi condenar esta acção! e depois de pensar nisto continuo a condenar qualquer tipo de manifestação deste género, venha ela donde vier, em qualquer situação. Mais, o Homem nasceu num determinado local que se convencionou chamar de XXXXX, contudo a Terra é um espaço único e que devia ser aberto a todos, independentemente de raça, religião ou nacionalidade!
ResponderEliminarMas isto ia demorar muito a expor e o tempo agora falta!
Mas há uns anos para cá que vou ouvindo isto em Portugal (e em voz alta por isso todos já devem ter ouvido) sobre aqueles que decidiram tentar a sua sorte em Portugal.
Continuo a pensar que uma coisa é propaganda, outra é pensar o ser humano.
ResponderEliminarLembro-me da minha primeira viagem escolar a Inglaterra. Intercâmbio entre uma escola Francesa e Inglesa. Tinha catorze anos.
Algo que me chocou numa loja Inglesa. Estamos no fim dos anos setenta : Li : A loja é proíbida aos cães, aos ladrões e aos Franceses !
A Frente Nacional , o orgulhosamente sós, nós os insulares, não é um movimento novo em Inglaterra.
Acho que abertura do túnel sob a Mancha é simbólico e bom !
Não concordo quando se diz que os Portugueses e os Italianos fazem os trabalhos que os Ingleses não querem. Acho que é um problema de qualificação !
E Viva o Porto !