How to stop the drug wars?

 


Noma Bar



A Economist colocou na capa do seu último número a pergunta: How to stop the drug wars?


No artigo lembra que a 26 de Fevereiro de 1909 - há 100 anos - pela primeira vez um grupo de diplomatas reuniram-se em Shangai para combinar esforços de forma a banir o tráfico de droga.


Em 1998 a ONU estabeleceu como objectivo a atingir até 2008, o fim ou uma redução significativa da produção de ópio, cocaína e canabis. Actualmente têm como objectivo apenas estabilizar o mercado.


Na próxima semana, ministros de todo o mundo reunirão em Viena para definir as políticas de combate ao tráfico de droga para a próxima década.


 


Cerca de 5% da população mundial, mais de 200 milhões de pessoas, consome drogas ilegais. Esta percentagem é a mesma de há dez anos atrás.


Os EUA gastam por ano nesta guerra 40 mil milhões de dólares, e detêm um milhão e meio de cidadãos por motivos relacionados com a droga. Mais de meio milhão ficam presos. Este é também o principal motivo para que um em cada cinco afro-americanos tenha sido preso alguma vez na vida.


No México desde Dezembro de 2006, já morreram mais de 800 polícias e soldados no combate à droga.


Todos sabemos porque foi assassinado Nino Vieira.


No Afeganistão os taliban, de novo em alta, financiam a sua guerra contra o mundo ocidental com o tráfico de heroína.


 


O mesmo artigo fala também da lei seca, de Al Capone, da posterior liberalização das bebidas alcoólicas e coloca a questão:


 


Vale a pena continuar a apostar no mesmo modelo, ou a liberalização eliminaria o crime organizado?


 

Comentários

  1. Este modelo está visto que não funciona e mata muita gente, nada como mudar.Parece-me lógico a liberalização.

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  2. Não acredito que a liberalização resolva alguma coisa no que diz respeito aos consumidores, tal como a liberalização do álcool não diminuiu os que nele se viciam. Pelo contrário, até, se analisarmos o que se passa nos dias de hoje em que a informação é tão massiva, mas as bebidas 'brancas' estão incluídas em cocktails poderosos, servidos em bares e discotecas frequentados por camadas cada vez mais jovens .
    Mas a pergunta não era essa, certo? Pois, na minha opinião, ela pouco significaria para o crime organizado, já que, diariamente, se encontram novas drogas, sintéticas e fabricadas em ambientes controlados, que constituem a nova face do mundo dos estupefacientes.
    Liberalizar, portanto, em nada resultaria, apenas deslocaria o crime organizado para outras vertentes do mesmo negócio, com a desvantagem enorme de que os produtores das drogas 'antigas' continuassem a fazê-lo num mercado em que ficariam disponíveis e à mão de semear, tal como o álcool, que até já depois de liberalizado, voltou a ser condicionado (com a atribuição de idades mínimas para a sua aquisição).
    E depois, esta acaba por ser uma falsa questão, não é? Quando sabemos que o combate seria muito mais eficaz se as próprias entidades por ele responsáveis não estivessem há muito corrompidas...

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    1. Si,
      Ao fim de 100 anos de proibições não se conseguiu extinguir o consumo, pelo que podemos deduzir, que tal como acontece com o álcool, existirão sempre consumidores.
      A liberalização iria era eliminar o crime organizado e o crime que se financia no tráfico ilegal. Como sabemos até o terrorismo recorre ao tráfico de droga para se financiar. No texto é referido o caso do Afeganistão e da Guiné Bissau, mas também as FARC da Colômbia resistem graças à tráfico de cocaína.
      Com a liberalização não teríamos um mundo sem consumo de droga, mas sem dúvida que teríamos um mundo com menos criminosos.

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    2. Paulo,
      Acho que não leu a 2ª parte do meu comentário. A parte dos consumidores não era de facto a questão e a liberalização, no meu entender, só deslocalizaria os criminosos para outro tipo de negócio de estupefacientes, que aliás já está em franco crescimento. Como resultado, não só não se acabaria com o crime organizado, exactamente com a mesma pujança que tem actualmente, como, ainda por cima, ir-se-ia disponibilizar impunemente as drogas actuais

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    3. Ok,
      Mas a que outro tipo de negócio de estupefacientes se refere? Se um ou outro, qualquer, tipo de negócio de estupefacientes for legal, regulado por lei (pagar impostos e taxas e tiver um circuito de distribuição definido) deixa de existir crime organizado no comércio associado a ele.
      É claro que os criminosos terão de se dedicar a outro tipo infracções, como o comércio de órgãos, armas, etc..., mas já viu quantos recursos e vidas que se poupariam no inglório combate ao tráfico de droga?

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    4. Continua a não estar de acordo consigo, porque então seria necessária liberalização atrás de liberalização até se atingir um limite de permissividade demasiado perigoso,
      Refiro-me, em concreto, às drogas sintéticas, que dantes eram produzidas em laboratórios artesanais, em que os que aí trabalhavam ficavam tão 'agarrados' como os que consumiam, por causa dos vapores, e agora são produzidas em ambientes controlados, com um fabrico de milhares de unidades/dia, que inundam os mercados num ápice.
      E quando estas drogas estiverem 'ultrapassadas', porque o vício exige sempre mais, outras surgirão, mas apuradas e focadas para provocar sensações específicas.
      Dentro desta nova realidade, acha que a liberalização ainda será a solução???

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    5. Em termos do crime organizado que se encarrega do seu fabrico e distribuição, todas as drogas são iguais.
      A evolução do conhecimento do sistema nervoso e da sua relação com determinadas substâncias não irá ser interrompido em qualquer um dos cenários. Com ou sem liberalização, dentro de 10 anos existirão certamente novas drogas. Se forem proibidas irá ser arriscado comercializa-las e por isso serão caras, mas acabarão por ser consumidas e, em matéria de crime organizado associado ao tráfico de droga, estaremos sempre na mesma.

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    6. Exactamente, Paulo, e enquanto isso, se houver liberalização, outras drogas ficam muitíssimo mais acessíveis ao consumo...
      O meu racocínio (embora com as devidas distâncias, obivamente!!) baseia-se um pouco na teoria do hipermercado, em que a facilidade, acessibilidade e diversidade de oferta tentam o consumidor a comprar mais do que o que precisa.
      Com a liberalização, seria mais ou menos o que poderia acontecer, tal como aconteceu com o álcool e os exageros e abusos que se cometem,
      Mais ainda, o meu raciocínio baseia-se na necessidade que o Homem tem em ter limites e balizas definidas na sua vida, já que será muito mais difícil, perante os nossos filhos, por exemplo, justificar o facto de ser necessário que não consumam determinada substância, quando ela, afinal. é legal, tal e qual como hoje em dia os pais fumadores pouca ou nenhuma moral terão para exigir que os seus filhos não fumem.....
      Ou seja, isto ainda dava mto pano para mangas, é o que é....

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  3. e a quem interessa que o tráfico de droga acabe?
    até amanhã
    bj

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  4. Bom dia,
    Concordo totalmente com a opinião do Paulo, a liberalização da comercialização de todo o tido de drogas iria de certeza fazer diminuir a criminalidade associada a este tipo de "comércio".
    A liberalização do comércio iria permitir, desde que a fiscalização fosso muito diferente da existente hoje em dia onde só alguns têm de cumprir as obrigações fiscais, aos diversos estados controlar a criminalidade e também arrecadar na teoria muitos milhares de euros em impostos.
    Deixo aqui à consideração também a possibilidade de legalizar o negócio do sexo ... e do "negócio" religioso ... Relativamente a este último nas proximidades do local onde se construiu uma basílica que custou pelo menos 80 milhões de euros há gente a mendigar a passar fome ...

    Cumprimentos,

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  5. Discussão muito interessante esta e como referi ,também sou adepto da liberalização das drogas e também concordo com mais esta achega da Maria.
    Será que o exemplo da Holanda não pode ser seguido por mais Países?

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  6. Não é bonito ver um filho com uma bebedeira, mas não queiram ver um filho com um ressaca de drogas. Nós "todos" já apanhámos uma carraspana, e não somos "todos" alcoólicos por isso, porque sendo o consumo de álcool livre é de baixo custo logo acessível a todos, aconteceria o mesmo com as drogas tipo heroína em caso de liberalização e os nosso filhos com naturalidade a iriam experimentar como nós fizemos com o álcool, no entanto nas drogas normalmente é um caminho sem regresso ou com um regresso demasiado penoso para todos.
    A liberalização é sinónimo de derrota, derrota essa que nos traria um preço em vidas incalculável.

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  7. Para umas situações a liberalização a informação a exposição clara das coisas é altamente vantajosa ...

    Para outras é o caminho para a decadência e a derrota ...???

    Coerência ...

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  8. Boa tarde,
    Penso que o que o Paulo,Pedro e a Maria estão a defender é a legalização da venda das drogas,com controlo do estado a importação e comercializaçãos das mesmas por entidades autorizadas para tal.Jorge,Si e demais pessoas que estejam contra esta legalização da venda, já viram que ela fosse vendida legalmente que acabam-se os "dealers" e a máfia que anda á volta deste negócio?
    Nem de propósito ontem na 2 que no México, nos Estados Unidos e em outros países os principais "dealers" estão ou nas policias ou nos politicos.A legalização tras transparência ao negócio e desmotiva máfias, o memso se passa com o negócio do sexo, é uma vergonha que não seja legalizado, que elas e eles não possam descontar para a segurança social e que não tenham cuidados de saúde assegurados e controlados.
    O mundo tem de mudar nos seus dogmas, ainda dizem mal da igreja...

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  9. Acho que se deve colocar em primeiro lugar, a pergunta seguinte : Porque é que os jovens procuram ir além do que é estabelecido.? Porque é que os jovens brincam com o seu corpo ?

    Ninguém, creio eu, poderá impedir que um jovem brinque com as fronteiras da morte.

    Manoel de Oliveira, imortalizou, quanto a mim, no Aniki Bobo, esse não receio da morte.

    Se já existe, por essência, na idade da adolescência esse jogo da morte , porquê liberalizar a droga ?

    É um pouco "fort de café " comparar as bebidas alcoólicas com a liamba, heroína ou ectazy... Os efeitos segundários a extremo curto prazo não são os mesmos.

    E Viva o Porto !






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  10. Obrigado, Pedro Oliveira, por ter apresentado esta situação que não conhecia na Guiné-Bissau.

    A África está cada vez mais a ficar a reserva dum lumpemproletariado, para o que der e vir.
    E acho que ninguém se interessa por esse continente.

    Creio que a luta contra os narco-traficantes tem (ou deveria ter ) uma dimensão política e económica.

    Pergunto-me até que ponto não existe uma ramificação entre os narco-traficantes e aqueles que nunca aceitaram a vitória da democracia sobre o nazismo em 1945.

    Pergunto-me até que ponto o que não foi conseguido pela força não está a ser tentado pelo apelo ao consumo de droga.

    Lembremo-nos que as redes de distribuição de droga, pelo menos no Oeste Ibérico, substituiram as redes de contrabando. Só que , em paralelo, os códigos e as referências mudaram. Se junto dos contrabandistas havia o código de honra perante a família e os desfavorecidos, já junto dos traficantes de droga é o indivíduo atomatizado que sobressai. Está dependente, sem código nem lei.

    Não deixa de ser interessante ver como os mídia de maneira indirecta promovem o elogio da cocaína. Basta ler,entre as linhas, as entrevistas às mulheres e homens da sociedade dita "people" . Para exercer um fascínio junto de quem ? E porquê ?

    É muito mais fácil manipular um indivíduo atomizado que um indivíduo social com normas,laços e memória.

    Como já escrevi acima, sou contra a liberalização das drogas.

    Existe um efeito perverso no discurso daqueles que pronam, por exemplo, a liberalização das drogas ditas "suaves". Mesmo se são de boa fé.

    Exemplos com os quais me tenho confrontado : Fumar um charro faz menos mal que fumar um cigarro. Donde vem essa propaganda ? Sabemos que o que é sobretudo nocivo é a combustão. Ora quer num quer noutro há combustão que se inala.

    Há menos produtos químicos nos charros que nos cigarros. Talvez fosse verdade no tempo da juventude de Cohen-Bendit em que as árvores tinham largos metros de altura e, logo, as folhas não tinham a mesma concentração de substância que as folhas das arvorezitas que nos hangars clandestinos de Amsterdão nem chegam aos 50 centímetros. Sem contar, rentabilidade obrigatória, a mistura que se faz, aquando da venda, com este ou aquele produto ( pó de lexívia, etc.).

    Indo além da anedota.

    Já acima escrevi que se os jovens procuram por essência, a um dado momento, para se testarem, brincar com o fogo. Então porque lhes dar mais fósforos para se queimarem ?

    A liberalização na Espanha foi uma catástrofe e a Holanda está a vir para trás.

    Não creio que o álcool destrua ,atomize de imediato o indíviduo como o podem fazer a cocaína ou a heroina. O consumo do álcool ainda está ligado a práticas sociais. Será o caso da cocaína, da heroína ?

    Ou será que no fundo o objectivo é mesmo destruir os tecidos sociais, alienar para melhor reinar ?

    E Viva o Porto !










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  11. O Governo do México está a deslocar milhares de soldados e polícias, apoiados por veículos blindados e helicópteros, para o estado de Michoacán, no Oeste do país. É uma resposta à ofensiva desencadeada na última semana por um cartel da droga e que já provocou a morte de, pelo menos, 16 polícias nos últimos dias.
    "Para os membros destes grupos criminais, não há alternativa... a não ser obedecer à lei", disse, citado pela Reuters, o ministro do Interior, Fernando Gomez Mont, quando anunciou o reforço com 5500 efectivos do dispositivo antidroga do Estado.
    Numa das mais violentas acções desencadeadas nos últimos dias em Michoacán, aparentemente em retaliação contra a prisão de Arnoldo Rueda, um chefe do cartel La Familia, 12 polícias federais foram mortos e os seus corpos abandonados, com as mãos atrás das costas e tiros na nuca, numa estrada recôndita.
    O estado de Michoacán, de onde é natural o Presidente Felipe Calderón, é, há três anos, palco de uma guerra que opõe o Governo aos narcotraficantes e de disputa entre estes pelo controlo do tráfico de cocaína para os EUA. Foi o primeiro de um conjunto de estados para onde, desde o final de 2006, foram, segundo a AFP, deslocados 36 mil soldados e polícias.
    O La Familia, que terá ramificações nas forças de segurança e políticas locais, adoptou um código de conduta quase religioso e proíbe os seus membros de consumirem drogas ou álcool. Tornou-se conhecido em Outubro de 2006, quando desconhecidos entraram num bar e lançaram para a pista de dança cinco cabeças humanas acompanhadas de uma mensagem. Na altura afirmava-se disposto a lutar contra o tráfico de droga, mas em seguida aliou-se com o cartel do Golfo, com o qual, segundo os media internacionais, mantém agora uma guerra sem quartel.
    Um homem que se assumiu como um dos chefes operacionais do grupo, Servando La Tuta Gomez, tomou na quarta-feira uma iniciativa surpreendente, ao propor, numa estação televisiva de Michoacán, um "pacto" para evitar mais mortes, categoricamente rejeitado pelas autoridades.
    A violência provocada pelos grupos de traficantes provocou, segundo os dados disponíveis, cerca de 12.800 mortes no México desde 2006, o que se tornou uma séria ameaça para o turismo e o investimento.
    Contratos para os EUA
    O esforço das autoridades mexicanas para combater o narcotráfico é uma oportunidade de negócio para empresas de segurança privada norte-americanas, que estão a competir por contratos de milhões em equipamento e treino de forças de segurança.
    A Reuters noticiou que a maior parte dos 1400 milhões de dólares que os EUA ofereceram em 2007 ao México para ajudar a combater os cartéis irá para empresas dos EUA. Até agora só foi libertada uma "fatia" de 400 milhões de dólares (mais de 283 milhões de euros) e quase todo o dinheiro servirá para pagar a 30 a 40 empresas norte-americanas, segundo um funcionário da Embaixada dos EUA no México.
    Apesar do investimento que o Governo de Calderón tem feito no combate ao tráfico, calculado em sete mil milhões de dólares, os meios dos polícias e militares são menos sofisticados do que o equipamento dos traficantes, que movimentam anualmente um valor estimado em 40 mil milhões de dólares (cerca de 28.300 milhões de euros).

    Público, hoje

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