O Futuro da Cerâmica Decorativa 1
A cerâmica decorativa e utilitária é uma actividade que exige investimento em capital intensivo, nomeadamente, em mão de obra pouco qualificada.
Cresceu, como muitas industrias tradicionais portuguesas, à custa da desvalorização do escudo, que facilitava a exportação para mercados mais desenvolvidos e ganhos fáceis, que “convidaram” muitos empresários a investir neste sector.
Esta industria foi muito importante, por ter dado trabalho a muitas famílias dos concelhos da nossa região.
Entretanto, nos últimos 20 anos, primeiro entrámos na CEE, chegaram os fundos comunitários (PEDIP I, II e III) e os empresários aumentaram a capacidade produtiva e cresceram. Depois, entrámos no Sistema Monetário Europeu e os problemas começaram. Mais tarde a China, depois de anos a preparar-se, aderiu à OMC (Organização Mundial do Comércio), e para “ajudar” à festa conseguimos, felizmente, aderir ao Euro.
Esta sequência de acontecimentos, não vale a pena referir aqui a actual crise internacional, tornou inviável muitas destas industrias, nomeadamente a “nossa” cerâmica. É um problema dramático, para empresários e trabalhadores.
Toda a ladainha que nos foram “cantando”, sobre o reforço da competitividade, a eficiência, as competências de gestão e mais recentemente a INOVAÇÃO, são tudo chavões de gestão que se aplicam, mas nem sempre são suficientes.
E ainda há os chineses. Que fazer?
Tenho a convicção de que nem um milagre salvará esta industria, quando muito, sobreviverá uma ou outra empresa, mas esta industria enquanto tal, não terá muitas hipóteses.
Qual a solução? Nós vivemos numa região caracterizada pelo empreendorismo dos seus empresários. Porquê insistir? Porque é que os empresários não partem para outra?
E os trabalhadores o que fazer? Também têm que se reconverter. Hoje já não há trabalhos para a vida e todos nós temos que mudar ao longo da vida, de empresa, de trabalho, temos que nos formar continuamente e nunca é tarde para começar este processo. O caminho é por aí.
(continua)
Ora aqui está uma questão pertinente para uma possivel ligação entre Instituições Universitárias locais, Empresários, Autarquia e Escolas.
ResponderEliminarSó com uma estratégia conjunta se podem "iventar" soluções para as empresas e seus colaboradores.Colocar dinheiro em cima do problema é tapar o "sol com a peneira". Temos os "study cases" Nacionais do textil e do Calçado, hoje vendem mais(em euros) do que vendiam há bem pouco tempo.