A análise que faltava
Perante os resultados eleitorais de Domingo, o xadrês cerebral da classe política e dos eleitores (os interessados) não tem parado de desenhar cenários.
Vejamos o seguinte:
O efeito ‘circulo único nacional’ beneficiou os partidos de menor dimensão como não aconteceria numas eleições legislativas. Este efeito pode observer-se por exemplo no Bloco de Esquerdam, onde o terceiro deputado europeu foi eleito in extremis, sendo que numas legislativas muitos dos votos neste paartido seriam perdidos nos circulos eleitorais. Já alguém simulou estes resultados numas legislativas?
A abstenção também favoreçeu os partidos com menos expressão como o BE e o PCP, pois têm um eleitorado mais fervoroso que não falta às eleições, coisa que não acontece com os partidos do poder. Tal facto explica o reforço do peso global destes dois partidos.
A abstenção também foi superior pelo facto de se tratar de eleições europeias, que são sempre as recordistas da não participação.
Assim, podemos dizer que nas legislativas:
- haverá uma maior participação eleitoral
- o centrão estará por isso mais representado
- o BE e o PCP terão um menor peso global na votação
- muito dos votos no BE e PCP serão ‘inúteis’ pois serão perdidos nos círculos eleitorais
Por isso, considero razoável que a o peso acumulado do PS e do PSD será bem maior nas próximas legislativas do que foi no passado Domingo.
Ora, escutando as vozes que dentro do PS recomendam e até exigem que o PS volte a ser a referência da esquerda portuguesa, vozes essas que receiam a dissidência de Alegre, pode dizer-se que cabe ao PSD aproximar-se a tornar-se atraente ao centrão.
Os resultados do PSD nestas eleições, assim como nas últimas legislativas, mostraram o peso do núcleo duro dos sociais-democratas, pois mesmo em condições difíceis (ora com Santana Lopes como candidato, ora numa luta desigual em termos orçamentais face à campanha realizada pelo PS e com todas a sondagens a falhar por defeito nas previsões) foram fieis ao partido.
O mesmo também se pode dizer do CDS-PP, onde este efeito ainda assume maior expressão.
Até que ponto se conseguirá fazer desta vitória uma mudança de ciclo, não sabemos, mas gostei de ouvir o discurso de Sócrates no Domingo à noite, quando disse que o eleitorado tinha mostrado o seu descontentamento, mas o PS iria manter a sua trajectória. Acho bem que o faça, pois dessa forma confirmará a sua trajectória descendente.
Assim nesta dinâmica acredito que basta que o PSD não faça asneiras para poder aspirar ao regresso, sozinho ou coligado, à governação dos destinos do país. Será que consegue?
Publicado também no Eleições2009
Paulo, já não sei se foi no Publico ou no DN, mas sim, já alguém fez essas contas, e ao contrario do que diz, no caso do Bloco de esquerda, e mantendo as percentagens por distrito, eles passariam para no mínimo 13 deputados, havendo distritos em que não elegeram nenhum nas passadas legislativas e neste poderiam inclusive eleger dois, se não me engano um dos exemplos era Faro.
ResponderEliminarEu percebo que os militantes e simpatizantes do PSD vejam neste resultado uma grande vitoria, mas eu continuo a ver o que já disse no comentário ao post do Pedro, com menos de 33% dos votos, ou mudam muitas coisas até Outubro, a começar pelo líder do partido, ou quem vai cantar vitória vai ser o Sócrates.... resta saber qual dos dois partidos da esquerda radical vai ser governo na próxima legislatura.
Jorge Soares
Talvez. Lá para o final do ano saberemos.
EliminarOntem à tarde tive uma interessante "conversa" no twitter com um Jovem socialista, em que ele dizia que não percebia a alegria do PSD na vitória uma vez que ela se resumia ao descontentamento PS,mas depois já era o factor Rangel e depois já era não sei o quê.Ora esta postura generalizada dos socialistas mostra bem a arrogância e a falta de humildade politica sobre os resultados de domingo.Mais do que saber se devemos ou não extrapolar resultados, o PS e o PSD devem saber ler os sinais e agir em conformidade.O PSD sabe que o País quer uma alternativa e deve trabalhar por forma a merecer os votos em Set/Out, já o PS que parece querer esconder a cabeça na areia e continuar cego e surdo perante o País, pode ser que leve um banho democrático nas urnas, e era bem feito.
ResponderEliminarCarlos Albuquerque no Eleições informou-me que a simulação destes resultados foi feita pelo Pedro Magalhães no Margens de Erro. Os resultados seriam estes:
ResponderEliminarPSD: 96 deputados
PS: 73 deputados
CDU: 23 deputados
BE: 21 deputados
CDS: 16 deputados
MEP: 1 deputado
O que significa que não seria previsível nenhuma coligação que permitisse governar em maioria.
PSD+CDS = 112
PS+CDS = 89
PS+BE=94
Se o PSD conquistar algum centrão poderá coligar-se com o CDS (e tb com MEP) e assim conseguir estabilidade.
Nesta data PSD+CDS+dois ou três mandatos (+MEP se necessário) e seria possível um solução estável para quatro anos.
Como disse no post, basta manter a dinânica.
Cá estaremos para ver.