"os filhos do xpto são tão inteligentes"

É normal ouvirmos esta expressão em conversas na rua, e é verdade que há motivos para existirem crianças mais inteligentes que outras e a culpa é nossa, dos Pais.Não tanto pela genética, que também tem a sua responsabilidade, mas pelo ambiente que proporcionamos aos nossos filhos.Na semana passada o Expresso na sua revista, "Única", aborda este assunto e achei interessante partilhar convosco, até para percebermos o quanto é importante o papel de Pais, escola e sociedade em geral no contributo para termos crianças mais inteligentes e melhores cidadãos:


 


O genoma, o ambiente e a comida


 


"Qual das componentes é mais importante? É uma falsa questão", responde o biólogo da Universidade de Coimbra Hamilton Correia, que se tem dedicado ao estudo da inteligência e da sua importância na salvaguarda da espécie. "Se uniformizarmos os factores ambientais, então o que vai determinar a diferença de inteligência entre as pessoas é sobretudo o genoma. Se uniformizarmos a componente genética, então o que irá distinguir os indivíduos em relação à inteligência serão os factores ambientais". O biólogo dá um exemplo: "Imagine que existiam dez bebés clones, com a mesma constituição genética. A partir deles podemos 'criar' dez indivíduos com uma diferença abismal nos resultados dos testes de QI. Isto porque os factores ambientais variaram significativamente entre eles durante o desenvolvimento." Por exemplo, o tipo de alimentação durante os três primeiro anos de vida é fundamental para o "desenvolvimento da inteligência".


 

Comentários

  1. Eis um artigo muito interessante.

    O critério de inteligência é muito subjectivo. Mas talvez essa subjectividade seja um dos aspectos essenciais da raça humana.

    Como medir ou pesar a inteligência ?

    Antes de entrarem para a universidade, muitos tiveram que dissertar, durante quatro horas sobre o tema : "Quem é mais inteligente ? Um bom carpinteiro ou um mau médico ? ".

    Já não me lembro se foi neste espaço ou não que citei Pierre Karli e a sua obra "Le Cerveau et la liberté". O autor é professor "émerite" de neurofisiologia na faculdade de Estrasburgo e membro da "Académie des Sciences". Não sei se a sua obra está traduzida em Português. A sua leitura é simples.

    O autor mostra que temos um património genético, um património cultural e que, graças à conjugação destes dois patrimónios somos seres em evoluução. Somos seres em plena liberdade.

    A trindade acima referida é uma síntese que pode integrar as teses mais avançadas.

    Não existem actualmente no mundo dois cerebros iguais. Todavia, existem homens e mulheres geneticamente iguais ( os gemeos nascidos do mesmo ovo ). O que é curioso.

    O sábio Português, Damásio, após ter escrito "O erro de Descartes" volta atrás e escreve "Espinoza tinha razão ".

    Existe, pois, quanto a mim, na raça humana, um processo que liberta um patamar superior : O da consciência da sua própria consciência.

    Ironicamente, podemos pensar que Dostoiievski já tinha tratado o assunto com o texto " Os irmãos Karamazov ".

    Sou pai e acho que quando não há recuo suficiente é muito difícil ser pai ou mãe. Os meninos vivem debaixo de imagens e discursos que atomizam totalmente o indivíduo. Se o pai não se assemelha a Bolt ou a Spiderman, não têm as mesmas performances que estes, por exemplo, podem ser totalmente negados como autoridade.

    Perante um mundo económico que procura dar a entender que o indivíduo não é um ser social mas uma performance económica, ( aí está o perigo do ultraliberalismo) dificilmente se podem encontrar espaços para a discussão e,logo, a compreensão recíproca. Sobretudo que tudo é feito e organizado para que os indivíduos não pensem por si mesmos e para que não se compreendam.

    E Viva o Porto !










    ResponderEliminar
  2. Esqueci um dado mais que importante.

    Pedro Oliveira, se estou a incomodar é favor dizer.

    Só agora me veio à mente quanto ao que escrevi. Mas é um dado que pode mostrar que , antes de tudo, o ser humano é talvez um ser social.

    Duas experiências :

    Federico II de Hohenstaufen ( 1194 -1250 ) homem e monarca erudito que falava nove línguas procurou conhecer a língua primeira da humanidade ( o árabe, o hebreu, o latin... ? ). Para tal mandou criar recem nascidos em condições de vida optimais. A única condição era que não ouvissem qualquer som. O monarca pensava que, mais tarde, desenvolveriam a linguagem e, logo, a primeira língua falada pela humanidade. Após várias tentativas, os recem nascidos, apesar de bem tratados, alimentação, banhos etc. , morreram todos.

    A mesma experiência será retomada mais tarde por Jacques ( Tiago ) IV da Escócia ( 1473-1513 ). O fracasso será o mesmo.

    O ser humano talvez seja antes de tudo um ser social.

    Quanto à alimentação, garante duma melhor inteligência, referida no artigo há um contra exemplo que me lembrou a minha mulher. E. Piaf , uma das maiores cantoras Francesas de sempre, foi criada com sopa e... vinho. ( Atenção não estou a aconselhar tal prática ).

    Relativamente aos exemplos citados, basta consultar o site do Service de Pedopsychiatrie CHU ( centro hospitalar universitário ) d 'Angers.

    E Viva o Porto !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia,
      O caro amigo, nunca incomoda. Os seus comentários /reflexões são uma mais valia reconhecida por todos nós.Obrigado e um abraço

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Gandembel

Foi um prazer estar convosco neste esplanada