António o amigo do Carlos tem uma dúvida
Ainda se lembram do Carlos? Pois bem, o Carlos tem um amigo chamado António que está com uma dúvida existencial e gostava que alguém o esclarecesse.
Em conversa entre os dois o António confidenciou que estava "inclinado" a abster-se nos próximos actos eleitorais porque: a nível nacional está farto de Sócrates, não vê Ferreira Leite com capacidade para governar e não quer dar o seu voto aos outros; a nível local, diz ele, a miséria ainda é pior, o CDS e a CDU têm candidatos que pouco ou nada dizem às pessoas, Salgueiro é um Presidente egocentrista, demagogo e sem ideias para o concelho: " a cultura para a câmara é apoiar as colectividades" ou "um centro educativo é uma escola com... mas só na Cruz da Légua" , já o PSD e Júlio Vieira não têm demonstrado ser diferentes de João Salgueiro nos procedimentos, para chegarem ao poder, e do famoso programa saído dos foruns nada se sabe a não ser generalidades que nada dizem de concreto para que as pessoas percebam que o PSD é melhor que PS ou que Júlio Vieira é assim tão diferente de Salgueiro.Para rematar a conversa o António pensa que votar em branco é ser anarca.
Carlos disse-lhe que abster-se é que é ser anarca e justificou: a abstenção é o acto de não votar, de não exercer um direito que muitos lutaram para que o possamos exercer.Votar em branco é um acto de cidadania e nada tem que ver com anarquia, isso representa a abstenção,100% de abstenção leva ao vazio, o mesmo não se passa com o voto em branco, pois são votos expressos que no limite, daria ao PR liberdade de nomear alguém, não se passando o mesmo com a abstenção.
No meio desta conversa ficaram os dois baralhados e cada um com a sua opinião. Afinal o que representa, na prática, a abstenção e o voto em branco. Será que podemos esclarecer o António e o Carlos?
Uma abordagem interessante, sem dúvida. Falta aí explicar também a questão do voto nulo. Pelo que já li, há quem defenda que o voto em branco é uma espécie de "tanto me fez quem elegem". Já o voto nulo, na opinião desses comentadores, poderá ser uma expressão de não se identificar com nenhum dos partidos.
ResponderEliminarE agora pergunto eu: o voto nulo dará também poderes ao PR para nomear alguém para o governo? Penso que sim.
Como disse no início, está aqui um dilema muito interessante, que demonstra o que se passa na cabeça de muitos portugueses.
Gostava de ver aqui as várias opiniões dos entendidos na matéria,
O voto em branco em sinal de protesto é inútil nas eleições presidenciais porque não entra nas contas do apuramento final dos resultados; nas outras eleições, entra para a percentagem final.
ResponderEliminarNo caso das presidenciais, o voto em branco é irrelevante para o apuramento final dos resultados, já que a Lei Eleitoral do Presidente da República estipula que "será eleito o candidato que obtiver mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco".
A diferença é que em todos os outros tipos de eleição o voto em branco, tal como o nulo, apesar de não contar para a distribuição de mandatos, constitui uma percentagem no total dos votos apurados.
Na eleição presidencial, os votos em branco e nulos são excluídos do apuramento final dos resultados, chegando-se aos 100 por cento apenas com os votos expressos em cada um dos candidatos.
Feito este intróito, pessoalmente recomendaria sempre o voto nulo. Não recomendo o voto em branco porque, contrariamente ao que se pensa, nas assembleias de voto, aquando do apuramento, não é inteiramente líquido que um delegado ou elemento da Mesa não tenha a tentação de colocar a cruz num boletim de voto em branco!
Digo isto com conhecimento de causa, porquanto num acto eleitoral em que fui membro de uma Mesa viria a detectar, e comigo o delegado da CDU, que um membro da Mesa indicado pelo PP estava a preencher um boletim de voto em branco.
A coisa, depois de uma discussão acalorada, em que o visado negava e o delegado do PSD a admitir que também tinha visto, terminou com um considerar o voto como nulo e participar a ocorrência. Tanto quanto sei, nada sucedeu. Antes, sei que o cavalheiro continua a pertencer a Assembleias de Voto.
A abstenção não me parece que seja a medida mais recomendável, mas aqui apenas porque sou dos que acreditam que se temos o direito de voto o devemos exercer. Poder-me-ão dizer que o não exercício é uma forma de exercer o mesmo direito. Não concordo. O nosso descontentamento pode e deve ser traduzido numa acção, e essa acção passará, isso sim, por entregar o boletim de voto em branco ou nulo. E nem é preciso escrever frases insultuosas ou o que seja; basta que se preencham dois quadrados. Aconselho dois porque a Lei permite, conforme presumo todos saibam, que se considere válido um boletim de voto onde metade da cruz, por exemplo, esteja fora do respectivo espaço!
De qualquer modo, pretendo exercer o direito de voto a nível nacional no próximo dia 27 (e com escolha já efectuada) e no próximo dia 11 também (aqui assinalo que votarei num partido para a Freguesia e Município, e para a Assembleia Municipal noutro).
Por essa também ser a minha opinião, a abstenção é um não cumprir de um direito ou um dever depende da prespectiva, é que eu já aqui apelei ao voto em branco no dia 11 em Porto de Mós.Os argumentos são os do "António". Os "Antónios" desta terra que não se abstenham, votem em branco.
EliminarOlá Pedro
ResponderEliminarUm excelente post, que vale pela questão colocada e pelos comentários... fiquei esclarecido em algo de extrema importância e muito pouco explicado.. dada a relevância do blog, seria boa ideia pegares nestes comentários e fazeres um post com eles... longe de mim querer influir no que escreves aqui.
Mas confesso que fiquei preocupado... essa de o PR poder eleger quem governa com base dos votos brancos e nulos.. é assustadora.
Abraço Pedro.
Jorge
Por estas e por outras é que o vila forte marca pontos, normalmente fala de questões que nos interesssam a nós cidadãos ditos normais, este é mais um caso.
ResponderEliminarOra se votar é um dever de cidadania, parece-me evidente que anarca, o que se está a borrifar para tudo e todos, é aquele que se abstem.Quem vota em branco, é aquele que quer participar activamente ,mas que não se revê naquele acto em concreto em nenhuma das candidaturas, mas quer que o seu voto conte para os resultados finais, e isso faz toda a diferença.É por isso que os popilicos gostam de confudir as pessoas,a abstenção para eles não conta nada, nem para os deputados a eleger nem para o dinheiro que recebem.O nulo tem a justificação dada noutro comentário, que pessoalmente pensava só existir nas associações de estudantes, mas como vemos os nossos politicos,alguns,não passam de garotos crescidos.
Votarei dia 27 num partido em concreto, mas dia 11 só votarem num partido para a Assembleia Municipal.
Será presunção da minha parte afirmar que o "Carlos" vai votar em branco,pelo menos para as autárquicas?
ResponderEliminarBoa tarde,
A questão dos votos em Branco, Votos Nulos, Abstenção , é uma questão que surge em cada acto (ato) eleitoral, sendo que aumenta ou diminui de importância conforme o contexto político em que se realiza a eleição, como estas duas próximas são de importância elevadíssima , esta questão é mais analisada e discutida.
Para mim, quem utiliza qualquer uma das três situações, por muito que esteja descontente com o estado da nação, com o estado da política e dos políticos , só demonstra défice de dever cívico , défice de convicções , de entidade, pois todos nós devíamos de ter convicções que servissem de trave mestra para as nossas vidas, e os actos atos ) eleitorais são de extrema importância para todos nós ...
Cumprimentos,
O que está em causa em 27 de Setembro próximo, não é saber se o voto branco ou nulo conta para alguma coisa objectiva na vida dos portugueses, ou ainda qual o significado da abstenção.
ResponderEliminarÉ evidente que quem questiona neste momento esta matéria, pode querer intitular-se anarca, pessimista, optimista, ou até de modernices pequeno burguesas.
Quem neste momento não se sente representado em qualquer partido politico concorrente a estas eleições, pura e simplesmente não vota e do meu ponto de vista é a forma mais objetiva de dizer não aos politicos que temos. Mas cuidado com esta tese muito em voga de que se esses forem a maioria, então a democracia em vigor tem que mudar mesmo sem opinião expressa do que querem, pois nos abstencionistas há uma parte considerável de eleitores fantasmas( mortos) e outros por razões diversas e objetivas também não podem votar.
Quanto aos votos em branco, sou totalmente contra, pois a minha experiência politica de muitos atos eleitorais, diz-me por fatos concretos que eles foram objeto de manipulação e de repente depois de contados como brancos rápidamente passaram mais de 50% a votos expressos em determinado partido. Só quem nunca esteve numa mesa eleitoral, é que pode apelar ao voto em branco.- è um voto que se Presta a todas as manipulações nas mãos de gente sem escrupulos e nessa matéria tenho grandes conhecimentos de fatos concretos n0o concelho de Porto de Mós.
Não querendo ensinar ninguem a votar e a escolher, sempre digo que sempre houve pessoas que nunca simpatizaram com esta representatividade democrática( ?) do voto e lembra-me de uma metáfora que esteve em voga em Portugal depois do 25 de Abril de 1974 que era a seguinte : O voto é a arma do povo, mas se a utilizo, fico desarmado. Hoje, com a falta de credibilidade politica da maioria dos politicos, devemos ficar em casa com a arma carregada ? ! E se os inimigos da reoresentatividade disparam já a sua arma o que fazemos exatamente agora ?!, se só daqui a 4 anos nos admitem usar a nossa arma (voto)? !
Sugiro ao António e ao Carlos que arrume os preconceitos de votar fora do PS e PSD. Vote CDU que não se sentirá no futuro traído com o que pensa ser o resultado do seu voto coerente, com o desejo de que todos possamos viver melhor, excepto os muitos ricos, se for a CDU a formar governo sózinho ou em coligação.Estamos preparados e capazes de ser poder sem enganarmos os eleitores.
Meu caro amigo, aqui não estamso de acordo. Antes de votar CDU há uma enorme variedade de soluções que quem não aprova estes canddatos , ou estes programas deveriam fazer: candidatarem-se, propor movimentos de cidadãos, organizar manifestações de protesto, angariar abaixo assinado a favor ou contra . Só em último recurso e em desepero de causa, deveriam votar CDU, por uma razão simples . já não seriamos enganados: não mudam de programa, nem de estratégia nem de insiradores ou de doutrina. E isso é no mínimo coerente e não se escolhe no "escuro". Mas claro que aqui eu sou centro- direita e o Carvalho é de esquerda. E assim está bem . Podemos escolher entre caminhos diferentes para a organização do estado .
EliminarSó para acrescentar que, depois de lidos mais uns comentários, se comprova que o VOTO EM BRANCO é um perigo!
ResponderEliminarMeu caro PEDRO OLIVEIRA creia que é com imenso gosto que o leio e comento.
Não sei se vai ajudar, mas a LUSA publicou em 02.Jun.09 o seguinte esclarecimento:
ResponderEliminar"CNE esclarece que maioria de "brancos e nulos" não invalida eleições
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) esclareceu, hoje, que uma eventual maioria de votos em branco ou nulos nas eleições europeias de domingo não invalida o sufrágio, contrariando mensagens anónimas que têm vindo a ser difundidas pela Internet.
"Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos relativamente a cada lista concorrente à eleição, não têm influência no apuramento do número de votos e da sua conversão em mandatos", lê-se em nota oficiosa da CNE, onde é renovado o apelo à participação nas eleições de domingo para o Parlamento Europeu.
O texto, assinado pelo presidente da CNE, João Carlos Caldeira, adianta que "a eleição é válida, na medida em que existam votos validamente expressos e que apenas esses contam para efeitos de apuramento dos mandatos a atribuir, ainda que o número de votos em branco seja maioritário".
Os responsáveis da CNE, confirmando a solicitação de "esclarecimentos" por parte de um "número significativo de cidadãos", esclarecem ainda que qualquer boletim de voto apenas é considerado "em branco" quando "não tenha sido objecto de qualquer tipo de marca".
Lusa
Sr. António Carvalho, partindo da sua ideia, eu que estou a pensar em abster-me não o vou fazer para votar CDU, e entretanto como eu milhares iriam fazer o mesmo e mais uns que se mudavam, a CDU poderia ganhar com mais de 2/3 da votação e depois ao melhor estilo comunista todos os partidos seriam proibidos e viveríamos felizes num regime de partido único, o PCP, porque os Verdes já eram, e o voto que era a arma de guerra passava a fisga sem elásticos.
ResponderEliminarCaro João Paulo, a questão que levanta é de fato reveladora de como as máquinas de propaganda politica e ideológica do capitalismo, tem uma força enorme.
EliminarSe o João Paulo já tinha pensado em abster-se, não me diga que agora já vai votar num qualquer partido, só por pensar que a CDU pode vir a governar este País.
Meu caro, onde é que encontra nos estatutos, na orientação programática de acção politica e nas relações entre as organizações politicas e partidos, referências xenofobas , racistas, defesa de partido único, nos documentos do PCP ou na CDU ?
Sendo o PCP, o partido que mais luta e refere que é necessário cumprir a Constituição da República para que se possa melhorar o regime democrático e que nessa mesma democracia é vital a existência de partidos politicos e eleições livres, porque raio é que grande parte dos eleitores que até dizem que os partidos são todos iguais, têm ou dizem ter medo que a CDU possa governar Portugal e dizem que nesse é que eu não voto!!? Afinal, esses mesmos, são os primeiros a reconhecer que não são mesmo todos iguais e que demonstra claramente quanto são hipócritas e mentirosos.
O PCP e a CDU, não vivem de modelos ou de esmolas que parecem ajudas. Sabemos todos que em politica não há almoços de borla e que a independência politica dos partidos politicos , só é possível enquanto não se deixaram minar pelas ajudas económicas, ou individualmente aos seus dirigentes. E é aí que está o cerne da diferença politica e ideológica. E nessa matéria, a direita e o poder do dinheiro e do capital fundiário raramente se enganam quanto à identificação do adversário ou inimigo. Sabem bem que em Portugal a única força politica que não tem amarras, nem medo de afrontar esse poder, (muitas vezes ilegitimo e mafioso) é de fato o PCP. Não tenha medo que esse estado de alma (medo) não é só pertença dos fracos e dos pobres. Infelizmente alguns até perderam a vida a lutar para que eu pudesse falar e debater consigo, exatamente aquilo que é verdadeiro e contraditório. A Perfeição é utopia, mas creia que o mundo não é o capitalismo durante toda a vida. Somos uma espécie em evolução, que às vezes até acaba em tragédia. Outros virão que vão descobrir outros planetas e a mentira há-de ser outra, mas sempre com a mesma estratégia. O Capital contra o trabalho. É a contradição insanável, como a verdade está para a mentira.
É interessante dedicar mais atenção a estas escolhas do que às escolhas que os Partidos políticos oferecem. Lamento que a decisão final do cidadão (o voto)seja uma das opções aqui em apreço: por uma razão simples, os partidos não conseguiram alargar o leque de cidadãos interessados no seu programa e nas pessoas que escolheram para os pôr em prática. Lamento ainda mais , quando depois das eleições todos entram em reflexão profunda para logo a seguir cometerem os mesmos erros. Do meu ponto de vista são apenas manifestações de protesto com cambiantes e significados diferentes que não resolvem o problema de fundo da democracia Portuguesa: a ausência de ligação entre eleito e eleitor. Mas se quiserem manifestar o seu protesto escrevam no boletim quem gostariam de ver a liderar os destinos , quer a nível nacional, quer a nível local: pelo menos serviria para animar os escrutinadores na contagem dos votos e ninguém se atreveria preencher o quadrado do boletim. Efeito final ...exactamente o mesmo não conta para a atribuição de mandatos.
ResponderEliminarEu vim mesmo ler os comments para também ficar mais esclarecida.
ResponderEliminarO voto em branco, além de ser uma inutilidade, é perigoso. Alguém na mesa pode aproveitar um momento de distracçaõ dos outros e fazer a cruzinha onde lhe convém.
ResponderEliminarA abstenção é própria daqueles que se demitem do seu direito ( não lhe dão valor) mas depois passam a vida a criticar os elitos. Não tenho qualquer simpatia por essas pessoas.
O voto nulo é uma inutilidade. Embora já o tenha usado uma vez nas presidenciais... mas era muito jovem e inconsciente!
Concordo com CBO e acrescentaria:
EliminarNão haverá, entre as 15 propostas eleitorais, uma sequer que mereça a confiança de um voto?
Reconheço que não é fácil escolher perante propostas tão diversas, que se cruzam entre identificações e divergências entre si. Umas são mais conhecidas (e propagandeadas, publicitadas, suportadas nos media) que outras, umas merecem mais credibilidade que outras, mercê muitas das vezes da credibilidade dos protagonistas que as defendem.
Mas a escolha que implica um voto é um acto de cidadania que, para ser sério, implica algum esforço da parte de quem o deve efectuar. Sem um esforço de compreensão das múltiplas questões em jogo e das soluções apontadas, priorizando-as segundo os próprios princípios e valores, cai-se numa situação passiva em que se deixa quase totalmente aos "outros" o encargo de formar a n/opinião. Concomitantemente, sem o escrutínio dessas "opiniões outras", que se deve fazer seguindo a bitola dos referidos valores, fica-se baralhado e incapaz de efectuar "a escolha".
Sem me alongar demasiado, concluiria que a decisão de votar implica algum esforço prévio e que, no meu entendimento, um voto "não validamente expresso" significa que esse esforço não foi efectuado ou, tendo-o sido, não foi bem conduzido. Ressalvo as situações em que as opções são diminutas (o que não é o caso), e mesmo nestas, a conclusão de que nenhuma proposta seria suficientemente merecedora do voto mereceria como resposta a construção de uma nova alternativa. Só assim se assume a cidadania de corpo inteiro.
Escrevo isto por me ter visto na situação apontada no post , ainda antes das eleições europeias. Dos 5 votos que deveria depositar em 2009, só um estava claro para mim, o relativo à Câmara Municipal do Porto. Investi boa parte do "meu tempo" a conhecer as alternativas. Posso dizer que votei Laurinda Alves para a Europa e, muito provavelmente, votarei em 3 partidos diferentes nas autárquicas. Quanto às legislativas, reduzi as opções a duas e uma destas terá de certeza o meu voto no dia 27 (se votasse em Lisboa a opção já estaria feita, a favor de Rui Marques). Não votar, ou votar branco ou nulo, é que me "incomoda" como opção; fica sempre, em qualquer dos 3 casos, um sentimento de "demissão".
Pedro Oliveira, parabéns pelo seu texto. Este mostra, de novo, que este blog é muito mais que um blog regional.
ResponderEliminarA democracia, em Portugal, nasceu do 25 de Abril. Conheci, infelizmente, o fascismo. Podemos afirmar, sem qualquer dúvida , que a blog-esfera, tal como ela existe hoje, teria dificuldades em existir debaixo do Salazarismo.
Introdução feita, o seu texto remete para a política. Faço minha a tese de Hannah Arendt : A política é pluralidade humana.
A democracia permite essa pluralidade , ou seja, o pensar da política.
Excluir ou estigmatizar os abstencionistas , os votos brancos ou nulos não será negar a política ?
A política existe no espaço que há entre os homens. Esquecer esse espaço talvez seja abrir portas a novos Deuses e a novos totalitarismos.
E Viva o Porto !
Creio que um dos problemas da nossa democracia é precisamente o facto dos votos nulos, em branco e da abstenção não serem vinculativos para o resultado das eleições.
ResponderEliminarA não ser que a soma destes atinja um resultado escandaloso, a rondar os 90%, não me parece que haja coragem para repetir eleições. O que nos obriga a votar sempre num partido, se queremos que a nossa voz seja ouvida. É injusto? Sem dúvida. Mas é que temos. Pelo menos até que a sociedade civil se mobilize e interesse definitiva e verdadeiramente pelos destinos da nação...
Em meu entender, a abstenção em nada impede que os “suspeitos do costume” sejam sempre eleitos pelas respectivas máquinas partidárias e tem o defeito de englobar tanto os que querem protestar como os que “não querem saber” e deixam os outros decidir por si.
ResponderEliminarO voto em branco e o voto nulo contam para as percentagens de votação, mas, mesmo maioritários, não invalidam os resultados eleitorais, pelo que, mesmo com a minoria de votos expressos, os partidos ou forças políticas que receberam tais votos elegerão sempre os respectivos representantes. E podem assumir, sobretudo se em dimensão suficiente, a natureza de um voto de protesto, mas ambos exprimem uma posição meramente negativa, do estilo “sei que não vou por aí” mas não sei por onde devo ir.
E o voto em branco, sobretudo quando não há garantias de fidedignidade do apuramento eleitoral, é susceptível de falsificação através da simples colocação de uma cruz.
Por mim, prefiro o voto afirmativo e sinceramente acho que nestas eleições legislativas as candidaturas que apresentam projectos e propostas que permitam salvar o país da catástrofe devem merecer o voto dos portugueses.
http://soproleve.blogspot.com/2009/09/alguem-vai-voltar-acreditar.html
ResponderEliminarSr. António Carvalho, não podia estar mais de acordo consigo, no entanto tenho que lhe dizer que toda a retórica do PCP, cai por terra quando afirma que Cuba é uma democracia modelo, e os antigos países da Europa de leste também o eram, e que a Coreia do Norte está num limbo em que não existe nenhum dirigente comunista a condenar o que se lá passa. Por isso tenho todo o direito a pensar que o PCP MENTE quando fala em dar a voz ao povo e todas as outras coisas bonitas que apresentou, quem me garante a mim que o PCP no poder não fazia o mesmo que a China (exploração do trabalhador), que Cuba (proibir os trabalhadores de terem Telemóvel , TV cabo, computador, frequentar hotéis, ou sequer sair do país sem autorização prévia), ou a Coreia do Norte que ameaça o mundo com armas nucleares e a população morre à fome, ou ainda como na Birmânia onde a junta militar comunista tem presa a líder da oposição há anos.
ResponderEliminarNada me garante, antes pelo contrário, porque se assim fosse, até podiam elogiar algumas virtudes que certamente existem, no entanto tinham a obrigação moral, de acordo com o que disse, de condenar veementemente todos os atropelos aos direitos humanos que se passam nesses países, não o fazendo são cúmplices.
Boa Paulo ! Essas suas dúvidas são elementares para a questão.
EliminarNão sou guardião do templo de ninguém, nem quero assumir essa responsabilidade perante aqueles que conheço, quanto mais para desconhecidos. Há contudo para mim uma relativa certeza, quanto ao conceito de democracia atualmente em voga, sobretudo na prática politica do mundo ocidental (Cinismo, hipocrisia e pilhagem de valores). E olhe que também no poder autárquico em Porto de Mós se está a caminhar depressa para essa degeneração democrática"-Quem não está comigo, está contra mim." Essa era a tese de Salazar e do partido politico único (ANP) que sustentava o regime.
Não domino as TIC, mas conheço a sua enorme capacidade de fazer aparecer imagens, vozes e conteúdos fabricados em laboratório, que dificilmente a maioria descobrirá que são autênticas maquinações à inteligência individual e colectiva, que são vendidas como máquinas manipuladoras de consciências sociais.
As armas nucleares da Coreia, ou Irão se eventualmente as têm,(olhe o Iraque) deverão ser iguais às dos EUA, França, Israel ou Paquistão ou Rússia. Olhe quem lhe poderá dizer melhor o que são, são os Japoneses, quando os EUA, já depois de ganha a guerra, lhe deitaram aquelas 2 novas experiências tecnológicas de guerra, para saber da sua eficiência.
Não quero armas nucleares nas mãos de ninguém:, - a espécie humana é insensata, quando pensa que pode dominar os outros. Ou por convicções, ou pela força. O que me entristece muito é que algumas pessoas gostem tanto de criticar determinado comportamento ou atos de uns, mas o aceitam como o mais democrático se forem outros ( os do seu lado).
Desculpe este desabafo, mas cada vez que me confronto com a tese que me apresenta, não resisto à questão. Gosto mais de pão muito tempo, do que da vida por horas, porque sem ele não vivo. Por isso dispenso bem as teorias, quando a fome me aparece no meu ou em outros estômagos. Por isso e´ que muitos dos nossos politicos são tão sábios e de grandes visões. Conseguem dizer que os desempregados, analfabetos, indigentes, deficientes e outro tipo de gente, não devem ter dinheiro social, porque se tornam parasitas. Nós, onde me incluo, pequenos burgueses, somos um poço de sabedoria e de virtudes morais e intelectuais. O pior, são a fome, a miséria e falta de água que matam milhões de crianças e adultos no mundo inteiro, que às vezes homens e mulheres sérios de comportamento cívico nos exibem como espelho da nossa mesquinhez.
Mais uma vez foge à questão com a retórica do costume. Elucidativo.
ResponderEliminarQual é a retórica do costume ? A de dizer e comentar aquilo em que acredito e de que conheço alguma coisa? Bem, se não é essa a sua visão da minha participação no blog, então não precisa de me ler, pois gastar olhos e tempo em palavras e opiniões das quais não se pretende colher algo de novo é para mim pouco salutar e nada apelativo.
EliminarDificilmente me irá encontrar neste ou noutro blog a dizer : porreiro pá- gostei : è fixe, meu : è pá a tipa é gira e bué de curtida. Isto talvez seja da idade, mas eu sei que vai passar, quando tiver 100 anos, pois é esse tempo que quero viver. È que sou mesmo exigente com a vida, com as coisas onde participo e gosto muito de brincar e rir, até às vezes com coisas sérias. Adoro(como diz o meu neto) os momentos de convívio humorista e o prazer de ver gente feliz à minha volta é tão importante para mim como a minha própria alegria de viver. Sei porém, que em certa dose, tudo é relativo na vida.
Mas se o João Paulo quer que lhe diga que não há democracia na China, então eu digo-lhe que não é aquele o estilo de democracia que quero para o meu país e para o mundo, pois o meu conceito de democracia não é o que lá impera. Como não o é no Irão, na Coreia do Norte ou na Libia.Em Cuba, onde fui em Outubro passado, em férias de trabalho voluntário durante 16 dias, não gostei dos níveis de desenvolvimento económico, da
pouca qualidade da comida e ainda da falta de asseio e higiene. Falei com descontentes do regime que manifestaram desilusão quanto aos resultados da revolução no plano das necessidades primárias e da dificuldade de arranjar dinheiro e vistos para sair de Cuba. Quanto aos ex países de leste, estou à vontade para dizer que nunca visitei nenhum antes da queda do muro de Berlim, mas por aquilo que soube e do que lia nas entrelinhas, algo de grave se instalou na classe dirigente desses países, como nos desvios fundamentais da democracia - liberdade de expressão e organização social.
Quero ainda dizer-lhe que Cuba me satisfez, no nível do ensino e saúde, na politica infantil , juvenil e nos idosos que são de fato previlegiados em relação aos outros cidadãos, Gostei também de saber que não há propriedade privada e que tendo percorrido cerca de 2000 Km em Cuba, vi em concreto as débeis estruturas de ordenação do território. Também não fui a Varadero e felizmente a prostituição também foi grandemente combatida e hoje é notória a redução desse flagelo social que foi anos seguidos uma vergonha para a sociedade cubana. Gostei ainda de trabalhar em actividades agrícolas (plantação de mandioca e monda de feijão) sendo a agricultura quase rudimentar. Fidel Castro é um herói para a maioria dos cubanos e e seu prestigio politico é intocável. E nesse sentido, é o caminho a seguir como possível para a humanização deste planeta.
Para acabar a retórica, quero ainda dizer-lhe que quem mandou construir o muro que divide as Coreias(do Norte e do Sul) foram os americanos, assim como têm a sua fronteira com o México também electrificada com alta voltagem (que mata quem lhe tocar). Já agora também considero que na Arábia Saudita, os tais direitos humanos de que tanto gosta de invocar,são letra morta e as mulheres também não têm direito a voto.- Que nas Honduras, um leque de militares golpistas e fascistas, também agarraram o Presidente democráticamente eleito e exilaram-no para fora do país, por o mesmo propor um referendo popular. Que Israel, constroi colonatos em terras da palestina e constroi muros de separação. Que a tão poderosa BP (Inglesa já se vê) humanitariamente intercedeu democráticamente ao governo de Sua Magestade, por um assasino de centenas de pessoas num avião americano, que por acaso era libio - o tal terrorista de há muitos anos, mas que agora fazendo 40 anos de poder - Kadafi ,também democrático, foi homenageado entre muitos pelo nosso Sr. Ministro Luis Amado. Causas nobres dos direitos humanos.
Gostei, finalmente, de o ler, porque salvo algumas nuances, disse exactamente o que penso e o que os dirigentes do seu partido teimam em não dizer ou fazer, é que se fosse como diz até eu votava PCP, no entanto a realidade ultrapassa-nos , e a lógica do comité central e dos apoios a organizações terroristas tipo FARC , deitam por terra, infelizmente, a credibilidade do PCP.
ResponderEliminarViva João Paulo! Eu tinha a certeza que você desejava que eu dissesse aquilo que você desejava ver escrito por mim e que efetivamente pensa...Mas olhe que não costumo trocar alhos com bugalhos.
EliminarGosto de ter ouvidos e olhos abertos para todos os lados, embora tenha uma opção de classe e sou ideológicamente marxista/leninista sem qualquer complexo. E olhe que não é por ter escrito ontem aquelas coisas, que altero uma virgula, sobre essa matéria. Ter opinião e não ter medo por ela ser dita.
Posto isto, acrescento- Quando estive em Cuba, nas tais férias de trabalho e apoio a Cuba, estavam pessoas de 29 países e entre eles Colombianos. Tive a felicidade de falar com duas jovens e que desconhecendo quem eu era, ficaram muito reservadas quando lhe perguntei a sua opinião sobre o conflito colombiano, mas manifestaram um desejo enorme. O Povo colombiano, há-de ter força para acabar de vez com a guerrilha das FARC, mas também com os esquadrões da morte de direita e apoiada pelo governo e pelos EUA.
Quanto aos dirigentes do PCP, quero dizer-lhe que estao certos que alguns métodos que praticam os dirigentes das FARC, são condenáveis, mas não são razão para vender principios, nem alimentar oportunismos a troco de nada. Foi uma mentira sem vergonha de certa imprensa portuguesa, colar a Festa do Avante às FARC e ainda a outros partidos e organizações progressistas presentes na mesma, que felizmente poderão continuar a acreditar na solidariedade efetiva do PCP na luta global, por uma sociedade diferente e melhor.
O PCP, é de fato o grande e histórico partido que honra o seu povo e os seus amigos de caminhada, mas não deixará de ter o seu caminho próprio e independente, porque os comunistas portugueses assim o querem. Digno, vertical, assumido e sem medos, repudiando as moedas de Judas, sabendo das suas razões e dos seus defeitos, porque é tão só feito por homens e mulheres que não se acomodam.