Bairro Alto

Não sou um grande consumidor de televisão. Procuro fazer uma selecção dirigida, não perder um noticiário à noite, os jogos de futebol… É raro fazer zapping à espera de ser surpreendido!


 Numa das raras vezes em que o fiz, há duas semanas atrás, parei na RTP2. Encontrava do lado de lá do ecran um amigo que não via há algum tempo: O Zé (Eduardo) Fialho Gouveia (sim, o filho de uma das grandes figuras da televisão em Portugal, infelizmente desaparecido cedo de mais). Conheci o jovem Zé Fialho Gouveia (já conhecera pessoalmente o pai no meio da nossa comum paixão chamada Benfica) no SOL, onde ele entrou (e se mantém) como jornalista júnior e onde, para além da sua qualidade profissional, se distinguia como bom conversador e pela dinamização e coordenação de um jogo interno de apostas nos resultados do futebol, uma réplica do mesmo que corria (e corre) nas páginas do jornal através de apostas de um conjunto de figuras públicas tal como, de resto, acontece no Expresso.


Foi uma surpresa. Não esperava encontrar o Zé Fialho como apresentador de televisão e, claro, fiquei. À sua frente, como entrevistado ou, talvez melhor, como parceiro de conversa, estava então o actor Virgílio Castelo. Fiquei a assistir a um excelente programa de televisão, um espaço de conversa, de tertúlia e até de boémia que, de facto, não podia ter outro nome: Bairro Alto. Um espaço que é isso mesmo!


As suas qualidades de entrevistador estão bem patentes nas Entrevistas Imprevistas com que semanalmente nos brinda na página 2 do SOL. Mas em televisão é diferente. Mantendo o tom próximo e informal que se descortina no jornal, a televisão mostra-nos tudo o resto. Mostra-nos esses mesmos tons mas com ritmo, um ritmo também ele feito de informalidade, face to face, sem mesa e sem adornos.


Depois… Bom, depois é a qualidade dos conversadores, do Zé Fialho e dos parceiros que escolhe, tudo gente que tem coisas interessantes para dizer. Tudo gente a quem ele tem coisas interessantes a perguntar. Sem rede, sem subterfúgios e num delicioso tom intimista. Com verdade. Sem vender gato por lebre! Porque, mesmo quando o gato é bom, mesmo fedorento, (afinal esmiúçam os políticos com perguntas do seu conhecimento prévio!) não é lebre!


Ah… e não posso deixar de trazer aqui uma resposta do Virgílio Castelo quando interrogado se seria de direita ou de esquerda. Mais ou menos isto: “… a classificação já não faz muito sentido…  os problemas que hoje enfrentamos  têm uns, respostas de direita e outros, de esquerda...” Interessante, acho eu!


Não sei quem lá irá estar hoje com o Zé Fialho. Mas... a não perder: RTP2 – 23:30!


 

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