Candidatos a Primeiro-Ministro?
Há já uns anos que se institucionalizou a expressão e a imagem de candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas. Os líderes dos dois crónicos partidos com potencial de governação – também discutivelmente apresentados como partidos com vocação de poder – trataram de se apropriar da expressão. Os restantes começaram por reclamar dessa descriminação mas acabaram por se resignar.
Se, em boa verdade, sabemos que a expressão é conceptualmente inapropriada também sabemos que, na prática, ela corresponde à realidade dos factos. Em Portugal, desde a instauração do actual regime, os líderes circunstanciais do PS e do PSD, quando concorrem a eleições legislativas, são efectivamente candidatos a primeiro-ministro. E deles tem saído, sempre e nessas circunstâncias, o chefe do governo.
Pois, desta vez, até poderá não ser assim!
Estamos perante um sério, um muito sério espectro de, das próximas eleições legislativas, sair um quadro de ingovernabilidade. Tudo dependerá da forma de protesto que o eleitorado encontrar para expressar a sua desilusão. A desilusão com a realidade governativa destes (muitos) últimos anos a que se junta a desilusão com a campanha eleitoral, com propostas e debates que ignoram a dura e grave realidade do país, vindas de um naipe de políticos em delírio, que acha que para ganhar eleições tem de perder a cabeça. Em que anda tudo louco!
Esse esperado protesto poderá manifestar-se por três vias: abstenção, voto nulo ou branco e/ou voto de protesto. Este, naturalmente, canalizado para a esquerda do PS, em particular para o Bloco de Esquerda (o PC, com um eleitorado mais fixo, não tem a mesma margem de progressão) e, ainda que residualmente, para os novos movimentos que se apresentam pela primeira vez a eleições. A abstenção, grave do ponto de vista da saúde da nossa muito doente democracia, poderá ser a de menores consequências para o quadro do esperado bloqueio das soluções governativas. Todas as outras, embora mais saudáveis no plano do funcionamento da nossa (doente, repito) democracia, convergem para o bloqueamento das soluções de governo.
O PSD tentará o voto útil da direita e limitará o crescimento do CDS/PP, coisa que o PS não conseguirá fazer à esquerda. Até poderá ganhar as eleições, mas nunca logrará um resultado que lhe permita garantir uma solução própria de governo. E dificilmente encontrará um CDS/PP com score eleitoral que lhe permita reeditar a anterior maioria.
O PS poderá ganhar as eleições, mas sempre por margem mínima. A esquerda, muito provavelmente, logrará atingir a maioria no Parlamento. Mas isso não resolve coisa nenhuma pois, com Sócrates, já se viu que não há qualquer possibilidade de entendimento à esquerda. PCP, BE e Sócrates não fazem parte da mesma equação.
Resta, como fórmula governativa, a solução Bloco Central . Completamente inviável com o mesmo Sócrates e com Ferreira Leite.
E, claro, falta o Presidente República. A variável chave com vida muito difícil, particularmente se, como se espera, estiver a pensar na reeleição. E é aqui que começa a desenhar-se a possibilidade de, pela primeira vez, o próximo primeiro-ministro não sair dos dois actuais candidatos. Mesmo por cima da notória vontade do Presidente!
Sócrates, neste quadro, parece que não faz parte da solução ... mas do problema.
Vêm aí tempos ainda mais difíceis!
As sondagens,as tais que falharam, dão a pouco mais de 15 dias das eleições 5% de vantagem ao PS, para mim este "score" seria impensável depois de 4,5 de governação deste executivo liderado por Sócrates e depois da vitória do PSD há bem pouco tempo nas europeis. Depois de assistir ontem ao debate, em que sinceramente desejava que Louçã vencesse Sócrates por KO, vi, acho que vimos todos, um Sócrates bem preparado e a surpreender com o programa do BE e colocar Louçã em posição de contra-ataque atabalhoado e não em ataque continuado. Não quero dizer que Sócrates ganhou aos pontos ao Louçã, mas na posição em que está Sócrates só pelo facto de ter conseguido não perder claramente o debate ganhou folego e como me disse ontem um amigo do PSD conhecedor dos meandros politicos, depois da ida, desatrosa no timing e pelo conteúdo politico,de MFL à Madeira e do debate de ontem, no PSD já há quem esteja muito preocupado com o debate de sábado...
ResponderEliminarQuanto ao seu post Eduardo Louro, é verdade o que diz mas depois do meu post de ontem e do que tenho visto e ouvido estes dias na pré-campanha a nível nacional e local, chego à conclusão que apesar de tudo, e digo mesmo tudo, os Portugueses gostam de maiorias absolutas, absolutistas, mesmo que se queixem delas.
abraço
Meus caroa amigos, ontem foi a uma vidente, daquelas que dizem que sabem tudo, e no fundo não sabem nada, mas desta vez parce que vai acertar, diz que quem vai ganhar estas eleições, é o partido da abestenção será verdade???
ResponderEliminarAntónio Assunção
VOZ DO GOULINHO
Eduardo, não inventamos nada de novo: timor tem uma solução muito interessante: o partido que ganhou as eleições não governa Timor. E esta hem?
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