Curiosidades eleitorais

É já tradicional, nas nossas noites eleitorais, que ninguém perca. E não é que desta vez quase que têm razão?


 


Parece-me que quem verdadeiramente perdeu foi o país, mas isso também já não é grande novidade. As sondagens também voltaram a perder. Mas nem o país nem as sondagens são partidos políticos.


 


O PS ganhou as eleições; perdeu mais de meio milhão de votos em relação às últimas eleições mas… ganhou. Sem discussão! O PSD obteve um mau resultado, mas ganhou votos e deputados em relação a 2005. O CDS, ninguém terá dúvidas, ganhou. E, se dúvidas houvessem, bastaria seguir a noite eleitoral. É sempre fechada pelo partido ganhador e ontem foi fechada por Paulo Portas que aguentou…aguentou e falou só depois de Sócrates! O Bloco ganhou, apesar de derrotado pelas sondagens (e até pelo método de Hondt). Duplicou os mandatos, ultrapassou os 500 mil votos que colocara como fasquia e, portanto, ganhou. A própria CDU, que ganha sempre, apesar de cair para a última posição dos partidos com representação parlamentar, conquistou mais 30 mil votos que nas eleições anteriores e ganhou mais um deputado. Uma festa, portanto, para todos!


 


Duas novas forças políticas a merecer atenção: a abstenção, a maior força política no país, representando mais de 39% do eleitorado, e os famosos brancos e nulos, já com significativa expressão eleitoral.


 


O resultado do CDS ou, talvez mais propriamente, de Paulo Portas é de facto notável. Como notável é a sua teimosia em contrariar as sondagens. É consequência da autêntica máquina em campanha que Paulo Portas na realidade é (não confundir com máquina de campanha, porque essa é do PS, como se viu), através do que conseguiu roubar muitos votos a PS e PSD, mas também de uma eficiência ou de uma produtividade do voto fora do comum (ver quadro abaixo).


 


O método de Ont favorece os grandes partidos que, nestas eleições, precisaram em média de cerca de 21 mil votos para eleger cada deputado. O CDS de 28 mil, a CDU de 30 mil e o BE de 35 mil. Curiosamente, o BE, que era apontado como o mais favorecido por este método de atribuição de mandatos – por concentrar o seu eleitorado nos grandes centros urbanos seria menos penalizado pela dispersão de votos – acabou por ser o mais penalizado, ou talvez melhor, por ser objecto da mais baixa eficiência de voto: o CDS, com mais cerca de 35 mil votos consegue mais 5 deputados; e a CDU, com menos cerca de 112 mil votos, atinge apenas menos 1 deputado.


 




Quadro de "eficiência" de voto



 



Mandatos



%



"Custo" de cada mandato



 



Número



%



Votos



     %



Votos



PS



96



42,48%



36,56



0,38



21.551



PSD



78



34,51%



29,09



0,37



21.104



CDS



21



9,29%



10,46



0,50



28.186



BE



16



7,08%



9,85



0,62



34.837



CDU



15



6,64%



7,88



0,53



29.727




 


Enfim, curiosidades…


 


 

Comentários

  1. Uma das características do método em causa é o facto de facilitar a estabilidade governativa, leia-se favorecer os grandes partidos e o bi-partidarismo.
    Quando se fala em alterar o actual método numa revisão futura a alternativa sempre referida é introdução dos círculos uninominais, esses sim esmagadores dos pequenos partidos. A título de exemplo, em Inglaterra onde funcionam os círculos uninominais, o parlamento é composto pelos Conservadores e pelos Trabalhistas. A terceira força política, os Liberais, já tiveram perto de um terço dos votos totais tendo conseguido menos de 10% dos lugares.

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  2. Eduardo, aconselho-o vivamente a reler os seus apontamentos sobre estatística e sobre as regras de ortografia. Este post é um verdadeiro conjunto de calinadas!!

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  3. Não percebi o objectivo do texto.

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  4. Eu sou franca, os textos deste senhor nem os costumo ler, são de tal maneira longos que corta logo o apetite.
    método de hondt!

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  5. Há regras para a escrita de textos minimamente apelativos.
    Textos longos, para serem apelativos têm que ser muito bem escritos.

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  6. Método d`Hondt, pois claro. Peço desculpa pelo disparate.

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