Debates na TV
Os debates televisivos entre os líderes dos partidos com assento parlamentar têm animado estas duas últimas semanas de pré-campanha. Os debates que, enfim, não fogem do tom geral da campanha e os longos debates de analistas e comentadores que neles descobrem o que ninguém descobriu, que enfatizam o que ninguém achou que merecesse atenção especial, que declaram vencedor e vencido. Que, em suma, alimentam e prolongam o espectáculo, como no futebol, onde o jogo não acaba aos 90 minutos. Começa!
É a televisão em todo o seu esplendor. Mas perversa!
Não estou muito preocupado sobre quem tem ganho e quem tem perdido os debates.
Até porque, ao contrário do futebol e à excepção das vitórias morais, a vitória é sempre do nosso clube. E como a maioria já tem o seu sentido de voto definido antes destes debates… Sim, porque eu não acredito muito nessa dos indecisos… esses não vão votar.
Se os debates na televisão fossem realmente decisivos em Portugal Paulo Portas nunca estaria preocupado e Manuela Ferreira Leite não sonharia ser primeira-ministra. E sabemos que nada disso se passa!
Mas preocupa-me que toda esta máquina de espectáculo contribua não só para evitar a discussão séria dos reais problemas do país, como para os contornar e mesmo subverter. Para trocar o o essencial pelo acessório. Para privilegiar a forma em detrimento do conteúdo. Para condicionar a própria postura dos candidatos, exclusivamente preocupados em acertar na mouche, no sound byte, no gesto ensaiado vezes sem conta com os seus consultores de imagem.
Lembremo-nos do debate entre Sócrates e Louçã. O debate onde provavelmente mais coisas estariam em jogo, no terreno onde se encontrará actualmente a maior faixa de intersecção do voto urbano.
Sócrates tira da cartola o ataque à classe média: a eliminação dos benefícios fiscais com a dedução dos PPR, das despesas com a saúde e a educação. Louçã acusa o golpe. Tenta explicar que é para simplificar o sistema e baixar taxas. Que os PPR só servem aos bancos. Que os serviços de saúde e de educação, prestados pelo Estado, serão gratuitos, o que é melhor do que pagar e depois deduzir uma pequena parte.
Mas já não vai a tempo. É trucidado pelo ataque à classe média. Fica grogue, perde capacidade de reacção e não consegue defender a sua dama.
E é isto que importa para as televisões. É isto que importa para os comentadores políticos. Esclarecer e fazer alguma pedagogia não tem importância nenhuma! Mas também foi isto que importou para Louçã. A não ser assim teria tido capacidade de reacção. É certo que o modelo dos debates, com tempos rígidos por matéria, não permite grande margem de recuperação, mas, se não tivesse sentido tão fortemente atingido, teria encontrado forma de reagir.
No entanto, e abstendo-me de a qualificar politicamente, a proposta é inatacável no plano da técnica fiscal. Reduzir taxas e eliminar deduções, normalmente complexas e de difícil controlo, torna a política fiscal mais clara e de maior simplicidade: declarativa para o cidadão contribuinte e de controlo para a administração fiscal (outra coisa, porque é fiscalmente eficaz num país que tem forte tradição de fuga e evasão fiscal, seria uma dedução única e geral sobre as despesas gerais do contribuinte, para fomentar o hábito de exigência de factura).
Como é inatacável que os PPR não podem tornar-se num produto financeiro que encontre na política fiscal o seu principal vendedor, independentemente de serem muito ou pouco utilizados pela classe média - um saco onde os políticos metem tudo. Sabemos, ou é necessário que saibamos, que são produtos particularmente interessantes para as entidades que os gerem. Ou não será frequente o seu rendimento ser inferior às respectivas comissões de gestão? Já Bagão Félix demonstrara ter percebido isto!
Já os abatimentos de despesas de saúde e de educação têm pressupostos eminentemente políticos. Discutíveis e a merecer discussão. É que, sustentar a sua abolição num critério de prestação gratuita pelo Estado, põe claramente em causa a intervenção privada nos respectivos sectores. Se o Estado prestar estes serviços com qualidade, premissa que não poderia estar em causa, e gratuitamente, que mercado ficará para os privados? Mas será que o Estado terá condições para responder, por si só e em exclusivo, às necessidades do país nestes dois sectores?
Não seria mais interessante que os comentadores dirigissem os seus imensos conhecimentos a este tipo de discussão?
Meu caro Eduardo,
ResponderEliminarNão tenho tanta certeza assim que os debates não sirvam para alterar o rumo da intenção de votos de algumas pessoas, e no modelo em que estes debates ocorreram diria mesmo que em relação a algumas forças politicas foi esclarecedor sobre o que são: o BE por exemplo se não fossem estes debates jamais a máscara demagógica de Louçã teria sido desmascarada como foi. O facto do tempo ser limitado foi favoravel a Sócrates e a Portas desferirem ataques cirurgicos sobre o que é ser um não partido em termos ideológicos.
Depois do debate com Sócrates ir para um comicio dizer que tinha poupado 500 milhões de euros a Portugal é de alguém que perdeu a noção da realidade, e ontem levou outro "baile" de Portas.É bom que as pessoas percebam que um partido é feito de ideais, de sonhos,mas também de honestidade intelectual e de um passado que seja coerente.É por isso que me custa entender os 11% desse não partido, mas se calhar sou eu que estou a ficar "cota".
È evidente que muitos gostam destes números do BE no momento porque assim tiram votos ao PS, mas a mim preocupa-me a subida de votos desta espécie de partido extremista e que o PSD não consiga ganhar não pelo seu mérito,mas á custa do PS perder votos para o BE.
Comicios, debates, sessões de esclarecimento para quê?
ResponderEliminarPara um cidadão minimamente atento só serve para cada vez mais se afastar da politica e do interesse pela coisa pública.
A afirmação falsa,a demagogia a falta de vergnha e de memória em que está transformada a politica portuguesa, obriga a este afastamento.
O cidadão sério,honesto e que acha que a coisa publica deve ser exercida de forma idónea,afasta-se.
Veja-se o JORNAL de LEIRIA desta semana pag 9.
SALGUEIRO afirma que a empresa que está a fazer o hotel está em construção e bom ritmo, logo não precisa de tomar posse do terreno e ir buscar os 250 mil euros que o Zé Ferreira obrigou a ficar a ordem da Camara.
Há mais de 3 meses que não se vê lá ninguém a trabalhar.
Salgueiro passa lá todos os dias.
COMO É POSSIVEL MENTIR TANTO??
Qualquer cidadão sabe que ele está a mentir e não se preocupa com isso.
Por estas e outras Portugal vai-se afundando.
Só uma pergunta- o que move Salgueiro a não fazer cumprir as regras do alvará de construção?
Vá-se lá saber porquê.
Caro amigo. os debates nas televisões têm três fins. 1º As audiências
ResponderEliminar2º Aumentar a conta bancária de todos os comentadores (ainda não percebi como é que alguns têm tamanho conhecimento de todos os assuntos que comentam)
3º Para os intervenientes poderem dizer mal uns dos outros.Alguem já ouviu o programa do PS,do PSD, do BE do PCP , para isso e que as televisões também deveriam servir, porque o povo não sabe o que pretendem fazer se forem eleitos.
Quanto ao comentário sobre o hotel já aqui disse que não passará de uma pequena residencial e o resto é para vender em apartamentos, o futuro o dirá.
O espaço televisivo para os debates partidários e politicos, são necessários e fundamentais para a clarificação politica e ajudam a formar opinião para a escolha eleitoral.
ResponderEliminarPenso que as questões colocadas, têm alguma razão de ser, nomeadamente quanto aos formatos dos debates, comentários ao resultado dos mesmos e aos temas em debate(Confronto).
Claro como água, é o aproveitamento que as empresas(televisões) fazem dos mesmos para vender um produto de uso permanente(politica governativa e oposição) para aumentar a venda de publicidade. É o custo da informação elevado ao máximo, que nós consumidores temos de suportar, às vezes de forma ingénua, outras por mero prazer.
Quanto às questões técnicas de executar determinadas decisões politicas, não me parece que as mesmas sejam relevantes para a discussão generalizada dos eleitores, nomeadamente as deduções fiscais que são por norma geral, mais uma forma burocrática de complicar o que é fácil. Se a politica fiscal não fosse muitas vezes torta para aplicar o direito(fiscal naturalmente), TERÍAMOS isenções técnicas por escalões de tributação e diferenciadas em função da espécie de rendimento, aplicadas informáticamente e sem papelada e burocracia quanto baste.
A grande propaganda que se faz sobre os incentivos fiscais em sede de IRS, é mesmo uma mentira sobre as questões reais da nossa economia politica e social.
Se o governo do País desenvolve uma politica de saúde voltada para o setor privado, cujos preços são de dificil acesso direto a grande parte dos cidadãos, que lógica tem manter deduções especificas na área das despesas de saúde? E se os PPR são tratados de forma quase idêntica e vendidos apenas para satisfazer a gula bancária e dos seguros, que lógica distribuitiva do PIB se quer fazer?
Não duvido que algumas vezes, a decisão politica de determinados sectores eonómicos e sociais, são objetivamente decisões acertadas e coerentes, mas os executantes técnicos destas decisões, são apanhados na sua zona de influência económica e de sujeição a ordens de quem os nomeou e aqui, entram outras formas de poder: - A ameaça velada do politicamente incorreto, o emprego da filha ou do genro, a empreitada de proposta já decidida, etc., etc.
Estas questóes, são as mais frequentes da nossa omissão em relação às exigências da discussão democrática, levando ao descrédito da causa pública.
A falta de civismo, disciplina que não consta dos programas educativos, são o reflexo de muitas lacunas da nossa democracia. Estacionar o carro, ocupando 2 lugares, destruir bancos de jardins, partindo árvores, atirando lixo para o chão, não ler nem escrever, etc., são exatamente aquilo que não de discute. A organização social, o respeito pelos bens comuns e a exigência de elevar o conhecimento cultural e temático de grandes áreas(economia familiar e social, ambiente, experiências culturais e relações inter pessoais entre outras) são no meu ponto de vista, o desafio que as campanhas eleitorais devim também equacionar e debater. Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas destruiram-se num ápice, quando esqueceram ou não quizeram o caminho da evolução. A glória também é efémera. Como nós, afinal, enquanto considerados individualmente.
Em análise....
ResponderEliminarNão fogem do tom geral de campanha.... Que tom é esse?
Analistas, comentadores, bruxos e afins servem para preencher o tempo de antena...... 2/3 programas é bom e necessários 30 programas é um tanto exagerado..... Parece impossivel mas já há mais comentadores do que politicos.
Não acredita nos indecisos... Aí está o erro da politica porque se vota na cor e não nas ideologias ou pessoas... Eu gostava que os 3 boletins entregues nas autárquicas fossem agrafados a titulo de investigação e daí apresentados e descobrir qual seria a % dos que votam pela cor, ou seja um X no mesmo "Bonecos".
P.s - A excepção confirma a regra á 4 anos ouve uma anomalia entre as camaras e as juntas.... Mas também não se sabia onde começavam uns e acabavam outros.
Opinião---
ResponderEliminarA 3ª força politica nacional ( BE ) pode voltar a surpreender:
Temos os que votam pela cor sem se interessarem por quem é, que fazem ou fizeram.....
Temos os que não querem Sócrates, a ver pelas europeias; eu não sabia quem era o candidato o Vital ou o Sócrates e levaram na boca á grande. Mérito óbvio também para o Paulo Rangel, mas esse, não está lá agora
Temos os que não chegam a concenso sobre a MFL.
A esses somamos os "putos" ( hoje na casa dos 27 e 35, 7º a 12ª na altura da única e verdadeira greve estudantil que eu assisti. ( greve essa que era contra uma antiga ministra de educação, uma tal de Manuela Ferreira Leite)
As réplicas que vieram depois de igual só tinham as palavras de ordem: " Não pagamos ; Não pagamos ........ Não pagamos, não pagamos "
Temos os já apoiantes do bloco a esses somamos os mais novinhos(18) que na via das dúvidas... sejamos diferentes
Não digo com isto que o BE passa para segunda força politica, mas sinto-me capaz de apostar que esse 3º lugar está bastante próximo de ser cimentado de 12 para 18..... Juntamo-lhes o desvio padrão de 7% ( grande mas secalhar!!!!) e temos um resultado para as legislativas do BE entre os 11% < 18 < 25 %.
P.S: Eu sempre disse que as pessoas deviam de ir votar nem que fosse em branco, mas atendendo a algumas histórias contadas. Já não sei! Pois qualquer mão traça dois riscos