Escutas

Pertenço àquele grupo de pessoas que acham que esta estória das escutas na Presidência da República é uma grande marosca, para além de, no lado sério da questão, ser mais um prego no caixão da credibilidade do nosso instituto democrático. Lamentável, mas é o nosso fado!


A ideia surgiu-me ao ver o célebre mail de Luciano Alvarez para o seu colega do Público na Madeira, um tal de Talentino, em 23 de Abril de 2008. São tantas afinidades com a linguagem de Manuela Ferreira Leite que só pode ser marosca. Pelo que esmiuçaram os Gato Fedorento, a candidata a PM apresenta uma linguagem com graves problemas de concordância de género e de sujeito. Pois bem, se virem o tal mail (http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1365657) está lá tudo. Para além de uns erros ortográficos nada abonatórios para um jornalista, os problemas de concordância lá estão. “Cada cavadela cada minhoca”! Pode ser coincidência, mas eu estranho! Podem ser da mesma escola, quiçá terem tido o mesmo professor de português. Mas eu estranho!


Para tentar resolver as minhas dúvidas (sim, tenho dúvidas e engano-me muitas vezes), resolvi ensaiar o método científico. Vamos escutar, perdão…vamos ver.


 


Hipótese 1: O governo espiou e escutou o PR.


Tese: O governo instalou aparelhos de escuta e infiltrou agentes em Belém. A Presidência da República suspeitou e, primeiro, chamou o PM e confrontou-o directamente com o assunto. Depois entregou o assunto na PGR.


Verificação: Não se confirma que tenha confrontado o PM, nem que tenha recorrido à PGR. Verifica-se que, através de um assessor, por sinal antigo director do Público, entrega o assunto à investigação de um jornalista do seu antigo jornal.


Conclusão: Hipótese rejeitada por falta de verificação.


 


Hipótese 2: Não se passou nada. É apenas para vender jornais…


Tese: Em Agosto de 2009 o Público resolve arranjar uma manchete que ajude a recuperar audiências e vendas, acossado que está entre o DN e o novo i.


Verificação: O DN revela em 19 de Setembro que afinal o assunto vem de Abril de 2008, e publica um mail que revela a intervenção do assessor do PR, o conhecimento total do próprio PR, e uma dupla encomenda: do assessor ao jornalista sério e profissional e, deste, ao seu colega na Madeira, igualmente sério e profissional.


Conclusão: Hipótese rejeitada por falta de verificação.


 


Hipótese 3: Que grande marosca.


Tese: A escalada de confronto entre PR e governo começa a ser preparada tendo em mira o super ano eleitoral de 2009. Ainda sem saber que o governo se estava a pôr a jeito, já com o Estatuto dos Açores, o PR dá o pontapé de saída. Público e DN, tidos como afectos a cada uma das partes, são os grandes protagonistas.


Verificação: Confirmadas as verificações anteriores passa-se de Abril de 2008 a Agosto de 2009 sem que a encomenda tenha revelado fruto. A investigação jornalística não deu em nada mas, mesmo assim, quando entendido oportuno o Público lança a suspeita/notícia. Uma brincadeira de Verão para o PM e um assunto que não merece comentários do PR que, adianta, apenas serve para desviar as atenções. O DN (traição, drama e tragédia) revela o mail. Que, por fim, alguém diz ser falso. O PR continua a não comentar. Porque não se envolve na campanha eleitoral!!!


Conclusão: Hipótese verificada: Marosca! Da grossa!


 

Comentários

  1. Nada como a análise científica da coisa. Marosca... Quem andou pelos jornais conhece bem o Fernando Lima e sabe do que é capaz e no que é incapaz... Quem por lá não andou e não perde mais de 5 minutos a ler jornais, escolhe assessores de imprensa assim e depois demite-os... ao retardador, em "slow motion".

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