Pronto, vamos lá reflectir...
A campanha eleitoral chega hoje ao fim. Amanhã é dia de reflexão!
As eleições de domingo deveriam ser das mais importantes da nossa história democrática. O actual estado de depressão geral do país, da economia, das finanças públicas, de calamidade social e em especial do desemprego, de descrédito do sistema político e da Justiça justificá-lo-iam. São, porém, apenas mais umas eleições, com a preocupante particularidade de ninguém as merecer ganhar!
Em democracia, as eleições servem para premiar ou punir quem exerceu o poder. Mas servem também para premiar ou punir propostas de alternativa de governação. Francamente não vejo quem mereça sair premiado!
Cai hoje o pano sobre uma campanha eleitoral que praticamente, e como de costume, passou ao lado dos reais e graves problemas do país, para se focalizar em falsas questões que podem animar as hostes dos indefectíveis mas não mobilizam os portugueses em geral. Daí a abstenção e o voto nulo e branco, que tanto animaram o debate aqui trazido pelos amigos António e Carlos, pela mão oportuna do Pedro Oliveira.
Pelas circunstâncias de arranque desta campanha – com o partido do governo altamente desgastado, com um líder acossado pelas razões conhecidas e o PSD embalado pela vitória nas europeias –, socorrendo-me de uma imagem futebolística, ao PS estava reservado um papel defensivo. Ao PSD caberia atacar, partir para cima do adversário. Mas atacar, como diriam os novos mestres das tácticas, mantendo as linhas curtas, sem deixar grandes espaços de penetração para o adversário. Não o fez e, no final, estamos a ver um PSD sem norte e um PS, imaginem, já a falar de maioria!
Porquê? Porque o PSD se fartou de marcar golos na própria baliza. Partiu de um slogan (Verdade), de gosto duvidoso e muito gasto, que rapidamente pôs em causa. Logo na constituição das listas, incluindo pessoas para as quais a menos grave das acusações seria a de lidarem mal com a verdade. As mesmas da estória da compra de votos. Pelo meio o inábil tratamento do TGV, e o arcaico fantasma espanhol. E a famosa asfixia democrática, logo atrapalhada pela penosa questão da Madeira e depois sufocada pela gravíssima questão das escutas, uma bomba que rebenta nas próprias mãos do Presidente da República.
A asfixia democrática é uma falsa questão. E mal escolhida, mais a mais para quem tem na Madeira os seus telhados de vidro. O que deveria ser trazido para a campanha era a asfixia do Estado. Essa sim, a verdadeira questão. Um Estado que, porque está em todo o lado, porque em tudo põe e dispõe, é responsável pela promiscuidade a que se chegou. Mas sobre isso nada! Evidentemente que todos pretendem mantê-lo assim, para que esteja pronto usar logo que o poder acabe por lhes cair nas mãos.
As escutas do PR terão constituído a machadada final nas ambições do PSD. Mas, pior que isso, constituíram um golpe profundo nas condições de exercício da superior magistratura de poder do PR. E logo numa altura destas, quando os resultados esperados destas eleições exigem um Presidente de todos os portugueses com uma imagem absolutamente imaculada.
Eduardo: não sei como se pode fazer uma campanha com seriedade e verdade quando ligamos a slogans e não a quem é capaz de fazer e de aplicar uma política diferente, neste acaso a política que o programa do PSD defende. O Presidente da República não governa não gere os dinheiros públicos, não executa programas, apenas e só é o garante da Constituição e da separação de poderes do Estado. Não sei como pode este caso das "escutas", afundar o PSD ou sequer beliscar o resultado final desta campanha eleitoral. Entretanto perdemos milhões da Europa, carreiras congeladas, um dívida externa assustadora e Sócrates continua a oferecer pão e circo.
ResponderEliminarNão digo que todas as escolhas de MFL tenham sido as mais acertadas. Não foram , de todo. Mas prejudicar um país por dois momentos menos felizes acho absolutamente surreal. No ponto a que chegámos ainda bem que a campanha acabou ;já era insuportaével o ruído de fundo de um Presidente que nunca fala, mas despede sem explicações um colaborador de mais de 20 anos. A idade não ataca só os outros , acho que os achaques da teimosia ( de que Cavaco sempre foi acusado) se fossilizaram e se agudizaram com a idade. O tempo não perdoa. A ninguém!
Ana: Não posso comentar. Já passa da meia-noite!Mas parece-me que estamos de acordo...
EliminarEduardo; nunca fui tão elegantemente mandada calar. Há sempre uma primeiravez!
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