O que nós temos, os outros não, e vice-versa #19 – Produtores de Leite

Ainda sou do tempo em que todos ao dias a prima Alice, batia à porta dos meus pais pelas 8h00 da manhã, para deixar o leite do dia, bem fresquinho, que eu tinha de beber mesmo sem gostar.


 

Mais tarde, a prima deixou de passar, e muitas vezes calhava-me a mim ir buscar o leite à Celeste.

 

Depois apareceu o leite do dia, comprado na loja e a seguir de forma definitiva o Leite Pasteurizado.

Passaram vários anos e no Juncal, provavelmente, já não há produtores de leite.

 

Não só no Juncal, segundo o Região de Leiria, restam 30 produtores de leite em Porto de Mós e Batalha, há 10 anos eram 80!

 

Portugal perdeu 70 mil explorações em 12 anos. O problema está na falta de dimensão, nos preços subsidiados, nos custos de produção, nas quotas, no leite importado, etc, etc.

 

Acredito que este é um problema que não tem solução fácil e é toda uma forma de vida que está a desaparecer lentamente.

 

Lamento, apesar de continuar a não apreciar Leite.

Comentários

  1. Além da vertente económica, do sustento de muitas famílias, é mais uma tradição que se perde.
    Também me lembro de trazer leite da Menina Luisa numa leiteira de alumínio, cheio de de nata.

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    1. Eu já só me lembro dos pacotes de plástico com leite do dia que comprava na padeira da Póvoa todas as manhãs. Também tinha de beber sem gostar, mas a embalagem era um desafio e tinha sempre a sensação que tinha sido acabada de selar e o leite vindo de vacas em prados verdejantes provavelmente da Póvoa ou arredores.. fresco acima de tudo!

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  2. O problema dos produtores de leite é sem dúvida um problema que deve merecer a atenção dos politicos.A semana passada, segundo o ex-ministro Jaime Silva descobriu-se que havia gente a fazer dumping nos preços.
    Tal como não gostei de ver há uns anos os nossos produtores de maçã a deitar a fruta para o chão em forma de protesto, faz-me confusão ver leite derramado no chão.Tem que haver outras formas de luta, chega a ser chocante.

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  3. Eram formas de vida que serviam para ajudar o orçamento familiar.
    Actividades desenvolvidas maioritáriamente por mulheres que assim conseguiam conciliar a vida de mães e obter algum dinheiro para ajudar nas despesas.
    Com a extinção quase na totalidade destas actividades, os orçamentos ficam mais pobres, algums destas mulheres vãoprocurar empregos fora e passado algum tempo estão desempregadas, engrossando assim o número dos desempregados, tornando-se dependentes de um subsídio justo sem sombra de dúvida, mas que sai do erário público.
    Na organização social eram mulheres que outrora produziam e contribuiam para criar riqueza nacional.
    E o mais trágico disto tudo é que nós consumidores, quase mesmo sem nos apercebermo-nos consumimos leite de péssima qualidade e estrangeiro.
    Como se costuma dizer:
    È a Vida.

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