Sondagens

As sondagens voltaram a falhar nestas autárquicas.


As críticas vão aumentando de tom. Nuns casos com algum sentido, noutros nem tanto. A Paulo Portas, já uma eterna vítima, juntou-se ontem Santana Lopes, que decidiu atribuir-lhe influência directa nos resultados.


A posição de Santana Lopes poderia até ter mais eco não fosse, na sua ânsia de desculpabilização e de permanente vitimização, lhe ter juntado uma nova teoria conspirativa: a do acordo secreto entre António Costa e o Partido Comunista. António Costa teria trocado um acordo de coligação explícito com o PC por um outro, bem mais eficaz mas secreto. Só isso explicaria a tal diferença de 13 mil votos da CDU entre as freguesias e a Câmara. É preciso muita imaginação e uma refinada capacidade de teorização para sustentar esta tese. Evidentemente que estamos perante o típico comportamento do voto útil (ainda mais evidente em Beja) e não, por real impraticabilidade, de qualquer acordo secreto.


Este artifício, contudo, não apaga a questão da eventual influência das sondagens nas decisões de voto.


Não acredito, e acho que ninguém poderá acreditar, que as sondagens, referindo-me evidentemente às que são desenvolvidas por reconhecidas empresas da especialidade e veiculadas pelos principais órgãos de comunicação social, tenham por objectivo condicionar e influenciar a votação dos eleitores. Têm por principal objectivo alimentar o próprio negócio dos media, que têm na política um dos seus principais produtos. Também servem e são úteis aos directórios partidários que, mesmo quando dizem que valem o que valem, não as ignoram para ajustar ou inverter algumas tácticas.


Claro que também não acredito em falta de suporte técnico-científico. Mas como justificar alguns erros grosseiros? Será pelo crescente aumento de indecisos? Será porque os cidadãos inquiridos se achem utilizados, diria carne para canhão, e resolvam conscientemente ludibriar esses estudos de opinião?


Não tenho resposta. Mas desconfio que essas empresas terão de a procurar e abandonar a questão semântica a que se têm agarrado: “sondagens não são previsões”. Sob pena de perderem uma fatia significativa do seu mercado pois, se não servem como previsões, são meros estudos académicos para consumo interno. Sem mercado! Não é todos os anos que há três eleições, mas em todos os anos há produto político. É que, assim, arriscam que alguém se lembre de proibir as sondagens em actos eleitorais…


Que acham?


 

Comentários

  1. Ele são os políticos, os partidos, os árbitros, os advogados, a justiça, a policia, a Casa Pia, etc... A este lote de coisas em que os portugueses vão deixando de acreditar e que aumenta de dia para dia juntam-se agora as sondagens. O que virá a seguir.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Gandembel

Foi um prazer estar convosco neste esplanada