UFA...Chegou ao fim!

Está a chegar ao fim a última de uma longa série de campanhas eleitorais que tomou conta do país durante praticamente meio ano.


Num país ideal este teria sido um período de grande vitalidade democrática, de um enorme e são confronto ideias, de ideias novas e ricas, forjadas e amadurecidas seja nos gabinetes de estudos dos partidos políticos seja nas diversas instâncias da sociedade civil, ou simplesmente brotando da espontaneidade de uma sociedade viva, empenhada e actuante, feita de cidadãos envolvidos com o seu futuro colectivo. E, chegada a hora de exercer o seu direito e dever de voto, os cidadãos teriam escolhido, em plena consciência, as melhores ideias e os mais capazes para as levar à prática, banindo o oportunismo, a mentira, a demagogia e a falta de ética e de escrúpulos. Os eleitos, por sua vez, receberiam os resultados eleitorais em festa sim, mas com o maior sentido de responsabilidade e total respeito pelo voto dos seus concidadãos.


Sendo o ideal difícil de atingir, num país que sem ser ideal fosse decente, não se estaria metade de um ano particularmente difícil como este em auto gestão e não se teriam esbanjado os milhões, que tanta falta fazem, em obscenos gastos de campanha eleitoral. Não teriam surgido torrentes de ideias novas, mas teria surgido uma ou outra aproveitável. Os eleitores não teriam podido premiar grandes ideias mas, pelo menos, saberiam penalizar quem os enganara, quem lhes mentira. Saberiam penalizar os demagogos, os oportunistas e os invertebrados. Aos eleitos seria reconhecido, pelo menos, o mérito de não terem feito jogo sujo, de se terem sabido respeitar e dado ao respeito.


No nosso país, que não consegue ser decente, chegamos ao fim deste longo ciclo eleitoral perfeitamente esgotados e desiludidos. Esgotados com as loucuras deste Carnaval e desiludidos com tanta coisa miserável. Mas, pior, desiludidos uns com os outros. Perdemos a esperança no futuro e perdemos a fé em nós próprios.


Não temos motivos para acreditar nos que elegemos. Bastou assistir ao que por cá se tem passado. Mas também no resto do país, a culminar com o inacreditável episódio Santana Lopes/Carmona Rodrigues. Mas, quando vemos que vamos reeleger candidatos que mentem descaradamente, que manipulam, muitas vezes de forma verdadeiramente terrorista, ou outros mesmo já condenados pela Justiça por crimes cometidos na sua vida pública, deixamos de poder acreditar também em nós próprios. E quando assim acontece…


 


 


 

Comentários

  1. De facto nas Europeias, nas Legislativas e agora nas Autárquicas, assistimos a debates de não assuntos e ficamos a zero sobre o que realmente importa. Os ataques pessoais estão sempre na ordem do dia. Quando perguntas objectivas têm como resposta considerações pessoais, a democracia e o debate aberto e sério está em crise.
    O período eleitoral é em norma, como bem compara, um Carnaval deprimente, daqueles em que quando chega ao fim nos deixa com uma grande ressaca. Um é obra, agora três em seis meses, devia dar direito a férias disto.

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  2. Agora que isto acabou, podemos começar a falar de politica....

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    1. Gostei. Vou registar! Um destes dias vou fazer um figurão a usar esta ideia.

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  3. Bom dia,

    Relativamente às 3 campanhas, concordo que foram fraquinhas muito fraquinhas ...

    As primeiras europeias, a abstenção fala por si, são eleições que passaram totalmente ao lado da maioria dos portugueses , apenas e só porque a campanha foi uma mão cheia de nada, os candidatos parecia que estavam a fazer uma campanha de frete, sem chama, sem vontade de esclarecer. Foi uma campanha que se discutiu mais a política interna freport etc )

    As legislativas mais do mesmo:

    PSD com uma líder cheia de qualidade mas sem chama para campanhas, é sem dúvida uma líder que lidera sem o show off de Sócrates, a propaganda de Sócrates , a demagogia de Sócrates , prejudicada por isso e pelo caso das escutas e pela fraca promoção do seu programa eleitoral.

    PS com um liderança assente numa propaganda sem limites assente no ilusionismo, na mentira, na opressão, e pelos vistos é disso que o povo gosta.

    CDS com um líder popular, as visitas aos mercados, Às vindimas, às feiras e com uma política onde as questões de segurança a roçar políticas de extrema direita fizeram com que Portas chegasse a terceira força política.

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