Wall Street, 24 de Outubro de 1929

Faz hoje 80 anos! Era quinta-feira, a célebre quinta-feira negra


O pânico instalara-se em Wall Street. Era o dia D de um louco mês de Outubro – um mês particularmente fadado para estas coisas – que iria desencadear a maior e a mais dramática recessão mundial.


Tem sido muito lembrada ao longo dos últimos dois anos e, invariavelmente, comparada com a recessão dos tempos que correm e com a crise que em que continuamos mergulhados. Com a qual tem, na realidade, muitos pontos em comum e bem poucos distintos.


É distinta a origem, mas apenas a geográfica. Há 80 anos tudo começou no Reino Unido, com a falência de um grande grupo financeiro, que logo contaminou a Wall Street nova-iorquina. Agora, tudo começou nos EUA, com os excessos do crédito e do mercado imobiliário.


Mas será isto assim tão diferente? Não! Basta lembrar o que escreveu então John Keneth Galbraith, um dos clássicos e maiores economistas do século passado – “o capitalismo vivia num mundo de faz de conta” – para perceber que o ambiente de grande especulação financeira constitui uma origem comum. Há 80 anos, como agora, o mesmo gene!


Serão, tudo parece, diferentes as consequências. Particularmente porque as respostas governamentais foram substancialmente diferentes, mais actuantes e com outros meios. Só isso faz com que continuemos a poder classificar a recessão iniciada há 80 anos como a mais dramática da História.


Assinalar hoje esta data tem um significado que ultrapassa largamente a mera efeméride, mesmo redonda de 80 anos. É que, quando ainda nem sequer saímos desta crise, já se começa a notar o regresso de muitos dos sintomas que lhe estiveram na origem. Receio que não sirva sequer para avivar memórias... É que há gente que nunca aprende!


 

Comentários

  1. A guerra acontece quando se entra em desequilíbrio seja numa questão pessoal, entre duas pessoas, dentro de uma família, numa comunidade, num país, ou entre diferentes países. É caricato mas a guerra é a busca do equilíbrio.
    O mais assustador da comparação, de que não discordo, é que após a Grande Depressão, alguns países em reacção aos vazios de poder que se criaram nesses anos procuraram um maior protagonismo e isso levou à criação de condições que levaram ao início da Segunda Guerra Mundial.

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    Respostas
    1. Não concordo com a expressão "É caricato mas a guerra é a busca do equilibrio".
      A guerra pode ser e é do meu ponto de vista, a figura mais cruel e ultrajante, da vida em sociedade.
      O argumento de que a guerra é geradora de desenvolvimento, é uma tese em que muitos teóricos e economistas se fundamentam, para dar corpo á expressão mais ignóbil da teoria da "produtividade e disciplina no trabalho" que faz o mundo avançar.
      Comungo do principio de que a guerra, é antes de tudo, um dos meios para atingir o domínio, seja ele territorial, económico ou ideológico.
      O conceito castrense de guerra é mais do que cínico, pois acentua um pilar pouco verdadeiro. Quando se afirma que a guerra é necessária para defender a paz, estamos a criar implicitamente um conceito de desordem e conflito.
      O Mundo precisa é de medidas civicas e educacionais que construam uma nova filosofia de convivência entre povos , países e culturas diferentes.

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  2. É verdade como dizia o velho barbudo : "A história gagueja não se repete ".

    E pronto !

    E Biba o Puerto !

    Agora, falando sério, eu creio , mas posso me enganar que ainda estamos em período de inflação. Talvez aí não seja possível comparar as duas crises. Poderão haver semelhanças de "espelho" não estruturais.

    Gostei do texto.

    Oups : E Viva o Porto !

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