Futebolês #00
1.Os da casa apresentaram-se de fato de gala, com uma exibição de encher o olho. Linhas subidas, espaços bem preenchidos, fantasia em cada movimento numa dinâmica colectiva de grande qualidade, basculando o jogo com a propósito através de dois alas criativos, que sabem comer metros em posse, entrar entre linhas a rasgar espaços de finalização. Tudo isto sob a batuta do maestro, um 10 moderno, todo ele elegância e leitura de jogo e, depois, quando se tem na área um matador que, com o seu metro e noventa e oito é um autêntico rato de área, é fácil pôr a redondinha a beijar a rede.
2. O jogo encontra-se partido. As linhas estão desfeitas, as equipas já estão desposicionadas e a praticar jogo directo. É preciso arrefecer o jogo porque a todo o momento pode surgir um ressalto, uma segunda bola ou uma bola parada …
Para trás já ficou o melhor período do jogo, com as duas equipas a pecarem na finalização. Agora é tempo de vestir o fato-macaco, de entrega e de raça. O banco já não pode intervir. Os dois técnicos mexeram quando tinham que mexer e meteram a carne toda no assador! Pois, e agora começa o chuveirinho…Assim, não! Há que por a bola à flor da relva!
3. A equipa entrou bem, em pressão alta e com transições rápidas. Alternando diagonais bem trabalhadas, à procura de espaços, com passes verticais a rasgar a defesa contrária. E vê-se que sabe jogar sem bola. Mas nota-se a falta de alguém que leia o jogo. Falta ali um patrão! E o patrão está no banco! Basta ao mister ler o jogo e olhar para o banco. Ele está lá, é só lançá-lo para o rectângulo…
Estes são apenas três pequenos textos que alinhavei e que bem poderiam ser exemplos do que pode ler em jornais ou ouvir na rádio e na televisão. Muitos outros poderiam ser construídos nesta linguagem. Pois é! O futebolês existe e cresce a cada dia que passa, com novas terminologias e novas figuras de estilo.
Creio que serão muitas as pessoas que, ao lerem isto, ficam de olhos trocados e incrédulas, perguntando pelo atrasado mental que o escreveu! Muitas outras, no entanto, percebem claramente o que ali está. Interpretam estes textos com toda a facilidade!
Mas imaginemos que um cidadão estrangeiro, encantado com a língua de Camões e pátria de Pessoa, e com a dimensão da sua expressão mundial, decide investir na aprendizagem da nossa língua numa qualquer prestigiada universidade internacional. Obtém uma formação altamente qualificada em língua portuguesa, lê todos os nossos clássicos, domina a semântica e a pronúncia e vem visitar Portugal, consciente do seu domínio linguístico. Lê ou ouve esta linguagem e o que pensará? Uma de duas coisas: ou que isto é gente muito estranha ou em processar a universidade, que lhe ensinou uma língua que já não existe.
Porque estamos empenhados em combater a iliteracia, iremos, a partir de hoje e aos sábados, manter aqui uma rubrica de futebolês. Um dicionário, como o lá de cima! Onde iremos abordar alguns dos termos utilizados naqueles exemplos e muitos outros, sempre que possível num espírito bem disposto e despretensioso, próprio do fim-de-semana.
Iremos cingir-nos aos termos e expressões utilizados correntemente nos media. Uma utilização que se iniciou com Alves dos Santos, nos anos 60, passou pelo seu herdeiro natural, o famoso Gabriel Alves dos anos 70 e 80, ambos num registo mais de gafe do que conceptual, e que atinge o expoente máximo da erudição nas actuais gerações, donde sobressai um autêntico guru que se dá pelo nome de Luís Freitas Lobo. De lado deixaremos as expressões mais glosadas utilizadas pelos agentes do futebol – jogadores, treinadores e dirigentes. Não esperem pois encontrar aqui qualquer referência ao “levantar a cabeça”, aos “prognósticos só no fim do jogo”, ao “bode respiratório”, ao “futebol é isto mesmo” ou a tantas outras gafes célebres …
Ah! E em textos curtos! Não seguiremos o modelo de A a Z para que, sem condicionalismos de ordem alfabética, possamos interagir uns com os outros através de contribuições trazidas pelos comentários.
Até para a semana!
Intão eu vou acompanhar as suas crónicas.
ResponderEliminarCreio que a ideia tá legal.
Sim : essa do chuveirinho é boa mesmo : Deve ser exorcizão do dia a dia.
É que Português só toma chuveiro uma vez por semana ( sigundo estatísca ) . Isso é bom ! Português economiza água do planeta e dá exemplo.
Passando a brincadeira : Parabéns pela iniciativa. Acompanharei.
Só uma observação : Eu acho que a pronúncia não é um factor essencial de aprendizagem de línguas.
O importante é a capacidade de se fazer entender ( o que é sempre possível se o receptor aceita ).
Vamos corrigir a pronúncia Londrina ou Texana ?
Fico à espera dos seus textos.
E Viva o Porto !
EliminarTal como há um ano, por esta altura, o Benfica é o clube com melhor média de assistências da Liga: 45 458 por jogo, mais 1134 do que há um ano por esta altura, correspondendo a uma subida de 2,5 por cento. Este valor tem ainda mais significado se considerarmos que na época passada os encarnados já tinham recebido F.C. Porto e Sporting à 10ª jornada, ao contrário do que agora sucede.
Curiosamente, o F.C. Porto, segundo nesta tabela, até regista uma subida maior (1800 espectadores por jogo) mas neste caso o efeito é contrário: já houve um clássico no Dragão, há um ano ainda não tinha havido.
In Mais futebol
afinal quem é o maior clube?
para mim uma das melhores frases é de Gabriel Alves, Estádio bonito moderno e arejado.
Ou então de João Pinto do Porto RTP: João Pinto o que achou do jogo? JP: eu não achei nada mas o Aloísio achou um pente no balneário. JP: o meu coração só tem uma cor azul e branco.
E muitas mais
Julgo que a frase foi do Perestrelo, na TSF, mas ficou-me na memória uma das suas imensas e criativas expressões.
ResponderEliminar'deu um pontapé nas orelhas da bola'.