Futebolês #01 BEIJAR

 


 


 


 


Nada melhor que iniciar com o beijo! Quem não gosta de beijos?


Mesmo quando da criança se diz que não gosta muito de beijos, que não é beijoqueira, não é verdade. Não gostam é de estar constantemente a ser maçados com um “vá, dá lá um beijinho à senhora”… ou com um “deixa-me lá dar-te um beijinho”, vindo de gente que nunca viu e sem o mínimo de interesse.


O futebolês está cheio de beijos. Não admira, pois o próprio futebol, o jogo jogado, envolve também muito de beijos…


A bola beija as redes – é golo, o clímax; é quando, depois de viajar até ao fundo das redes, delas faz lençóis onde se enrola e aconchega, numa êxtase que invade todo o estádio, que grita e aplaude em histeria colectiva enquanto ela, exausta, permanece inerte e deleitada entre as redes! É, tem muito de erótico. Não é por acaso que até houve um jogador – o Fernando Gomes, do Porto (não confundir com o outro), goleador dos anos 80 – para quem marcar um golo era como atingir o orgasmo.


Mas a bola também beija a trave e beija o poste. Não é o mesmo beijo, este é um beijo mais seco, menos molhado. Tanto que, muitas vezes, nem é beijo nenhum mas um malhanço dos grandes: é quando bate estrondosamente na trave ou no poste. Às vezes a bola roça o poste e roça a trave. Roçar, estão a ver? Trave e poste fazem, tal como as redes, parte da baliza mas, para a bola (e não só) não é beijar a mesma coisa, como se vê. Bom, e comparar aqueles roçanços com a marmelada do beijar das redes… Não tem nada a ver!


A bola não é só sujeito activo, também é passivo (não é sujeito passivo de impostos, porque isso de impostos na bola tem muito que se lhe diga!). Também é beijada, ajeitada e acariciada. Quantas vezes não vemos um jogador fazer tudo isso antes da marcação de um livre directo ou de um penalti?


Mas aqui o beijo troca o erótico pelo perverso. É assim como o beijo daqueles casais desavindos… a seguir vem uma carga de porrada e, depois, o beijo de novo. Pois é, a bola já sabe o que a espera quando leva aquele beijo… um valente pontapé. O pior vem depois: ainda pode ir bater com os cornos nos ferros, levar mais um murro do guarda-redes ou ir parar à bancada, o lugar mais deprimente para uma bola. Às vezes a coisa corre menos-mal: pode cair nos braços musculados do guarda-redes ou mesmo ver-se (escrevi ver-se, não foi outra coisa) a beijar as redes. Mas o valente pontapé já ninguém lhe tira!


Há ainda muitos outros beijos. O beijo para captar as câmaras da TV, do par de namorados que está na bancada (aqui a receita para o sucesso é cada um com o seu cachecol, de cada uma das equipas em confronto) e, agora na moda, os beijos entre jogadores.


Eles beijam-se nas substituições, eles marcam golo e beijam-se, o guarda-redes defende… beijos.


Beijos entre homens era coisa a que não estávamos habituados. É certo que nos lembramos dos beijos daqueles líderes comunistas muito cinzentões. Um desses beijos, entre o Honecker e o Brejnev, ficou para sempre gravado nas imagens do muro de Berlim. Os árabes também se beijavam, e logo com três beijos. Mas no futebol?


O primeiro beijo de que me lembro é do Laurent Blanc no Zidane. Mas esse foi um beijo na careca do Zidane que, por ser numa careca, era até ternurento. Agora estes beijos…


 

Comentários

  1. Para começo de dia e antes de ver o puto a colocar a bola a balançar nas redes, nada melhor que um texto destes, MUITO BOM meu caro amigo.
    Abraço e um dia cheio de bolas a beijar a rede!

    p.s. Paulo, olha que o Eduardo não está a defender o casamento entre a bola, os postes, a rede, a trave ou mesmo com a chuteira,eheheheheheheheheh.

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  2. Esperemos que hoje a bola beije mto a rede da Bósnia...
    bom-fim-de-semana

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  3. Com beijo ou sem beijo.... Pois cada um beija quem quer o que quer e quando quer.


    Com bom ou mau resultado de Portugal.

    O que me diz ao berardo querer explorar petroleo na nossa costa.

    Muito eu me engano ou os recursos de fauna e flora da nossa longa e linda costa a longo prazo dão mais do que a existência ou não de petroleo na nossa costa.

    E já agora não está em fase de experiência a dedução de enrgia através da força da maré?

    Preocupemo-nos lá com beijos e direitos e esqueçam o ambiente e logo se ve aonde vamos parar.

    A costa maritima é a nossa segurança futura esta certeza tenho eu.

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  4. Para a história ficará o beijo da bola cabeceada por Bruno Alvesl, mas houve também 3 beijos da bola bósnia no ferro...
    Faltam mais noventa minutos e vamos ver quem consegue seguir em frente... e celebrar o acesso ao mundial. Beijemos por isso.

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  5. Muitos Parabéns !

    É um texto fantástico !

    Se me permite tentarei vir com as algumas traduções.

    Creio que em França se diz violar as redes e não beijar as redes.

    Ehehhe ! Trabalho pra filhos de Freud ! Vamos ganhando uns centimos de euros.

    Independentemente de qualquer resultado de futebol ( creio que Português faz fixação anoréxica ) , o seu texto é fantástico ( repito ).

    Textos como os seus são bem saudáveis e precisos.

    Se me permiite : Essa do orgasmo foi textualizada pelo irmão de Best antes de Gomes.

    E Viva o Porto !

























































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    Respostas
    1. Caro PortoMaravilha,
      Quero agradecer-lhe a sua participação dizendo-lhe que serão muito benvindas as suas contribuições, nomeadamente com as traduções que propõe. Venham elas!
      Sobre violar as redes devo dizer-lhe que por cá não se violam. Violam-se muitas outras coisas... Mas é curioso que por cá se diz, por exemplo, que o "guarda-redes manteve as suas redes invioladas". Não se dá ênfase à violação. Prefere-se enfatizar a inviolação. Mas não se diz manter as redes virgens. Vá-se lá saber porquê!

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  6. Encontrei estas duas expressões que são bastantes utilizadas . Leia-se : "A formação recem promovida é a primeira a violar as balizas." / " violou as balizas virgens ". Basta tambem substituir recem promovida por visitante , por exemplo.

    Aqui fala-se mais de "cages inviolables" , literalmente gaiolas, jaulas ( = balizas ) invioláveis.

    Quanto à rede , poucas vezes ou raramente se diz "violar as redes" .É mais "faire trembler les filets", fazer tremer as redes.

    E Viva o Porto !

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