A DÉCADA

 



 


 


Estamos a poucas horas de entrarmos no último ano da primeira década do século XXI. Mas como, apesar de ser conhecido que não houve ano 0 (zero) mas ano 1, o mundo adoptou mudar de década no início de cada dezena, para todos os efeitos parece mesmo que nos estamos a despedir da primeira e a entrar na segunda década deste século. Se afinal foi assim com o milénio, por que não haveria de continuar a ser assim com uma simples década?


Portanto festejemos a entrada da nova década com um ano de antecipação! E despeçamo-nos da já velha!


Uma década que nasceu com o novo milénio, cheio de dúvidas, receios e temores. Infundados, como se verificou! Nem sequer o bug do milénio (informático) deu dores de cabeça que se vissem…


A 2000 chegarás de 2000 não passarás, lembram-se? Era uma das profecias populares que assinalavam um dos muitos infundados terrores anunciados para o novo milénio. Já o mesmo se passara com o ano 1000, mas aí os tempos eram mesmo outros…


Os terrores da década foram outros, uns mais previsíveis e outros de todo surpreendentes. Desde logo o terror do 11 de Setembro de 2001, claramente o acontecimento mundial da década. Que mudou conceitos, regras, estados de espírito e sentimentos. Mas que mudou a geografia da paz e da guerra. E mudou a própria guerra, agora com um inimigo invisível que pode ser o próprio vizinho. Um poderoso inimigo transnacional que actua em rede e à escala global.


Mas também o terror de catástrofes naturais. Do Katrina que submergiu a capital do Jazz, ao tsunami que engoliu centenas de milhar de vítimas na Tailândia, Indonésia e Sri Lança…


Os receios que a década infundiu também pouco têm a ver com os das crenças populares. Dentre eles destaco o dos receios climáticos, do ecocídio, Dos glaciares polares a derreterem, dos rios a secarem, das ilhas a desaparecerem e dos desertos a avançarem. Receios que não foram suficientes para que algo de fundamental mudasse, como se acabou de ver em Copenhaga!


Por cá vivemos uma década de depressão e de euforias, bem à maneira portuguesa, com o muito nosso oito e oitenta.


Para muitos uma década perdida. Uma década de estagnação económica em que nos fomos sucessivamente afastando dos nossos parceiros do espaço comum europeu. Em que vimos instalar-se um anunciado desemprego endémico, que vai muito para além da crise internacional. Um desemprego que já ultrapassa a taxa dos 10% e que tudo indica não parar abaixo da de 13%.


Mas também uma década de euforia, uma euforia que havíamos experimentado no final do século, embalados pela Expo 98, e que reeditamos com o Euro 2004. Uma festa que abraçou todo o país e que só a Grécia, a mesma Grécia que agora num outro plano nos assusta, estragaria. Depois veio a factura, como sempre!


E ainda uma década que deu ao mundo um novo país, numa peça em que fomos actores principais: Timor. Que infelizmente, ainda a mesma década, começava a revelar como dificilmente viável. Tal como o Kosovo, o último e acidentado nascimento da década!


Foi a década da confirmação da Internet, com a generalização do uso da imagem e a chegada das redes socais, que revolucionaram a comunicação e com consequências políticas ainda por avaliar, como se pode ver pelo que nos chega do Irão.


Mas também a década que nos mostrou que novos ventos sopram no mundo, o tal agora globalizado. Novas potências se anunciam ameaçando a liderança mundial dos EUA, já claramente posta em causa pela China, cujo simples despertar, às primeiras espreguiçadelas, provocou autênticos terramotos na economia mundial, fazendo disparar os preços das mais diversas comodities, dos cereais ao ferro, das oleaginosas ao petróleo…


A nova década confirmará a China a caminho de se tornar na primeira potência mundial. Mas confirmará também e finalmente o Brasil como grande potência emergente.


A nós restar-nos-á o contentamento da nossa língua, a pátria de Pessoa, afinal a nossa pátria! 


Até para o ano! Um bom 2010 para todos!


 


 

Comentários

  1. Ninguém se esquecerá do 11 de Setembro, da mobilização por Timor durante a campanha para legislativas o que ajudou Guterres a continuar no poder. Também ninguém se esquecerá da sua demissão, da saída de Durão Barroso para a Comissão Europeia, da esquizofrenia que foi o Euro04 e da crise financeira.
    Foram dez anos da nossa vida, irrepetíveis e foram o que deles conseguimos fazer.
    Venham mais dez.

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  2. Segundo o Público esta foi também a década dos SMS's, do Google, dos downloads, do GPS, do Tsunami, do terrorismo, de Lula, do aquecimento, da Al Qaeda, de Obama.

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