"o meu filho é gay"

“A saída do armário dos filhos é recebida com choque, apreensão e, muitas vezes, com revolta por parte dos pais. O terapeuta familiar Pedro Frazão, 33 anos, é autor de um estudo sobre este tema. Saiba quais são as principais recomendações deste especialista

E agora?

Já muito se tem falado no casamento entre pessoas do mesmo sexo, da adopção de crianças por homossexuais, mas raramente se aborda a questão da perspectiva dos pais, especialmente quando se retratam de casos na adolescência.

Sou pai, alguma frequência, me vejo confrontado com dúvidas e questões sobre o seu crescimento. Esta é, seguramente, uma delas. E se um dia, os meus filhos me dizem que são gays? Dou-lhes um forte abraço e digo-lhes que podem contar comigo para o que der e vier? Ou, limito-me a abrir-lhes a porta de casa e indicar-lhes o caminho que escolheram seguir?

Penso que se trata de uma daquelas situações que só saberemos como lidar, quando e se nos tocarem directamente. Se me é permitido, naturalmente preferiria que decorresse tudo pelos padrões de comportamento pelos quais fui educado, mas sei que isso não é linear. Assim, terei de estar preparado para tudo … ou pelo menos, assim o espero.

Já diz o ditado popular, que nunca se deve dizer desta água não beberei! As consciências são individuais, é certo, mas os juízos de valor são cada vez mais, públicos e publicitados, em grandes campanhas, muitas vezes baseadas no preconceito e na falta de informação.

Não sei como iria reagir numa situação destas, mas espero que o diálogo seja sempre o ponto de partida para um cenário destes …

Estamos em plena época natalícia, que deveria apaziguar e tranquilizar os espíritos mais inquietos, nas reuniões de família, nos convívios e serões com aqueles que já não vimos há algum tempo. Na maior parte dos casos, reunimos mais do que uma geração à mesa da Consoada, entre avós, filhos e netos. Seria possível manter a harmonia e o equilíbrio entre todos, se nas nossas casas abríssemos este presente? Ou estaríamos a fragmentar a, já de si, frágil sociedade familiar, onde os bons usos e costumes vão escasseando e onde já não há evidentes sinais da tradição?


Para quem quer ler mais sobre este assunto sem ,mas... e preconceitos pode fazê-lo AQUI.


 

Comentários

  1. Concordo e subscrevo.
    Tenho duas filhas e ainda há dias naquele jeito meio a sério, meio a brincar enquanto a mãe falava no dia em que os namorados entrariam portas dentro, deixei cair um "ou namoradas". Ficou assim surpresa ... afinal, somos educados (quase todos) num sentido e tudo nos leva a ver as coisas dum certo modo, mas temos de estar preparados para o que nos pode vir bater à porta. E mesmo que não estejamos, há que saber ser moderado e calmo.

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  2. Bela reflexão Pedro... que poderia ser aplicada a muitas outras coisas da vida.. como por exemplo, e se um dia o meu filho vier apresentar a namorada e ela for de outra raça?.. ou e se um dia ele chegar a casa e disser que não quer continuar a estudar...ou .... tantas outras coisas.

    Raramente estamos preparados para o que os filhos nos trazem.. e tens muita razão, só sabemos como vamos reagir ante qualquer situação, quando ela acontece.

    Eu tenho um filho de cor... sei que breve serão dois, e uma filha branca, quando decidi adoptar tive algum receio com as reacções que poderiam ter algumas pessoas próximas.... mas afinal.... eram receios infundados... fosse sempre assim a vida..

    Abraço Pedro
    Jorge

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  3. Parabens por adpotar, é uma forma de realização familiar ser Feliz e fazer alguém mais Feliz..
    Parabens e Feliz NATAL
    Quanto ao post do Pedro O. é bem lembrado essas questões e a forma como lidar com as diferentes situações e opções.
    Uma que é bem pertinente é as opções de cores (Partidos) politicas.
    A mesa de famila em muitos lados era de trombas, ausências com novidades dessas.
    Digo eu...

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