Paul Samuelson

 



Morreu ontem, aos 94 anos, Paul Samuelson, um dos mais brilhantes economistas de toda a História. Prémio Nobel da Economia em 1970, logo nos primórdios da sua atribuição, Samuelson marcou, com o seu colega e amigo também já desaparecido John Kenneth Galbraith, o pensamento económico dos últimos 70 anos e a formação de gerações de economistas em todo o mundo.


 


No final da década de 40 do século passado publicaria o que viria a ser uma obra académica de referência no ensino da economia em todo o mundo: Curso de Economia Moderna, uma descrição analítica da realidade económica.


 


Não se limitou, longe disso, a ser um académico. Viveu toda uma vida de forte intervenção pública, fosse do lado de dentro do poder, com grande influência em algumas administrações democratas, em particular nas de John Kenedy e de Johnson, fosse em contra corrente, como sucedeu na administração de George W Bush, onde nunca calou a sua voz contra as opções de política económica e de política externa, em particular na oposição à invasão do Iraque.


 


Confessava-se um centrista incorrigível, Keynesiano e forte opositor das teorias neo-liberais e do seu principal mentor: Milton Friedman. Ainda há cerca de um ano escrevia mais ou menos isto: “A origem do actual caos financeiro, o pior dos últimos cem anos, encontra-se no capitalismo libertário do laissez faire proclamado por Friedman e Freidrich Hayek que conduziu à completa ausência de regulação. Esta é a fonte dos nossos actuais problemas. Hoje estes homens estão mortos, mas o seu legado envenenado mantém-se”.


 


Ainda há apenas um mês escrevia que estava a chegar uma nova era mundial, com a liderança dos Estado Unidos ameaçada por uma China cada vez mais potente através de um ataque massivo contra o dólar. Mas acrescentava: “Muitas vezes, ao longo de sete décadas de ensino de economia e de publicação de muitos livros, me enganei. Ainda assim, como diziam os clássicos gregos, não matem o mensageiro que traz as más notícias”.


 


Não terá sido por isso que a morte lhe chegou ontem!


 


Com Paul Samuelson desaparece o último de um trio de economistas que mais aprendi a admirar: Samuelson, Galbraith e Peter Drucker!


 


 

Comentários

  1. Confesso que desconhecia que o senhor ainda era vivo, mas discordo da leitura que fez sobre a causa da actual crise. Claro que é legítimo perguntarem quem sou eu para questionar um prémio Nobel, mas eu também estudei pelo Macroeconomics (de Paul Samuelson), a bíblia da cadeira de Macro, e por isso permito-me opinar.
    Como já aqui escrevi (http://vilaforte.blogs.sapo.pt/176790.html) considero que a causa da actual crise foi o incumprimento por parte do Estado do seu pequeno (mas muito grande) papel de regulador e não da economia que simplesmente segue a sua natureza e explora todas as possibilidades para criar riqueza.
    Paz à alma de um grande economista que tinha a facilidade de tornar simples os conceitos complexos.

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  2. Paul Samuelson era um cientista e sábio.
    Não sou Keynesiano.
    Tenho muito mais em conta Hayek e Friedman e toda a Escola de Chicago.
    Conheço os debates furiosos entre ambos.
    Participa da minha história pois era pelo manual de Paul Samuelson , conhecido em todo o mundo, que estudava e olhava o mar da Foz do Douro...PAZ aos Homens Justos e Sábios.

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