Quem não arrisca...

Há cerca de um ano o país pode respirar de alívio perante mais um anúncio de José Sócrates. Apesar de estarmos a atravessar a maior crise financeira das últimas décadas, o rendimento disponível dos portugueses iria aumentar. Segundo Sócrates quem questiona este tipo de declarações é derrotista e até diz que nunca viu o pessimismo criar emprego.


Ontem o INE informou o país daquilo que demasiados portugueses já sabiam. Afinal o rendimento disponível diminuiu.


A explicação previsível do Governo será que o INE está politizado e que esta notícia faz parte de uma campanha caluniosa, que envolve a oposição, toda e em peso, o INE, o Presidente da República, o Eurostat, o FMI, os blogs, a OCDE, a TVI, o Serious Fraud inglês, a Procuradoria Geral da República e sei lá quem mais.


Claro que ninguém está satisfeito com a informação prestada pelo INE, mas nenhum político sério e rigoroso (será esta expressão um mito?) poderia afirmar, no cenário em Sócrates o fez, que o rendimento disponível dos portugueses iria aumentar.


Entende-se que Sócrates ao fazê-lo sabia que estava a correr o risco de ser desmentido pela realidade. Se a aposta tivesse corrido bem, cá estaria ele para se vangloriar, mas como infelizmente isso não aconteceu, será que se pode pegar no assunto sem ser acusado de estar envolvido numa cabala internacional?

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