As cuecas do Abdul
A figura abstracta do recheio das cuecas de um homem africano, peça de roupa que muitos deles não usarão, é algo que não deixa ninguém indiferente. Baseando-me apenas no senso comum, é suposto que quando o dito recheio é referido, elas sintam um principio de arrepio na espinha e eles uma pontinha de inveja. Claro que o senso comum não representa ninguém em particular e talvez por isso não esteja a ser rigoroso. Penitencio-me por isso.
No entanto, desde o Natal passado, o recheio das cuecas do nigeriano Abdul Mutallab passou a dizer-nos respeito a todos.
Já todos sabemos a história. A Al Qaeda planeou mais um atentado contra um avião com destino aos EUA. Se o jovem Abdul fizesse o uso 'devido' do recheio explosivo das suas cuecas, 278 pessoas morreriam.
O nervosismo de Abdul, compreensível dado ser o seu primeiro atentado suicida, e a acção rápida do holandês Yasper Schuringa, o passageiro do banco de trás, que apagou o pequeno incêndio que se seguiu à explosão e, com a ajuda da tripulação, imobilizou e algemou o nigeriano, estragaram o que seria o motivo para festança entre os terroristas.
Será caso para perguntar o que aconteceria se no banco de trás viajasse um defensor do diálogo com os terroristas? Lembro-me de Mario Soares, Miguel Portas e outros que tais. Provavelmente quando entendessem o que se estava a passar, iriam perguntar-lhe se sabia como estava o tempo em Detroit. Tentar contrariá-lo é que não, pois um terrorista entre 278 pessoas é claramente uma minoria e por isso tinha de ser defendido. Se ainda tivessem tempo para isso, antes da queda do avião, era provável que organizassem uma manif exigindo o uso da véu islâmico às hospedeiras.
O voo 253 da Delta constitui um excelente motivo para avaliar o que tem sido feito e como se deve combater o terrorismo.
A esquerda dita tolerante diz que compreende o combate, pois é natural a revolta perante o desequilíbrio na distribuição da riqueza mundial. Acontece que o jovem Abdul não é filho da pobreza mas sim das elites endemicamente corruptas da Nigéria. Também Bin Laden e muitos outros dirigentes da Al Qaeda são oriundos de famílias ricas. A pobreza dos países africanos deve-se exclusivamente à mediocridade dos seus governantes corruptos e incapazes.
O combate que os terroristas islâmicos travam é apenas pelo poder, o mesmo poder porque sempre se combateu durante a história da humanidade.
Há dias soube no Telejornal que dois dos três líderes mais destacados da Al Qaeda no Yemen já estiverem presos em Guantanamo. Saíram de lá na sequência da pressão internacional que houve sobre o encerramento desta prisão. Agora estão juntos e de novo no activo. O seu objectivo é a instauração de um califado global, com a aplicação da sharia, etc… o que é o mesmo que dizer que o seu objectivo é a destruição do mundo ocidental, o fim da democracia, da liberdade de expressão, dos direitos das mulheres, etc...
O que está em causa não são peanuts. E todos aqueles que se identificam com os valores ocidentais deveriam pensar nisto.
De referir que o Yemen é o mais recente viveiro dos radicais islâmicos e foi onde Abdul recebeu a formação de terrorista.
Para já, quem viajar de avião vai sentir objectivamente as consequências do terrorismo. O incómodo da novas medidas de segurança terá impacto sobre milhões de pessoas e isso é um motivo de orgulho para os que nos querem mal.
O combate ao terrorismo nunca pode ser feito pela via do diálogo como preconiza Mário Soares, por muito que nos custe,sabendo que nesse combate vão morrer soldados e civis inocentes.
ResponderEliminarPor cada dia que passa com o assunto por resolver é um dia a mais que tem para se organizar e é um dia a mais que empurramos este problema para que seja a geraçao dos nossos filhos a ter de o resolver.
EliminarPor muito que nos custe, haverá sempre inovcentes a sofrer e nada for feito os inocentes seremos nós e o nossos.