O que muda com o Acordo Ortográfico
O hífen:
Passa a escrever-se copiloto, antirreflexo e cooperação.
Mantêm-se hifenizados os prefixos ex-, pré-, pró-, bem- e não-: ex-diretor, pré-seleção, pró-ativo, bem-vindo, não-católico.
As formas monossilábicas do verbo haver perdem o hífen, como há muito se pratica no português do Brasil: há de e não há-de.
Os acentos tónicos:
Como no Brasil se escreve tônico e no resto dos países de língua oficial portuguesa se escreve tónico, as duas formas passam a ser oficiais;
O acento que distingue palavras homógrafas é suprimido, passando a escrever-se pelo (pêlo, substantivo), indistintamente da proposição pelo (por+o); por (verbo pôr), indistintamente da proposição por; para (em vez de pára, verbo parar).
Excepções para o verbo pôr, que mantém o acento para se diferenciar da preposição por e a forma dêmos, do verbo dar que se escreverá opcionalmente como dêmos ou demos.
Pode criar-se alguma confusão dos tempos no presente e no pretérito perfeito dos verbos terminados em –ar que, no português de Portugal, ao contrário do Brasil, é bem distinto: "nós andámos na cidade", distinto de "nós andamos na cidade"; "gostámos das férias", distinto de "gostamos das férias", etc., o que obriga a um estudo do contexto para se decifrar a correcta mensagem e, consequentemente, a compreensão de enunciados. Acresce que a eliminação do acento nalgumas palavras de português de Portugal faz com que a palavra passe a ter um sentido oposto para o qual ela existe: não se entenderá para-fogo (em vez de pára-fogo) um auxiliar do fogo e não o oposto?
Consoantes mudas
Na queda das consoantes mudas, passa a escrever-se ação, atual, ótimo, adoção, assunção, etc. quando a pronúncia no Brasil executa as consoantes, as palavras passam a ter duas grafias, como por exemplo, recepção no Brasil, mas receção em Portugal, e, onde a pronúncia é variável, mantém-se essa variação, sendo aceite, por exemplo, amígdala e amídala;
Maiúsculas
Passa a escrever-se com minúsculas os nomes dos meses, estações do ano, pontos cardeais, com opcionalidade maiúscula ou minúscula para formas de tratamento, lugares, e títulos de obras: janeiro, verão, norte, professor ou Professor, avenida da Liberdade ou Avenida da Liberdade. Há a ressalva para a grafia dos nomes próprios de pessoa que pode ser mantida….
Letra h em início de palavra:
Como no Brasil se escreve úmido e em Portugal e nos restantes países de língua oficial portuguesa se escreve húmido, as duas formas mantêm-se.
Da extensa «Lista alfabética das palavras cuja grafia muda», seguem outros exemplos
Abdómen – abdómen ou abdômen
Abjecto – abjeto ou abjecto
Actividade – atividade
Agro-alimentar – agroalimentar
Anti-salazarista – antissalazarista
Director – diretor
Ejectar – ejetar ou ejectar
Fracturar – fraturar ou fracturar
Gastronómico – gastronómico ou gastronômico
Pára-lamas – para-lamas
Pára-vento – para-vento
Pára-raios – para-raios
Pára-fogo – para-fogo
Pêra – pera
Reacção – reação
Recta – reta
Rectilínio – retilínio ou rectilínio
Sub-raça – subraça
Sub-reino – subreino
Tecto – teto, tecto
Tramóia – tramóia
Vêem – veem
Quano o objectivo é harmonizar, ou será que era armonizar (?), muita coisa fica ainda desarmonizada.
ResponderEliminarVai ser uma confusão, mas entre tantas, entretanto nem damos por ela!
O pretérito perfeito sem acento já há muito que é por cá utilizado. Então na expressão oral dos audio-visuais ou dos audiovisuais, era mato...
Há certas palavras onde não vamos encontrar grandes dificuladades com o hífen, porque caíram em desuso. É o caso de um dos exemplo dados: Anti-salazarista – antissalazarista!
antissalazarista caiu em desuso?... A língua portuguesa...
Eliminarai, ai... agora é que vou dar muitos erros...
ResponderEliminarOIbrigada pelo post, relembrou o que vou ter que aprender.
boa semana
Escrevendo mal ou bem vou tentando dar continuidade como aprendi.
ResponderEliminarTenho apenas uma vida para completar. Deixo as inovações para os mais novos.
Que raio de ideias de andar a mudar as coisas.
Já há muito que se sabe do quanto é esquesita a Lingua Lusa e continuam a dar-lhe mais dados provenientes de outros Continentes.
Eu, cá para mim...e no futuro ainda que longo vai ser falar Inglês.
É uma previsão megalomana...talvez.
Já agora... os Professores de Português tem de ser reciclados.Puxa vida.
ResponderEliminarPaulo... em primeiro lugar, obrigado, um post bem informativo.
ResponderEliminarQuanto ao acordo e à sua adopção, eu vejo as línguas como objectos vivos que vão mudando e evoluindo com o tempo, é inevitável que vão mudando e com a rapidez em que o mundo à nossa volta evolui ... isto deveria fazer de mim um defensor do acordo. mas na verdade, não gosto, neste caso e ao contrario do que é habitual, sou conservador, e nem percebo bem porquê.... tenho que pensar no assunto.
Abraço e boa semana
Jorge
O desacordo ortográfico em Portugal não pode, por enquanto, entrar em vigor pelo simples facto de que a lei portuguesa obriga que qualquer acordo internacional feito, só entre em vigor após todos os países que o assinaram o ratifiquem no seu próprio país, o que ainda não aconteceu, nomeadamente em Angola e Moçambique.
ResponderEliminarPor isso quem escrever com as regras do desacordo está a cometer erros.
Já agora porque é que os Brasileiros só têm que alterar 0,5% da sua ortografia e nós 5%?, Será para lhes dar razão que nós é que escrevemos mal, ou será para lhes dar um rebuçado com o olho no petróleo que não pára de jorrar para aquelas bandas e para isso até a nossa língua somos capazes de vender?
ResponderEliminarPobre nação esta.
Os brasileiros são mais de 200 milhões e nós somos apenas 10 milhões. A proporção não me parece descabida.
EliminarPaulo,
ResponderEliminarObrigado pelo post. Muito instrutivo, e necessário.
Fiz o post sem opinar sobre o assunto, mas cá vai.
ResponderEliminarA língua é de quem a fala, e sendo os brasileiros 190 milhões (e não mais de 200 como disse) e nós apenas 10 milhões... é uma questão de bom senso. Não somos os donos da língua.
Se repararmos encontramos imensos livros em língua inglesa entre os 5 e os 10 € enquanto que em português não é fácil encontrar algo a menos de 14/15 €. O que explica esta diferença é a dimensão do mercado livreiro. Isto é o que temos a ganhar e não é pouco.
Jorge Soares, nisto sou um progressista... lol
Abç
E olha que depois deste teu comentário... quase estou quase convencido.
EliminarAbraço
Jorge
Os ingleses são 70M os Americanos 300M, acham que eles andam preocupados em discutir se em Inglaterra o passeio de diz pavement e nos EUA se diz sidewalk, as linguas são "vivas" e nas diversas zonas onde são faladas e escritas elas próprias têm o poder intrinseco de se ajustarem camaleónicamente ao contexto sócio-cultural do país(zona) em questão, por alguma razão irão continuar a haver excepções entre o português do Brasil e de Portugal e a questão do preço dos livros deixa de ter sentido.
ResponderEliminarNa minha opinião este acordo surge pelo medo, que aflige quem tem algum complexo oculto, que o Brasil pelo poder politico que vem revelando ter, mude o nome de lingua portuguesa para lingua brasileira.
Paulo Sousa , muito obrigado pelo seu texto.
ResponderEliminarEu acho que este acordo é um progresso muito mínimo. Pena que o acordo dos anos 80 não tenha na altura sido aprovado. Há qualquer diferença entre escrever António ou Antônio ?
A continuidade da existência de duas normas pode ser fatal para a difusão da cultura portuguesa a curto prazo. Como bem escreveu o catedrático Arnaldo Saraiva a língua portuguesa conquistou muitos mais espaços em França ( e na Alemanha ) / graças à presença de brasileiros, mas é claro não só / que no momento em que era língua franca.
Não entender que as artes, a ciência, etc. br são duma grande vitalidade é ser cego. Por razões que ultrapassam o meu entendimento, Portugal talvez tenha perdido a oportunidade de mostrar que a sua cultura não são só comes e bebes , fados e futebois.
Perdeu uma oportunidade de deixar de ser considerada língua de imigração ( para passar a ser língua de cultura ).
Melhor dizendo, Portugal não soube apanhar a boleia. E o mais absurdo é que a boleia era dada pelo filho.
A dictadura orthographica não abre horizontes.
Nuno