Pequenos segredos...grandes sentimentos

               


 


A morte não faz parte da minha educação, nunca fui preparado para a aceitar, independentemente da forma com se revele. Esta figura foi, de alguma forma, mantida afastada da minha realidade, seguramente na óptica da protecção paternal e familiar.

Em minha opinião, a morte veste-se de negro e está sempre ávida de levar, sob o seu manto preto, qualquer um de nós mortais, que por cá vai andado até ao momento final. Só assim, sei explicar porque entendo esta metáfora como terrível e da qual necessito de manter a distância.

Ultimamente tenho tido conhecimento de várias mortes de pessoas que, de alguma forma, me tocaram pela sua experiência de vida. Algumas delas nem as conhecia, outras recordo-as com nostalgia e guardo imagens de outros tempos, felizes e de outra intensidade.

Sei, que há sociedades que não entendem a morte desta forma. Consideram-na como uma transição para outra fase da vida e não se perdem em sentimentos de arrependimento ou culpa por não terem feito ou dito algo de especial, nesta vida terrena. Acreditam que no futuro poderão voltar a encontrar essa (s) pessoa(s) e terão outras oportunidades de se manifestarem. A cor do luto também é característica dos povos e os rituais variam, de igual modo.

Alheio ao fenómeno intercultural, pergunto-me como se explica a uma criança que o pai ou a mãe morreram? Que se lhes deve transmitir neste momento de perda?

Soube, sábado, de um caso de uma criança de 4 anos, que perdeu o pai, não sei muito bem em que circunstâncias, mas o que é certo é que deixou de falar. Como se apoia uma mãe nestas condições? Ao longo de 1 ano, recorreram a apoio psicológico e a hipoterapia, sem grandes resultados, mas foi a música, na SAMP, que voltou a devolver, se é que isto é possível, alguma normalidade a esta criança.

A universalidade da música pode ajudar a superar estes infortúnios da vida. Por isso mesmo, e se me é permitida a sugestão, entreguem-se à música e aproveitem o que há de melhor ...

Os animais domésticos, são sempre outra opção a considerar, saudável para crianças e adultos, pois devolvem-nos sentimentos de grande cumplicidade e ternura. São amigos, fiéis e grandes companheiros.

Para todos os que tiverem condições, adoptem um cão ou um gato e serão mais felizes, também. Eles irão agradecer.

 

Comentários

  1. António Santos (prof. da acad.ª de música DOMISOL, Marinha Grande, tem defendido e divulgado "a tese" de que a música cura, entre variadas coisas, doenças mentais.

    A música liberta, sem dúvida nenhuma.
    Não aceitas a morte, nem humano nenhum, seja de que crença for, convive bem com a morte, segundo crenças do criacionismo (que tu como católico professas) pelo simples facto de que os humanos não foram criados/"programados" para morrer. A maça de Eva é que complicou isto tudo... Uma explicação como tantas, mas é este receio da morte, o que está para além da morte, que a religiosidade encontra força.

    Para o bem e para o mal.
    Sinceros votos que o aluno da SAMP recupere alguma paz de espirito.

    [ab]
    Boa semana!

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    1. A morte devia ser encarada com um fenómeno de passagem, um rito quase. Deveríamos ser preparados para lidar melhor com a morte, mas todos os sinais e práticas dos tempos hodiernos são no sentido de nos afastar da morte e até ocultá-la.
      No caso duma criança, penso ser extremamente difícil a explicação que poderá eventualmente ser agravada pela forma com que os adultos lidem com o evento.
      A música será sempre uma excelente terapia.

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  2. A Hipoterapia ( autismo, sindroma de Down, distrofia muscular e doenças neurodegenerativas), a Equitação Terapêutica e a Equitação Adaptada são uma mais valia para as crianças e adultos com carências a vários níveis: quer físicas quer psicológicas.
    E os resultados que se obtêm são excepcionais.
    A Sara Duarte, a nossa grande campeã de Paradressage, como já algumas vezes tiveste oportunidade de ver no Ares, é a prova disso mesmo.
    Mas muitos, e muitos outros usufruem desse privilégio. infelizmente neste país, pouco divulgado.

    Tenho muito orgulho de o centro equestre da Beatriz ser um dos pioneiros desta vertente da equitação.

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  3. Respostas
    1. Aprovou sim e foi bebida num jantar esta semana de amigos.
      Peço desculpa ,mas estes dias é-me impossivel visitar os meus vizinhos fortes, incluindo o Ferreira-Pinto.
      abraço

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  4. Desde que o Pitosga partiu que passa pela cabeça a ideia de adoptar outro, mas...

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  5. Tenho exactamente a mesma postura que tu em relação á morte.
    Sei que a música faz milagres em situações dessas, até em comas aparentemente irreversíveis.
    Concordo a 100% com o teu conselho sobre a adopção de um amigo de 4 patas.
    Excelente post.
    Beijinhos

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