"Fúria Divina"


Acabei de ler, há pouco, o livro do jornalista José Rodrigues dos Santos, de quem, devo confessar, não guardava boa opinião, seja enquanto pivot do jornal da noite, seja enquanto escritor.

É certo que também nuca tinha lida qualquer obra sua, mas as opiniões criam-se também, com base nas impressões visuais que recebemos diariamente e na própria linguagem não verbal que todos nós fazemos chegar a quem nos vê.

Estava enganado, admito! Não que seja um crítico literário ou avaliador de conteúdos jornalísticos, de todo. Sei, contudo identificar e reconhecer quando faço juízos de valor, com base em critérios subjectivos.

Quando as luzes da ribalta iluminam fortemente os temas que teimam em manter-se no top 10, nada melhor do que parar e pensar sobre eles, de modo a criar a nossa própria opinião. Talvez tenha sido esse o resultado final da obra em questão, “Fúria Divina”, apesar de romanceado e ficcionado, é certo, mas tem o mérito de ter um trabalho intenso de pesquisa e estudo sobre o islamismo e a cultura muçulmana.

A leitura é ligeira e até engraçada, mas não deixa de ter suporte em assuntos muito relevantes que nos podem até passar despercebidos, como a questão da segurança dos materiais nucleares, na antiga URSS e o fenómeno dos extremismos religiosos, levados à letra sem contextualização e enquadramento evolucionista.

A interpretação do islão, à luz da actualidade religiosa, é interessante e sugestiva, pelo que deixo a recomendação desta leitura. Muito gostaria que devolvessem as vossas opiniões sobre este assunto fracturante, depois de uma leitura atenta e reflectida sobre o livro.

Parabéns ao autor.

 

Comentários

  1. Pedro, já o comprei, mas ainda não o li.
    Dele, há um livro que me marcou, "A Ilha das Trevas". É um dos primeiros que escreveu, é baseado em factos reais, pelo que acaba por ser um documentário romanceado, se lhe podemos chamar assim... aconselho-o vivamente.

    jocas

    ResponderEliminar
  2. Pedi o livro emprestado depois de um amigo lhe ter tecido rasgados encómios.
    Cheguei rapidamente à conclusão que eram imerecidos.
    Rodrigues dos Santos, aliás como outros jornalistas escritores lusos dos tempos modernos, lembra-me um pouco Dan Brown. Pega num tema polémico, junta-lhe mais três ou quatro sobre os quais quase todos já ouvimos falar, mistura-os criando um enredo de leitura leve e a facilitar rapidez na mesma.
    Não que tenha algum menosprezo para quem escreve assim (e a Margarida Rebelo Pinto é mil vezes) ou que apenas tenha em "Ulisses" do James Joyce o supra sumo do que deve ser a escrita, mas confesso que não é o meu estilo.
    O trabalho de pesquisa deve ser louvado e revela que, no mínimo, sabe aproveitar o que tem à mão de semear (RTP) e não é preguiçoso.
    Quanto à questão islâmica vislumbro ali algum interesse pois não sendo uma abordagem massuda ou de tratado, poderá abrir portas à curiosidade e também a que se comece a levar mais a sério no Ocidente o problema que uma certa visão do Islão nos poderá vir a colocar.

    ResponderEliminar
  3. Caro Pedro: nunca li nada desse autor e, confesso, estar pouco interressado, embora reconheça o seu sucesso e fico contente por isso. Para dar o meu contributo, o meu post de hoje aborda a questão do islamismo na Europa. Um abraço

    ResponderEliminar
  4. É claro que queria dizer, no comentário anterior, o meu post de amanhã, terça-feira, 9/2, às 14H00!

    ResponderEliminar
  5. Já li o Codex 632 e enquadra-se no género dos romances internacionais de leitura agradável que conseguem ter bons volumes de vendas, como aliás conseguiu. Ninguém publica um livro para ficar na livraria e por isso é claro que José Rodrigues dos Santos sabe a que público se dirige e prepara o livro com detalhe. O Codex tem a vantagem de poder um destes dias ser passado a filme. Considerando que trata da verdadeira identidade de Colombo, que segundo ele é português, seria bem interessante ter um episódio da nossa história trabalhado por Hollywood.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Gandembel

Foi um prazer estar convosco neste esplanada