Bom fim-de-semana
POIS BEM !
Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: - Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
E para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá.
E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: - Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear
E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: - Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
- eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra..
Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: -Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.
Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: -Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.
Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
- São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português !
P.S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: - Pois bem !
Não concebo sequer que me olhe com desdém.
num sorriso de dó eu pensarei: - Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
E para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá.
E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: - Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear
E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: - Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
- eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra..
Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: -Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.
Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: -Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.
Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
- São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português !
P.S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: - Pois bem !
Não concebo sequer que me olhe com desdém.
Afonso Lopes Vieira
via simecqcultura
Registamos, com agrado, o voo deste poema em novas direcções!
ResponderEliminarEu orgulhosamento português me vanglorio.... Que portugal malandro que para mim olha com desdem.
ResponderEliminarSer português não é bom..... Mas sim um atestado de valor.
Que mau valor aquele que facilmente se torna vaidade
Excelente Pedro, e ver isto nao é patacada...muito bem!
ResponderEliminarOrgulho nacional é preciso.
Mas importa também construír as razões de orgulho.
Muito bem!
Parece que tudo isto ultimamente anda muito esquecido. E é pena.
ResponderEliminarFelicito-o Pedro por ter publicado este poema.
Não é para contrariar, mas como os contrastes às vezes também ajudam à reflexão, aqui vai:
ResponderEliminar"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas ..."
Guerra Junqueiro -1886
Já que se cita Afonso Lopes Vieira porque não citar António Sérgio ?
ResponderEliminarCreio que o patriotismo não deverá ser , para nós, uma cega e vaidosa exaltação sistemática , sem intelecção nem discrime , dos actos e dos intuitos dos portugueses de antanho, mas o amor ao povo português deste tempo , que nos cumpre ensinar e redimir-se a si mesmo. : e para isso convém que inclinemos os jovens para a interpretação sociológica dos acontecimentos históricos, para o amor da veracidade e do humanismo critico , para a visão objectiva e desapaixonada dos factos, buscando a realização do ideal no futuro e não a embusteira idealização do passado.
António Sérgio , Ensaios tomo VIII , Guimarães Editores, Lisboa , 1958.
É : A cantiga fascista-salazarista do "orgulhosamente sós" desaguou em bairros de lata . Prefiro o pensamento de António Sérgio .
Nuno