Estratégia de Lisboa
Faz amanhã precisamente 10 anos que o Conselho Europeu da Primavera de 2000 adoptou a chamada estratégia de Lisboa que visava, em 10 anos, transformar a Europa “na economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, capaz de um crescimento económico sustentável, acompanhado da melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e de maior coesão social”.
Fomos ouvindo falar dela durante muito tempo. Depois deixamos de ter notícias dela. Há uns tempos, por cá, ainda se falava de Plano Tecnológico com o seu progenitor, Carlos Zorrinho, a lembrar-se dela. Mas isso foi há uns anos…
E bem sabemos porquê!
É que o plano de transformar a Europa na zona económica mais competitiva do mundo falhou por completo. Os 10 anos acabam de se esgotar e a Europa está como está: sem crescimento económico, com máximos históricos de desemprego em tempo de paz, com os mais altos índices de instabilidade de emprego, com as maiores assimetrias sociais e com tudo o que era seu modo de vida posto em causa.
A estratégia de Lisboa morreu. Das metas estabelecidas para estes 10 anos não só nenhuma foi atingida como, aqui chegados, não vemos como atingir alguma nos próximos 10. E não vale a pena virmos culpar a crise financeira internacional. Quando chegou já mais de 70% do período estava esgotado e sem resultados. Falhou o próprio desenho institucional da estratégia, como falha tudo o que se possa definir como desígnio colectivo europeu. Estamos bem longe de aí chegar!
Confesso a minha expectativa pelo assinalar da efeméride amanhã. Pode bem ser que passe completamente esquecida…
Será foi o nome da cidade que deu azar à coisa?
ResponderEliminarVeremos daqui a uns anos, depois de se poder avaliar os resultados do Tratado de Lisboa.
Lembro-me perfeitamente desse dia. Aí nessa cidade linda (Lisboa), cheia de Sol e Luz, confrontaram-se duas grandes opiniões:
ResponderEliminarUma, (construída com cinismo) foi vendida como a panaceia e remédio para todos os males da UE, pelo então governo português, como paga de uma grande campanha publicitária a politicas de engano, falsa economia e emprego sustentável.
A outra (verdadeira) foi a grande (eu digo enorme) manifestação convocada pela C.G.T.P., alertando os trabalhadores para a farsa que estava a ser montada, quanto aos propósitos das politicas restritivas e de afunilamento do desenvolvimento social, económico e de emprego que se estava a desenhar em toda a Europa, numa clara cedência estratégica á economia de guerra, imposta por G. Bush, à europa sem politicas e sem politicos sérios.
Passados estes dez anos, digam-me esses famosos economistas e travestidos politicos, onde desembocou a sua tão estafada tese de desenvolvimento!?
Mais desemprego, menos direitos, mais trabalho com o mesmo custo salarial, acumulação sem vergonha de mais valias financeiras, mais benesses para o tráfico de influências nos negócios das grandes e colossais obras públicas.
Os portugueses irão um dia descobrir os mentirosos militantes e os traficantes de moeda falsa.
Para não esquecer o dia:
ResponderEliminarhttp://aeiou.expresso.pt/conjuntura-fitch-baixa-rating-de-longo-prazo-de-portugal-para-aa--com-perspetiva-negativa=f572645
TEMPESTADE. A Fitch reduziu a classificação da dívida portuguesa, de ‘AA' para ‘AA-‘, um reflexo do agravamento do défice português em 2009. O ‘outlook' para Portugal mantém-se negativo.
ResponderEliminarÉ um facto.
Conforme previa não vejo referências à efeméride. Da Estratégia de Lisboa nem rasto. Procurei e o que encontrei foram outras coisas: por exemplo que neste dia 24 de Março, em 1973, os Pink Floyd lançaram o que, para mim, foi uma das mais fantásticas obras que a música do século XX produziu: "The Dark Side of the Moon". E que precisamente nesse mesmo dia os Roxy Music lançaram o álbum "For your pleasure”, que não fez exactamente o meu… Talvez porque tivesse sido demasiada a ousadia de o lançar no mesmo dia de uma obra-prima!
ResponderEliminarNa realidade, no dia em que a maior e a mais bem sucedida realização da UE, o euro pois claro, sofre um dos maiores ataques, quando a UE prova que não consegue sair em defesa dos seus membros ameaçados e mostra claramente que o que conta é Alemanha e França (com a Inglaterra, como sempre, com os pés de fora e a bater palmas às “Fitch” deste mundo), não se podia lembrar que se chegou a definir objectivos daquela ambição.