A aliança Psyche e Soma (corpo)…
Ontem foi dia Mundial da Saúde. Sem nos darmos conta quando falamos ou pensamos em saúde reportamo-nos quase exclusivamente à saúde física, esquecendo que a saúde mental, o bem-estar emocional é tão ou mais importante do que a saúde física. Não será por acaso que as doenças psicossomáticas são uma das grandes preocupações do séc XXI, apontando-se para que cerca de 80% das doenças possam ser de origem psicossomática, ou seja, um “mal-estar” de origem psicológica que tem expressão física e que se poderá tornar numa doença crónica.
A verdade é que na maioria das vezes se ignoram os sintomas emocionais, por dificuldades de expressão das emoções, por ignorância emocional, por racionalidade irracional, entre muitas outras razões, e a forma que o nosso “inteligente cérebro” tem de nos fazer parar e reparar no que está a acontecer, sempre que teimamos em ignorar, é dar sinais físicos, ou seja, sintomas físicos e aí sim, todos paramos para ver o que está a acontecer (esperamos que a tempo, antes de se tornar doença crónica) com o nosso corpo, que aparentemente merece mais atenção e cuidado. A educação emocional ainda tem um longo caminho a percorrer, mas os estados depressivos, ataques de pânico, ataques de ansiedade, problemas de estômago etc etc esses estão aí já na “próxima paragem”!
E porque saúde é muito mais do que um estado físico…
“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente..."
Pablo Neruda
Soube bem ler e reflectir um pouco sobre este poema de Pablo Neruda. Às vezes, apetece parar e desistir de projectos que nos fazem "viver". Mas concordo com o poeta. É preciso ousar...
ResponderEliminarE segundo as últimas noticias os Portugueses são aqueles que mais problemas do foro psiquico, apresentam a nível europeu.
ResponderEliminar"mente sã,corpo são".
Disse aqui um dia que me sentia de certo modo, e por certos motivos que agora não interessam nada, "afastado, "expulsado", para fora das caixas de comentários do Vila Forte, pelo que não me restava outra atitude, se não a de me retirar, "até qualquer dia"...
ResponderEliminarTenho lido os posts da Telma, como tenho pena de não poder continuar a ler os do Manuel Gomes, sem nunca lhe ter deixado uma oportunidade. Continuo, como é lógico, por aqui a ter amigos.
Isto tudo apenas, para agradecer a Telma que me tenha "obrigado" a dizer-lhe aqui: OBRIGADO! por esta mais este texto, nomeadamente nas transcritas palavras de Pablo Neruda.
Felicidades Telma!
PC
Perdão, errata:
Eliminar"como tenho pena de não poder continuar a ler os do Manuel Gomes, sem nunca lhe ter deixado um comentário."
-Era o que queria dizer.
Não deixo de a felicitar pelo texto, mas também pela forma como chamou para o post "Pablo Neruda".
ResponderEliminarSem pensar muito nas delicias da mensagem, lembrei-me que fez agora (27-03-1810) 200 anos que nasceu o nosso grande "Alexandre Herculano", que deu ao Arquivo Real da Torre do Tombo, um contributo ímpar na valorização da análise e relato dos acontecimentos passados com base na prova documental.
Para além dos seus livros:- "Eurico o Presbítero e "O Bobo", os Opúsculos são do meu ponto de vista um monte enorme de critica, mas também de pensamento humano de elevada qualidade. Daí, não resisto a descrever alguns dos seus iluminados pensamentos, que encontrei no Jornal "Avante" desta semana.
Então aí vai:
"O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar"
"Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender"
"Querer é quase sempre poder: o que é excessivamente raro é o querer".
"É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os".
" Saber resistir à violência é forte, mas vulgar; saber resistir à calúnia e aos motejos é maior esforço e mais raro".
"É o progresso das ideias que traz as reformas, e não o progresso dos males públicos quem as torna inevitáveis".
"Há épocas de tal corrupção, que, durante elas, talvez só o excesso de fanatismo possa, no meio da imoralidade triunfante, servir de escudo à nobreza e à dignidade das almas rijamente temperadas".
"A indiferença silenciosa, grave, quase benévola, é a manifestação legitima da morte de toda a crença".