Licença de Paternidade - Só a lei não chega!
Uma notícia do Expresso refere que em 2009 mais de 12 mil homens tiraram licença parental, o que representa uma elevada subida face aos números de 2008, em que apenas 605 o haviam feito. O decreto-lei - em vigor desde Mio de 2009 - veio alargar a licença de parentalidade de quatro para cinco meses, paga a 100% quando parte desse período é partilhado entre o pai e a mãe e assim incentivar que muitas mais pais gozem o seu direito de partilhar este momento. É muito bom sentir que cada vez mais pais estão presentes neste momento que durante muitos anos era do domínio exclusivo da mulher.
Certamente não é difícil todos concordarem de que esta lei é muito importante e não deve estar vedado ao homem o direito de estar com o seu filho num momento tão determinante.
Ao facto de a lei não ser propicia, durante muitos anos, ao pai não é alheio o poder que as mulheres exercem (ou exerceram), directa ou indirectamente, neste campo, julgando que apenas elas, (nós), cuidamos bem dos filhos, especialmente quando bebés, como se o papel de cuidador pertencesse em exclusivo à mulher. Tal não é verdade.
A vinculação com as figuras de referência, este caso em concreto, com o pai e a mãe, começa logo no início de vida do bebé e é determinante para o seu desenvolvimento saudável. E este período permite uma aproximação e o estabelecimento da relação que poderá ser muito importante, tanto para o casal como para o futuro da relação pai/filho.
A lei já protege este direito e vontade, mas chega?? Não! Porquê? Porque as leis não mudam mentalidades! E tanto que há a mudar! Muitos dos homens que decidem desfrutar do seu direito sofrem represálias, implícitas ou explicitas no seu local de trabalho, são alvo de comentários jocosos por parte dos outros, é posta em causa a genuína vontade de estar com o filho, olha-se de lado como se a mulher/mãe estivesse a ser má mãe porque decidiu partilhar o momento… e enfim, tantas outras coisas lamentáveis. E depois proclamam-se os valores da família!
Olá
ResponderEliminarA minha parte da licença começou hoje, a minha mulher tirou os dois primeiros meses, eu vou tirar dois e o ultimo será de novo ela.
Felizmente trabalho numa empresa onde já se derrubaram as barreiras mentais, não houve problemas nem bocas, foi natural.. mas das conversas que tive, há um dado a reter, se há mentalidades a mudar, é a de muitas mulheres, elas acham que este tempo é delas ...e não estão dispostas a partilhar.
Isto já foi tema no meu blog...aqui:http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt/102155.html e aqui: http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt/103306.html
Jorge