MAIS PEC(ADOS)

 


O PEC já foi aprovado por Bruxelas. Ontem. Ufa… que alívio! Com os pecados que aqui demos conta, mas não faz mal. Não é novidade para ninguém que Bruxelas também gosta destas coisas de fazer de conta. Como qualquer bom burocrata preocupa-se é com a forma e não com o conteúdo. Que o diga a Grécia!


 


Mas, mesmo assim, aprovou o nosso PEC com algumas reservas. Se se tratasse do parecer de auditores dir-se-ia que se trata de um parecer com reservas, com uma qualificação. Coloca em dúvida o resultado final, afinal aquilo que está em causa – o défice inferior aos 3%! Por duas razões, que a Comissão Europeia transforma em dois reparos: dúvida quanto à capacidade da nossa economia em atingir o crescimento (0,7%!!!) programado e ausência de medidas – quer dizer aumento de impostos – em 2010.


 


Pois o nosso governo tratou de imediato do assunto. À sua maneira, bem entendido: voltando ao fazer de conta. O primeiro-ministro, em Leiria, onde participava num jantar conferência de lotação esgotada, apressou-se a desvalorizar o assunto. Afinal o que é importante é a aprovação do documento, disse. O que é importante é fazer de conta, acrescento eu! As recomendações não têm importância nenhuma, são normais; a Comissão fê-las a todos os países membros, reforçou, reforçando ainda o faz de conta.


 


O ministro da Economia, no “Negócios da Semana” do José Gomes Ferreira, na SIC Notícias, faria ainda melhor, reportando-se à variável da sua tutela – o crescimento económico. Dizia então um dos ministros que ainda ia passando por entre os pingos de chuva, que afinal “era preso por ter cão e preso por não ter”, pretendendo meter no mesmo saco as críticas internas, sobre esta matéria, ao PEC (falta de economia e crescimento residual) e estas da Comissão Europeia. Não sei se por falta de honestidade intelectual ou se apenas para encontrar uma escapatória mal amanhada, interrogava com ar muito sério: entáo em que ficamos? Queria dizer que, primeiro, 0,7% de crescimento era pouco, e que agora é muito, tanto que não conseguimos lá chegar!  Claro que a Comissão (e até o insuspeito Banco de Portugal) tem sérias dúvidas que a economia portuguesa consiga crescer mesmo àquela taxa marginal. Que toda a gente, internamente, critica porque vê que não resolve problema nenhum – nem desemprego, nem défice – e que apenas serviu para o faz de conta do PEC.


 


O ministro das Finanças, o primeiro a reagir, não destoou. E atacou logo na frente que mais directamente lhe dizia respeito: os impostos e a recomendação europeia para que fossem tomadas medidas já este ano. E então vem logo falar na tributação das mais-valias bolsistas. Era só para ser introduzida no próximo ano mas “vamos fazer chegar o diploma à Assembleia da República até ao final deste mês”, disse de imediato. Muito bem! Mas o que é que isso tem a ver com efeitos ainda para este ano? Vamos lá a ver, não será que as mais valias só se apuram no acto da venda? Então, e sendo que a lei não pode ser retroactiva, a nova receita fiscal que daí provém resulta das mais valias obtidas pelas vendas de acções adquiridas depois da entrada em vigor da lei. E o que é que isto tem a ver com receita fiscal de 2010?


 


Como vemos a festa continua. Cada um faz o seu número e sempre melhor que o outro! E como ainda ontem a procura duplicou a oferta na colocação de mais uns milhares de milhões da nossa dívida pública está tudo bem. A taxa já quase chega aos 5%, mas que importância tem isso?


 

Comentários

  1. Respostas
    1. É isso. A festa continua até que alguém "feche a porta", que é como quem diz, nomeie o liquidatário... Por enquanto ainda vai dando para o "revolving credit" ir andando, mas já não será por muito tempo. Como eles dizem, um dia destes alguém dá um murro na mesa e diz que já chega.

      Eliminar
  2. Uma coisa é certa.
    Deixemos de demagogias porque já ninguém as entende, nem tem pachorra para elas.
    Na situação que o País se encontra qualquer governo que lá estivesse fosse que partido fosse teria duas alternativas:
    Saiamos da UE ou apresentávamos o PEC e por isso mesmo os partidos votaram a favor.
    Sim porque é bom não esquecer que mesmo o PSD abstendo-se foi da mesma forma uma viabilização do PEC.
    A Dra Ferreira Leite sabia bem que não poderia ser de outra forma.

    ResponderEliminar
  3. Isto tudo cada vez mais me faz acreditar no tal Sr. (Dizem os inteligentes que é Profeta das desgraças) Medina Carreira.
    Ele bem tem avisado a navegação mas teimam em assobiar para o lado com sorrisos...
    Com cerca de 6-Milhões de Portugueses a dependerem do OE como é que se pode avançar alguma coisa.
    Os Funcionários Públicos (A maioria são Portugueses de 1º) até vão ter tolerância de ponto na vinda do PAPA e alguns Concelhos-Distritos com Feriados, Uma alegria.
    Os outros desgraçados que paguem..TUDO.

    ResponderEliminar
  4. Conheço o Dr. Medina Carreira. Há anos que o leio e o sigo na TV (cerca de três anos tornou-se mais visível).
    Nao lhe atribuo o dom de profeta do regime.
    Contudo, opino e opinei que diz coisas (redução do Estado por contrapolo a eficiência económica) que foram ditas há alguns anos por sectores ligados ideologicamente ao conservadorismo.
    Nao é puxar a brasa à minha sardinha...mas é o que é.
    Uma cadeira é uma cadeira, e não é sofá porque o Adérito diz que é...
    Pois já aqui opinei que vai ser pior!
    Um dos cálculos referenciais do risco debitório é o da chamada divida segura.
    A Alemanha deve, mas deve podendo pagar...
    Nao é o caso de Portugal. Não produz em grau suficiente....
    Seria preciso um crescimento superior a 2.5%...o que é manifestamente inatingivel.
    Preparem-se para o Verão...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Gandembel

Foi um prazer estar convosco neste esplanada