O Poder dos Poderosos
Poder é o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força.
O Expresso elegeu “Os mais poderosos de Portugal” e sem surpresa o Português mais poderoso de Portugal é Ricardo Salgado, Presidente do BES. Nos 10 mais poderosos, estão 5 empresários, 3 políticos no activo, 1 comentador/político e o presidente de uma Fundação.
Questionado sobre o facto de ter sido considerado o mais poderosos Ricardo Salgado diz, que “É bondade excessiva dos votantes. Não tenho como objectivo de vida. Há personalidades no país muito mais importantes e relevantes do que eu. O sucesso do BES resulta da sua equipa, da confiança dos seus clientes e accionistas”. Não tem como objectivo, mas considera uma bondade a votação! Claro que o poder e o dinheiro estão sempre associados, mas para além disso, também a autoridade e a influência.
Belmiro de Azevedo ficou em segundo, ou seja, o poder financeiro ultrapassou o poder económico, o que também se percebe. Um dos júris que prefere Belmiro a Ricardo Salgado, caracteriza ambos assim “O poder de Belmiro é transparente, o de Salgado é soturno”, o que também se percebe, não fosse o BES uma empresa do regime, que tem sempre alguém no governo e também da oposição, accionista de referência, das principais empresas portugueses, como por exemplo a PT. Já Belmiro tem a imagem de contra poder, de dizer o que pensa e de afrontar permanentemente o poder político. Nunca me esqueço, durante a OPA que a SONAE lançou à PT, de uma conversa com alguém da PT, que me dizia: “mas pensas que o merceeiro alguma vez compra a PT?” não comprou é verdade!
O Primeiro-Ministro José Sócrates é terceiro e o Presidente da República Cavaco Silva ficou em sexto, os políticos têm assim menos poder que os empresários.
Quem falta nos 10 mais poderosos? Estranho a ausência de alguém da igreja, da justiça, da comunicação social.
Mas a propósito do poder o artigo começa por citar Ralph Emerson “Terás alegria, ou terás poder, disse Deus; Mas não terás ambos”.
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