Após a visita de Bento XVI a Portugal


O Papa Bento XVI, após uma visita de quatro dias ao nosso país, regressou ontem ao Vaticano.


Atrás de si deixou uma imagem diferente da que os media criaram e alimentaram desde a sua eleição. Os milhões de pessoas que deixaram o seu dia-a-dia para o verem e ouvirem, falam de um homem acessível que transmite calma e tranquilidade pelas palavras.


As longas maratonas televisivas e radiofónicas, mostraram um homem que se exprime claramente em português e que entre os intelectuais e artistas, num encontro que promoveu com a sociedade laica (não fosse ele próprio um grande intelectual) disse: “Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza”.


Referindo-se aos escândalos sexuais que têm assolado a Igreja, afirmou 'que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado da Igreja'.


Houve mais declarações dignas de leitura cuidada, mas só estas já seriam suficientes para mostrar aos sectores anti-clericais, que nem que seja numa perspectiva de dialéctica sem preconceitos, pode fazer sentido mudar da táctica habitual quando falam de Igreja, que se resume a 'atirar a matar', para outra que poderia ser 'contar até três e respirar, antes de disparar'.


Esses mesmos sectores da sociedade, que coincidem quase totalmente com os sectores progressistas que defendem as causas fracturantes que a Igreja condena, passaram a semana a evitar comparar a dimensão das multidões que seguiram o papa em Lisboa, em Fátima e no Porto, com a dimensão das suas manif's, mas talvez tenham entendido que o impacto dos temas que defendem resulte acima de tudo do apadrinhamento que têm nos media.


Já aqui afirmei recentemente que considero que o pior da mensagem de Cristo reside no caracter temporal da Igreja, mas de facto temos de reconhecer que é admirável, que após 2000 anos de história, se consiga manter esta capacidade de mobilização.

Comentários

  1. Paulo, duas notas: uma para salientar o notável poder de mobilização que não sei se dizer da Igreja se do Papa (ás vezes há diferença entre Papa e Igreja), mas claramente uma extraordinária capacidade mobilizadora que, penso, não deixará de surpreendente nos tempos que correm; e outra para salientar a diferença gritante entre a posição transmitida, e sucesivamente reiterada pelo Papa, a propósito dos escândalos de pedofilia na Igreja e aquela que pudemos observar na Igreja e nos sectores católicos da sociedade portuguesa, como que a Telma aqui trouxe naquele seu notável post da "cabra cega".




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    1. Como comentei nesse post da Telma, não é aceitável que se ocultem criminosos à justiça, o que acho ser suficiente para comentar esse assunto.
      No entanto, acho piada à atitude das mentes progressistas que encolhem os ombros, e até compreendem, quando um clérigo declara uma fatwa por causa de umas caricaturas ou de um livro e tanto se indignam com a visita do líder espiritual de uma religião que 'nada impõe, só propõe', como lembrou Bento XVI.

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  2. Ainda não "engoli" esta visita. Por diversos factores mas sobretudo porque não suporto a hipocrisia da igreja e muito menos deste papa e porque não suporto o desaforo dos nossos governantes, que nos tiram apele e o osso e esbanjam dinheiro com festivais destes.
    Pelos menos os festivais de verão são mais económicos e dão lucros a alguns.
    Muito embora a pegada ecológica dos festivais de verão seja grande, nada se compara a esta visita do papa.

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