Cavaco
A recente promulgação da lei do chamado casamento homossexual pelo Presidente da República terá, provavelmente, representado a machadada final na esperança dos portugueses no desempenho presidencial de Cavaco.
O que acabo de afirmar nada tem a ver com a minha posição pessoal perante essa lei ou perante o tema em si, amplamente aqui discutido na oportunidade própria. Não é a promulgação em si que pretendo pôr em causa. É apenas a forma como Cavaco fugiu das suas responsabilidades e fugiu de si mesmo.
Dizer que o seu veto era ineficaz porque a lei regressaria da AR exactamente na mesma, sendo então obrigado a promulgá-la, ou que o seu veto constituiria motivo de instabilidade política, não é mais que fugir das responsabilidades e negar-se a si próprio.
Mas é mais: é a confirmação de um presidente que nada decide, que em nada intervém e que nada faz. Tudo pelo que considera serem os superiores interesses da sua recandidatura, bem à maneira da máxima do funcionalismo reinante em Portugal: se nada fizer não cometo erros!
Cavaco assume-se não como mais alto dignitário, como deveria, mas apenas como o mais alto funcionário do país, esquecendo-se que nem sempre se consegue passar por entre os pingos da chuva. Muitas vezes saímos molhados!
Acho que fez uma boa leitura da decisão presidencial.
ResponderEliminarEu que não votei, nem vou votar em Cavaco Silva nas próximas eleições, sinto que a ligeireza politica do nosso presidente, se comparou muito com o resto dos politicos partidários. Quando os assuntos são demasiado sérios ou dão possibilidade de perder votos, esquecem logo o dever de ser coerentes, verdadeiros e de afirmação de convicções.
Com esta postura, não restam dúvidas que os portugueses ainda não têm na sua agenda e no terreno, uma personagem/candidato em quem se possa confiar politicamente, para falar verdade e responsavelmente mobilizar os portugueses para o essencial : Responsabilizar e enfrentar os interesses mesquinhos do oportunismo politico/partidário..