Infelizmente, Renoir não saberia entender o que é ser mulher nos dias de hoje, tal como não soube quando pintou este quadro, que, já na altura, pintava demasiado colorido o dia a dia da maioria das mulheres
Acredito que no futuro as mulheres terão um estatuto de plena igualdade perante os homens. Quando lá chegarmos, deixará de fazer sentido assinalar este dia. Questiono-me sobre qual será o ponto óptimo (perdoem-me a linguagem matemática) a partir do qual deixará de fazer sentido assinalar a causa da igualdade de géneros nas capas dos jornais e nas aberturas dos telejornais. Claro que em algumas sociedades esta questão tem toda a urgência em ser debatida e em que se tomem medidas concretas que interrompam o ciclo demolidor que penaliza milhões de seres humanos apenas por terem nascido mulheres, mas, noutras sociedades as mulheres usufruem de igualdade genérica de tratamento. As excepções que confirmam a regra. Sei que estou a opinar num território delicado em termos dos conceitos do 'politicamente correcto'. Não pretendo minimamente desvalorizar a data, mas julgo que o exagero de algumas manifestações deste dia, e estou a lembrar-me das centenas dos jantares histéricos que hoje ocorrerão, se por um lado poderão significar um grito de liberdade, por outro não passarão de actos efémeros, que pressupóem o regresso no dia 9 ao cenário dito normal.
A igualdade está ainda demasiado longe de ser, sequer, uma palavra minimamente pronunciável. Os jantares histéricos, de facto, de nada adiantam, assim como de nada adiantará qualquer celebração que num só dia tente mascarar aquilo que não se modifica no resto do tempo - as mentalidades - e nem sequer me refiro a locais, no globo, pouco desenvolvidos. Em todo o mundo é assim.
A desigualdade é ainda tão grande que nos séculos mias próximos não pderemos deixar de lembrar todas as mulheres que ainda não sairam da escravatura doméstica, civilizacional , religiosa ou social. Quanto ao histerismo é o grito de quem durante todos os séculos anteriores não podia sequer dar um suspiro sem autorização de alguém ... desmaiavam logo . E era chic!! Mas Paulo , nós aprendemos a colocar a voz. Deem-nos tempo e espaço... e vamos surpreender ! Eu já estou preparada para defender as quotas masculinas em determinadas profissões como por exemplo no ensino, e não vou precisar de séculos para o defender! Hèlas!
A Guerra Colonial marcou muitos milhares de pessoas. Não só portugueses. Em termos históricos ainda não terá passado o tempo suficiente para a debater com isenção. Não quero aqui fazer qualquer juízo de valor, mas apenas partilhar um texto e uma foto que apanhei na net. Gosto de ouvir as estórias dos soldados que combateram nas ex-colónias, sendo que a maior parte deles o fez contra a sua vontade. Acho que o país lhes deve, no mínimo, um agradecimento pelos anos perdidos e pelos sacrifícios passados. Os relatos na primeira pessoa contados por muitos ex-combetentes será uma forma de perpétuar o que passaram, assim como um contributo para que as gerações mais novas de que faço parte, conheçam a sua história. Como se diz no excerto, muito do que se passou nesses tempos difíceis seria assunto para muitos livros e muitos filmes. Guiné 1968 Região de Tombali - Gandembel CCAÇ 2317 Início da construção do aquartelamento «As grandes fotografias dispensam legendas. Esta é uma das fotos-í...
Caros amigos, Uma vez aqui reunidos nesta esplanada, queria em primeiro lugar agradecer a vossa disponibilidade em participar nesta tertúlia de livres pensadores portomosenses. Foi com estas palavras que começamos o Vila Forte em Outubro de 2006. Passados todos estes dias olhamos para trás e sentimos orgulho pelo que foi este blog e estamos certos que teremos saudades do projecto que hoje termina com este post. Foi um prazer estar convosco neste esplanada. Obrigado a todos. Até sempre
Obrigada!
ResponderEliminarbjs
Infelizmente, Renoir não saberia entender o que é ser mulher nos dias de hoje, tal como não soube quando pintou este quadro, que, já na altura, pintava demasiado colorido o dia a dia da maioria das mulheres
ResponderEliminarAcredito que no futuro as mulheres terão um estatuto de plena igualdade perante os homens.
ResponderEliminarQuando lá chegarmos, deixará de fazer sentido assinalar este dia.
Questiono-me sobre qual será o ponto óptimo (perdoem-me a linguagem matemática) a partir do qual deixará de fazer sentido assinalar a causa da igualdade de géneros nas capas dos jornais e nas aberturas dos telejornais.
Claro que em algumas sociedades esta questão tem toda a urgência em ser debatida e em que se tomem medidas concretas que interrompam o ciclo demolidor que penaliza milhões de seres humanos apenas por terem nascido mulheres, mas, noutras sociedades as mulheres usufruem de igualdade genérica de tratamento. As excepções que confirmam a regra.
Sei que estou a opinar num território delicado em termos dos conceitos do 'politicamente correcto'. Não pretendo minimamente desvalorizar a data, mas julgo que o exagero de algumas manifestações deste dia, e estou a lembrar-me das centenas dos jantares histéricos que hoje ocorrerão, se por um lado poderão significar um grito de liberdade, por outro não passarão de actos efémeros, que pressupóem o regresso no dia 9 ao cenário dito normal.
A igualdade está ainda demasiado longe de ser, sequer, uma palavra minimamente pronunciável. Os jantares histéricos, de facto, de nada adiantam, assim como de nada adiantará qualquer celebração que num só dia tente mascarar aquilo que não se modifica no resto do tempo - as mentalidades - e nem sequer me refiro a locais, no globo, pouco desenvolvidos. Em todo o mundo é assim.
EliminarA desigualdade é ainda tão grande que nos séculos mias próximos não pderemos deixar de lembrar todas as mulheres que ainda não sairam da escravatura doméstica, civilizacional , religiosa ou social.
ResponderEliminarQuanto ao histerismo é o grito de quem durante todos os séculos anteriores não podia sequer dar um suspiro sem autorização de alguém ... desmaiavam logo . E era chic!! Mas Paulo , nós aprendemos a colocar a voz. Deem-nos tempo e espaço... e vamos surpreender ! Eu já estou preparada para defender as quotas masculinas em determinadas profissões como por exemplo no ensino, e não vou precisar de séculos para o defender! Hèlas!
Ana obrigada.
ResponderEliminarBoa pergunta. Que pintaria ele?