Acho que foi o primeiro discurso que ouvi no senado Português. Todavia, não deixa de ter piada e sem qualquer ofensa e sem qualquer partido partidário ( não sou cidadão Português não votando, pois, em Portugal ) a assimilação de ideias com este texto que aqui reproduzo.
No fundo, ser Português é ser um pouco louco.
Mas isso é bom !
No fundo, como escreve o mesmo autor que cito abaixo, só os Portugueses é que não gostam dos Portugueses .
Europa , Europa : Meditações Portuguesas !
“Meditações Portuguesa” é o título dum dos capítulos do livro de Hans Magnus Enzensberger : Ach Europa !
Hans Magnus Enzensberger é poeta, filósofo e jornalista.
Europe, Europe! é a tradução de Ach Europa !, ( Frankfurt 1987 ) . A tradução Francesa é de Pierre Gallissaires e de Claude Orsoni. Esta data de 1988 (edições Gallimard ).
Não faço a mínima ideia se a obra de Enzensberger está ou não traduzida em Português. E já nem me lembro como este livro me chegou às mãos. O livro foi, conforme as fontes acima citadas, praticamente publicado aquando da entrada de Portugal na CEE.
O extracto que passo a traduzir ( via a língua Francesa) parece-me interessante, apesar de não ser recente. Dá uma visão dos Portugueses que me parece questionante, quanto a mim.
Passo a citar ( páginas 179 e 180 para a edição Francesa )
“ O alto funcionário Europeu que encontrei em Lisboa, um Holandês , não párava de se esfregar as mãos e estava persuadido que bastava ter paciência com os Portugueses. Para ele, estes não estavam ainda muito avançados e havia, simplesmente, que os encorajar e felicitar tal como se faz com um bravo camponês. E, como tal, não tardariam a serem racionais. O que duvido muito.
Porque o que os Portugueses opõem à racionalidade capitalista não é unicamente a sua inaptitude. É uma resistência. (...) Eles ficam presos às virtudes que lhes são próprias, à sua tolerância patológica, ao seu cepticismo que só cede perante o maravilhoso, à sua genorosidade inconsciente, às virtudes que são talvez utópicas e que lhes custam caro porque, para o mundo do progresso, equivalem a pecados mortais. Mas voltarão estas um dia ? Este assunto não está ainda resolvido. O que defendem os Portugueses, por vezes de maneira confusa e involuntária, mas sempre com tenecidade, não é uma possessão, mas os seus desejos. É justamente o que ninguém possui. O que este povo incarna é a critica da razão. “
A Guerra Colonial marcou muitos milhares de pessoas. Não só portugueses. Em termos históricos ainda não terá passado o tempo suficiente para a debater com isenção. Não quero aqui fazer qualquer juízo de valor, mas apenas partilhar um texto e uma foto que apanhei na net. Gosto de ouvir as estórias dos soldados que combateram nas ex-colónias, sendo que a maior parte deles o fez contra a sua vontade. Acho que o país lhes deve, no mínimo, um agradecimento pelos anos perdidos e pelos sacrifícios passados. Os relatos na primeira pessoa contados por muitos ex-combetentes será uma forma de perpétuar o que passaram, assim como um contributo para que as gerações mais novas de que faço parte, conheçam a sua história. Como se diz no excerto, muito do que se passou nesses tempos difíceis seria assunto para muitos livros e muitos filmes. Guiné 1968 Região de Tombali - Gandembel CCAÇ 2317 Início da construção do aquartelamento «As grandes fotografias dispensam legendas. Esta é uma das fotos-í...
Caros amigos, Uma vez aqui reunidos nesta esplanada, queria em primeiro lugar agradecer a vossa disponibilidade em participar nesta tertúlia de livres pensadores portomosenses. Foi com estas palavras que começamos o Vila Forte em Outubro de 2006. Passados todos estes dias olhamos para trás e sentimos orgulho pelo que foi este blog e estamos certos que teremos saudades do projecto que hoje termina com este post. Foi um prazer estar convosco neste esplanada. Obrigado a todos. Até sempre
Ouvi atentamente o discurso !
ResponderEliminarAcho que foi o primeiro discurso que ouvi no senado Português. Todavia, não deixa de ter piada e sem qualquer ofensa e sem qualquer partido partidário ( não sou cidadão Português não votando, pois, em Portugal ) a assimilação de ideias com este texto que aqui reproduzo.
No fundo, ser Português é ser um pouco louco.
Mas isso é bom !
No fundo, como escreve o mesmo autor que cito abaixo, só os Portugueses é que não gostam dos Portugueses .
Europa , Europa : Meditações Portuguesas !
“Meditações Portuguesa” é o título dum dos capítulos do livro de Hans Magnus Enzensberger : Ach Europa !
Hans Magnus Enzensberger é poeta, filósofo e jornalista.
Europe, Europe! é a tradução de Ach Europa !, ( Frankfurt 1987 ) . A tradução Francesa é de Pierre Gallissaires e de Claude Orsoni. Esta data de 1988 (edições Gallimard ).
Não faço a mínima ideia se a obra de Enzensberger está ou não traduzida em Português. E já nem me lembro como este livro me chegou às mãos. O livro foi, conforme as fontes acima citadas, praticamente publicado aquando da entrada de Portugal na CEE.
O extracto que passo a traduzir ( via a língua Francesa) parece-me interessante, apesar de não ser recente. Dá uma visão dos Portugueses que me parece questionante, quanto a mim.
Passo a citar ( páginas 179 e 180 para a edição Francesa )
“ O alto funcionário Europeu que encontrei em Lisboa, um Holandês , não párava de se esfregar as mãos e estava persuadido que bastava ter paciência com os Portugueses. Para ele, estes não estavam ainda muito avançados e havia, simplesmente, que os encorajar e felicitar tal como se faz com um bravo camponês. E, como tal, não tardariam a serem racionais. O que duvido muito.
Porque o que os Portugueses opõem à racionalidade capitalista não é unicamente a sua inaptitude. É uma resistência. (...) Eles ficam presos às virtudes que lhes são próprias, à sua tolerância patológica, ao seu cepticismo que só cede perante o maravilhoso, à sua genorosidade inconsciente, às virtudes que são talvez utópicas e que lhes custam caro porque, para o mundo do progresso, equivalem a pecados mortais. Mas voltarão estas um dia ? Este assunto não está ainda resolvido. O que defendem os Portugueses, por vezes de maneira confusa e involuntária, mas sempre com tenecidade, não é uma possessão, mas os seus desejos. É justamente o que ninguém possui. O que este povo incarna é a critica da razão. “
E Viva o Porto !